O embaixador de Angola em Espanha, Victor Lima, garantiu em entrevista exclusiva ao JE que o país está a propor à Espanha a supressão de vistos para os passaportes diplomáticos e de serviço. Mas a meta, disse, é abranger os passaportes de serviço e facilitar ainda mais a aproximação entre as duas nações, que reforçam cada vez mais os laços de cooperação económica.

Angola e o Reino da Espanha estão empenhados em estreitar cada vez mais as relações comerciais e projectar este relacionamento em sectores que dinamizam a economia angolana. De que forma avalia a cooperação entre os dois Estados? 
Considero que as relações económicas e comerciais entre Angola e Espanha conheceram um crescimento exponencial e bastante apreciável. Nós temos recebido uma grande manifestação de interesse de empresários espanhóis em investir no mercado angolano. Este interesse tem vindo a aumentar de forma considerável e, hoje, existe um ambiente de negócios que lhes permite realizar os seus objectivos com sucesso no mercado nacional. Independentemente disso, temos estado a encorajar os empresários espanhóis a irem para Angola e é cada vez maior o número dos que têm estado a corresponder favoravelmente.

Fazendo comparação com o período de conflito armado, hoje, regista-se um maior crescimento dos investimentos espanhóis em Angola?
No período do conflito armado, havia fundamentalmente uma relação na área do comércio e apenas uma empresa, que fazia trabalhos no ramo da electricidade, estava implantada em Angola. Fazia a instalação de equipamentos para o sistema de baixa tensão em Luanda. Esta empresa realizou vários trabalhos em Angola. Desde que se restabeleceu a paz, nós temos recebido propostas espanholas para a construção de unidades industriais em Angola. Também temos empresários espanhóis com intenções de apostar na agro-indústria. Por exemplo, uma empresa espanhola da região da Catalunha quer ir para Angola implementar um grande projecto no domínio da avicultura. Este projecto, inclusive, já foi apresentando a várias entidades nacionais. Salvo algum eventual percalço que eu não consiga divisar, é um projecto que está muito bem estruturado e tem tudo para ser um êxito. Digamos que não há nenhum sector da economia angolana em que hoje não se constate o interesse de empresários espanhóis.

Pode avançar alguns exemplos?
A deslocalização de indústrias espanholas para Angola, sobretudo indústrias de materiais de construção, que se não limitariam apenas à fabricação de telhas e tijolos. São indústrias com um grau de sofisticação muito apreciável e nós sabemos que Angola está numa fase de reconstrução em que a procura destes materiais de construção é muito grande. Além desta indústria, existem outras viradas para outros segmentos da economia nacional.

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