Com vista a proporcionar melhorias no sector agro-pecuário, o Governo da Província da Huíla projectou no seu Plano de Desenvolvimento de Médio Prazo 2013-2017, um valor correspondente a 12 por cento do orçamento total previsto, para o desenvolvimento da agricultura, pecuária e pescas. Em entrevista ao JE, o director provincial da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Pescas e Ambiente na Huíla, Lutero Campos, disse que o sector continua a crescer.

40 Anos da Independência. Já se pode falar de uma agricultura sustentável na província da Huíla?
Várias acções já constituem um facto e estão à vista de toda gente. O sector da agricultura é das áreas que mais postos de emprego cria. Outro aspecto positivo é o facto de o cidadão ser o proprietário da sua própria parcela. Naturalmente, nos dias de hoje as comunidades já possuem título de concessão de terra. Os perímetros irrigados surgiram como ganhos aceitáveis na Huíla, como o das Ganjelas, Matala, Humpata e Neves, também na Humpata. São ganhos de vulto que permitem a produção de alimentos em grande escala, quer na área de cereais, hortícolas e frutícolas.

Tem havido programa de formação?
A formação no sector da agricultura é outra mais-valia que se pode indicar como ganhos da Huíla. A funcionalidade do Instituto Médio Agrário do Tchivinguiro, que já formou milhares de jovens e o ingresso de jovens em distintas faculdades, para formação de especialistas em veterinária, engenharia, floresta e zootecnia. São vitórias conquistadas com a proclamação da independência. Durante esta fase, para as camadas mais desfavorecidas, começou a funcionar o crédito agrícola de campanha que, na Huíla, fez a primeira experiência em 2011 e actualmente vai-se numa segunda fase de implementação na campanha agrícola 2015/2016. Neste momento, o próprio agricultor também já se sente, não só como proprietário, mas também participe concreto do processo produtivo e da diversificação da economia. Tivemos outro ganho que é o Programa de Aquisição dos Produtos do Campo (PAPAGRO), que com os mercados de proximidade, o camponês sentiu-se motivado em produzir e comercializar o remanescente nestes pontos. Hoje, sentimos que em várias zonas rurais encontram-se muitos produtos agro-pecuários.

A cadeia de agro-indústria funciona?
Foram surgindo também as agro-indústrias. A Huíla dispõe de unidades de silo para poder produzir e conservar com maior segurança, as quais servem no período difícil de stock para alimentar as famílias. As infra-estruturas de apoio a produção estão montadas. Além das barragens e unidades de silo, a Huíla também já ganhou unidades de conservação a frio. O município da Humpata e Chibia já experimentaram o projecto Huíla-3. No município da Chibia está ainda em curso a implementação de uma unidade de frio com capacidade de armazenar mais de 2.400 toneladas de produtos diversos. Esta unidade vai entrar em funcionamento muito em breve. A unidade vai processar a conservação e a congelação dos produtos pecuários. Actualmente, os investidores são direccionados em determinadas áreas, para exploração das diversas potencialidades. Temos estado a distribuir parcelas de terra em determinadas localidades onde as autoridades indicaram para se realizar o desenvolvimento de forma sustentável. Estamos a mentalizar as populações para uma convivência pacífica e sã, entre os camponeses, agricultores com os investidores.

Quais os beneficios que advêm destas iniciativas?
Este processo tem dois benefícios, que é de abertura de novos postos de trabalho e o outro é de fazer um melhor aproveitamento das terras nas áreas circunvizinhas por formas a que os beneficiários possam produzir e encontram o mercado de grande investidores, como é o caso do empresário, fazendeiro. Já se obtêm o “know-how”, por formas a que os produtores possam melhorar os índices de produção e produtividade, para naturalmente se produz com maior qualidade, em conformidade da exigência do mercado.

Há dinamismo no porto logístico seco?
Todo aporto logístico está a ser de âmbito da criação de projecto e servir de beneficio para o produtor singular e não só. O sector pesqueiro que está integrado na direcção provincial da Agricultura também regista avanços, já que antes eram pouco os meios para se obter melhorias na área do pescado. Ganhamos embarcações com ou sem motores, anzóis, redes, e outros equipamentos que facilitam realizar a actividade com maior segurança e nível desejado. Deu-se um passo qualitativo com o fomento da aquicultura. Temos que pensar que existem muitos recursos aquáticos e com essas bacias existentes tem que se melhorar na base dos recursos aquáticos e biológicos se melhorar a capacidade de intervenção. Vamos fazer com que a criação de pescado renda muito mais do que irmos ao rio sem sucesso. O processo da aquicultura quer ao nível municipal quer comunal prossegue em marcha de triunfo. Com a experiência e o potencial existente, já se conseguiu fazer um aproveitamento em seis meses, tirar mais de seis toneladas de pescado e, nesta altura, está-se na terceira fase de extracção. Isso tudo, são ganhos dos 40 anos de Independência Nacional. A Huíla dispõe de muitas albufeiras, rios, lagoas e que se pode fazer ali um bom aproveitamento.

