O Ministério da Educação, em parceria com a Companhia Nacionalde Computadores e Sistemas de Informação (Meu Kamba SA), está, desde 2013, a promover o programa de inserção das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) no subsistema do ensino primário, através de computadores, tanto para alunos como para professores. Em entrevista ao Jornal de Economia & Finanças, o administrador da empresa “Meu Kamba” reconhece que o ganho promove melhoria na qualidade do ensino e aprendizagem.

Há um tempo a esta parte, o Ministério da Educação, em parceria com a empresa “Meu Kamba”, tem estado a trabalhar na inserção progressiva das Tecnologias de Informação e Comunicação no sistema de ensino. Qual é o objectivo desta acção?

Num mundo globalizado como o de hoje, ao qual estamos incluídos, as TIC deverão estar presentes em todos os sectores da vida e o Ministério da Educação não ficou de fora, abraçando o projecto “Meu Kamba”, para que nas escolas do ensino primário se busquem melhorias, atitudes inovadoras e actividades na preparação e orientação das aulas.
Com este propósito, criou-se o programa consubstanciado na parceria entre o Ministério da Educação e a Companhia Nacional de Computadores e Sistemas de Informação (Meu Kamba SA), cujo objectivo é preconizado pelo grupo Miracel (Miracel Holding, Miralua, Mcx, Meu Kamba), presidido por Celmira Sousa, é disponibilizar um computador por aluno em salas de aula, introduzir as Tecnologias de Informação e Comunicação.

Como caracteriza esta parceria?

Acreditamos que investir na educação é um dever patriótico. Aliás, temos a consciência de que o futuro do projecto “Meu Kamba” está nas mãos de todos angolanos que acreditam que, num mundo dinâmico e complexo, vencerão não apenas aqueles que forem eficazes (objectivos), mas também
aqueles que forem eficientes, pois a eficiência significa atingir os objectivos com menor custo, com maior qualidade, rapidez e em tempo real. Se as crianças de hoje forem competitivas, teremos amanhã uma Angola competitiva no concerto das Nações.

Acredita que a inserção das TIC no sistema de ensino primário ajuda a reforçar a qualidade de ensino?
Efectivamente, tem impacto positivo. Com o nosso modelo de ensino, a criança do Seles, no Cuanza Sul e a da Chibia, na Huíla, competirão em igualdade de circunstâncias, com a de Yonkers, nos Estados Unidos e porque não com a criança de Roma, na Itália.
Gostaria de dizer ainda que a Educação de um país tem um enorme impacto na sociedade. Ao criar oportunidades para as pessoas, o investimento na educação e formação de um país produz profissionais qualificados que estimulam a economia nacional.

Logo, o uso dos computadores afigura-se importante para permitir esta interacção?

Claro. O uso efectivo de computadores no ensino beneficia os alunos e não só. Portanto, quantos mais elementos de tecnologia forem introduzidos no ambiente de ensino mais eficaz se torna.

Desde quando existe o projecto?

Desde 2012 e criou-se com o intuito de trazer para o mercado nacional um computador criado especificamente para o público jovem e que facilitasse a aprendizagem no ensino primário. O projecto “Meu Kamba” contempla uma população escolar de mais de 31 mil alunos em 12 províncias de Angola, devendo contemplar mais 6 províncias neste ano, passando assim o projecto a estar implementado em todo o território nacional.

Desde o início do projecto, quantos computadores já foram instalados?

5.754 computadores em 76 escolas, contemplando uma população escolar de mais de 31.374 alunos nas 12 províncias em que o projecto “Meu Kamba” está presente.
Até ao momento já foram formados 236 professores em 12 acções.

O projecto é apenas destinado para os alunos e professores do ensino primário?

Sim. Nós acreditamos que a base é sempre o princípio da excelência. Muitas dificuldades encontradas no ensino superior resultam do défice no ensino primário. “De pequenino é que se torce o pepino”!

Qual é o papel e responsabilidade do Minstério da Educação no projecto?

O Ministério da Educação, tendo em conta alguns critérios, coordena o processo da selecção de salas. Importa dizer que na educação não se deveria falar de gastos, mas, grosso modo, de investimentos para a Nação.

Acha que a inserção das TIC é um imperativo que deve ser seguido em função da globalização?

Não se pode sobreviver as investidas da globalização sem as tecnologias. Não temos outra escolha. Por exemplo, o modelo de ensino proposto encerra em si uma margem de criatividade significativa, quer para os professores, quer para os alunos.

Acredita que a implementação efectiva do projecto “Meu Kamba”, que tem também como essência a distribuição de equipamentos informáticos, infra-estruturas, conduza também a maior inclusão digital?

Sim! Estamos no Cuando Cubango, Luanda, Benguela e Huambo. Infelizmente, não existem assimetrias entre as nossas regiões. As assimetrias são muito óbvias. E este projecto conduz à redução das assimetrias, no limite, tecnologicamente falando!...