A Huíla é um potencial forte na produção de cereais e não só. Os níveis de produção já são satisfatórios?
Quero dizer que estamos a bom passo. Para a campanha agrícola 2015/2016, as autoridades locais programaram cultivar 205 hectares de terra para a produção agrícola. Naturalmente que na primeira época estão a se produzir cereais, dentre os quais o milho, massango, massambala e até o próprio feijão. Aproveitamos ainda as zonas com maior quedas pluviometricas. Sabemos que hoje ainda se processa agricultura de sequeiros e aproveita-se as zonas do norte da Cacula, Caluquembe, Chicomba, Chipindo, Quipungo e Matala, fazer-se grandes produções de cereais, sem descorar noutras e depois nas zonas um pouco criticas efectuar entre Outubro a Janeiro. Na segunda época, finais de Janeiro até Março, fazer a cultura das leguminosas, como o feijão e depois pegar na terceira época que vai de finais de Abril a Julho para fazer hortícolas, principalmente a batata rena, pimento, cenoura e aproveitando sempre nas zonas baixas, entre Julho a Setembro, tirar maior aproveitamento da humidade para servir na pré-época que é das nakas, onde os agricultores lançam a semente para terem a massaroca em verde e terem uma mais-valia em termos de ganhos. Está fase toda, em termos de asseguramento, citada é que completa 605 hectares. Queremos também dizer que na zona leste da província, sobretudo no Cuvango, produzir muita mandioca. Estamos agora a preparar alguns programas para aproveitar a zona de meio entre montanhas e vales, para a produção do arroz e o trigo. Por isso, já se faz essa produção, mas que carece de maior divulgação dessa cultura para se poder aumentar. São boas as previsões que se tem para isso e vamos fazer com que o arroz que é produzido na província do Cuando Cubango também se pode processar isso. Existe boas zonas para promover essa produção.

O sector pecuário está saudável?
Já se sabe que a parte pecuária é um ganho já conquistado na província, com maior solidez a existência do maior efectivo pecuário do país que ronda em gado bovino 1.200.000 cabeças, caprino um milhão e igual número para o gado caprino, suíno e ovino. Está ainda em curso o projecto de relançamento da produção avícola. É verdade que o governo da província está empenhado para a reconquista de ostentar do parque industrial avícola, com a produção de ovos em grande escala. De algum tempo a esta parte, houve anos em que registou-se baixa de aves e com pouca oferta. Foi virado o curso da história e conseguiu-se reconquistar o sector avícola no sector tradicional e tem que se introduzir o melhoramento conforme se assistiu até nos anos 90.

A área florestal está intacta?
Actualmente, ainda contamos com muitas áreas florestais e com polígonos florestais e alguns madeiros que extrai a madeira mas com uma visão ambiental um pouco fraca. Temos que efectuar a exploração de madeira mas com a devida reposição. Nem sempre todos compreendem esse facto, que as vezes têm uma implicação muito negativa forte. As alterações climáticas que se assistem aqui e acolá é fruto deste desastre ecológico que vai havendo. É preciso fazer o corte com reposição. O subsector ambiental tem estado a trabalhar nesta área. A província também tem produtos florestais não madeireiros. Fruto disso utiliza-se muita bebida. Na província já se faz o aproveitamento aceitável de mel em quantidade considerável nos municípios de Cuvango, Matala, Jamba e que este mel deve ser aproveitado e processado. Temos estado a efectuar o levantamento em conformidade com o programa do sector da Industria, denominado Porfil, para que se faça o aproveitamento aceitável desses produtos. Vamos continuar a trabalhar por formas a que os ganhos sejam aceitáveis. Os apicultores estão associados com representação na província e a nível nacional.

Fez referência do número de hectares anualmente. O número de famílias que são inseridas satisfaz?
Estamos a trabalhar com o mínimo de 289 mil famílias que são assistidas normalmente, quer a nível do programa de extensão de desenvolvimento rural assim como do programa provincial do Governo e parceiros sociais, que são as Organizações Não Governamentais (ONG) e outros. É por isso, que com outros parceiros, como a União Nacional dos Camponeses de Angola (UNACA), tem se estado a efectuar um trabalho com vista a que se consiga ter um maior número de camponeses a serem assistidos e que os benefícios estão a ser bons. Hoje já se entrega inputs agrícolas, como sementes e os camponeses fazem o reembolso que é colocado avante a disposição de outros camponeses com carência de sementes. Este programa está a surtir efeito de algum tempo a esta parte. É neste universo que se assiste um grande número. Um outro aspecto importante é dentro deste campo que também estão os programas de crédito. Hoje os programas de crédito agrícola de campanha com a participação de três bancos, como Banco de Poupança e Credito (BPC), Banco Sol e Banco de Comercio e Industria (BCI), mas também há outros programas de parceiros sociais, como a ADRA, que trabalha com o Banco BCI na Humpata e que apoia os agricultores e camponeses na área do crédito. Outro ganho é o aparecimento do crédito em várias vertentes.

A produção a nível dos perímetros irrigados da Matala, Ganjela e Neves é efectiva?
A produção ao longo do perímetro irrigado da Matala já transporta uma grande tradição. Neste âmbito é muito boa. Muitos dos agricultores confluem a produção nos mercados e são inundados com a produção. Ainda não se tem muita sagacidade de ir a procura dos mercados e colocar lá os produtos. Mas isso vai se fazendo paulatinamente. Sabemos que quando chega a altura da colheita da batata, encontra-se muita batata no mercado com baixo preço. Temos estado a assistir que há muita produção neste sentido. Hoje também vai se assistindo muita desistência ao longo dos perímetros irrigados. Ou porque alguns não têm muita disponibilidade de tempo para poderem estar ali e produzirem ou porque os mercados quando a produção é excessiva e não encontram na mesma altura no mercado e compensar os gastos feitos ou a projecção daquilo que o próprio produtor tinha feito, já que os encargos tende a ser incluído nos lucros. Vamos ter que fazer muitos contactos com vários mercados para que os produtos encontrem espaço. As feiras também são uma solução de promoção dos produtos. Isso tudo é uma organização que está a ser criada e profissionalizada e um dia poderemos encontrar solução de tudo que produzimos e vender.

A promoção da divulgação é efectiva?
O processo está a bom caminho e é preciso a participação de todos na divulgação de tudo que se produz, no chamariz dos compradores ou consumidores. A nível da nova legislação diz que só se importa aquilo que não se produz a nível interno e esse factor é motivador e incentivador para que a produção seja feita com maior fluidez e responsabilidade. O que está agendado a nível da província da Huíla e se for conseguido a breve trecho, fazer a conclusão das barragens a nível do Caculuvar vamos encontrar outras albufeiras para se fazer o cultivo e produção de peixe. Vão se criar mais postos de emprego e das famílias. Unindo esses factos poderemos encontrar alguma solidez na população nos grandes programas que se tem. Está a ser afinada uma máquina que desemboca no sector ambiental.

A exploração do Parque Nacional do Bicuar pode constituir uma mais-valia na arrecadação de receitas?
O parque Nacional do Bicuar se brevemente conseguirmos fazer a exploração ecoturística naturalmente que vai ser um dos postos de arrecadação de receitas. Os vários estudos de impacto ambiental que muita dessas empresas que fazem a exploração, como as pedreiras, grandes máquinas que se utilizam, e se estiverem convencionadas e não despejem grandes quantidades de dióxido de carbono á atmosfera há-de ser uma grande mais-valia, porque o futuro está destinado a menor capacidade de alterações climáticas. Se reduzirmos esse feito, naturalmente teremos muito mais ganho.

As estações Zootécnicas funcionam e a participação dos grandes agricultores na Huíla são salutares?
Temos actualmente duas estações na província. Uma estação experimental agrícola e duas estações zootécnicas. A estação Zootécnica da Humpata e de Quilengues. Reconhecemos que essas estações foram se degradando a medida que o tempo foi passando e hoje estão a merecer a reabilitação, através do projecto da Linha de Israel, que está a ser implementado por uma empresa agrícola daquele país e o governo da Huíla. Hoje já se pode encontrar novas estações experimentais. Já temos novo ganho. Hoje as culturas já são regadas a nível de um pivô com uma central. Por isso, deu-se outro salto. A plantação de plantas já se vai efectuar nestes locais, o que é salutar e com maior profissionalismo e termos plantas melhoradas. Temos praticamente a nova estação zootécnica. Estamos repovoa-la com o gado de duplo propósito, gado de carne e de leite também. Este é outro salto e vamos voltar a ter uma estação que produz leite e labora os subprodutos de leite, como queijo e manteiga. Vamos ainda ter uma estação que vai produzir ovos e que depois sirvam para serem fornecidas no laboratório de produção de vacinação.

Os grandes diagnósticos já são feitos com segurança na Huíla?
Sim. Como é sabido, o Ministério da Agricultura colocou na comuna da Palanca, na Humpata, um Laboratório de veterinária regional, que está a ser capacitado com empresas internacionais por formas a que o laboratório possa funcionar alguns dos seus apêndices e fazer diagnóstico a medida daquilo que temos na província e no país a nível do factor alimentar de gado. Estamos também a ter a formação de quadros neste subsector por formas a que se possa dar conta da actividade que se impõe.