O Administrador executivo da Nova Base Angola, Miguel Vicente, defende a introdução oportuna de softwares que confiram maior personalidade ao histórico bancário para facilitar nas decisões.


Jornal de Economia & Finanças (JE) – As soluções tecnológicas constituem a vossa base de oferta para o mercado. Satisfazem o grau de exigência do actual momento?

Miguel Vicente (MV) – Os nossos produtos e serviços são bastante maduros e, de certeza, ajudam os angolanos em várias áreas de negócios a se desenvolverem, com preferência para o mercado bancário. Neste momento, estamos a trabalhar com oito principais bancos, que acabam por representar cerca de 77 por cento dos fundos financeiros capturados pela empresa no mercado angolano.

JE – Passados cerca de cinco meses da vossa instalação efectiva no país, quais os indicadores do vosso desempenho?

MV – Podemos considerá-los excelentes, pois, em grande maioria, ultrapassaram as nossas expectativas. Temos hoje um volume de negócios superior aos 10 milhões de dólares e prevemos crescer acima dos 30 por cento este ano. Terminámos com êxito o processo de integração dos quadros nacionais e poderemos introduzir outros que residem em Portugal para trabalhar no país, além de levarmos em estágios profissionais e acções de formação outros tantos seleccionados nas universidades angolanas para Portugal.

JE – A aposta de fixar base em Angola obrigou-os a alguma adaptação ou modificação concreta da vossa forma de prestação do serviço?

MV – A verdade é que nós até já operávamos no país, antes de entrarmos oficialmente como empresa, faz cerca de dois anos. Esta prática levou-nos a conhecer um pouco mais sobre a realidade do mercado.

JE – Com que sectores específicos trabalham?

MV – Disponibilizamos soluções tecnológicas em sectores como a banca, as telecomunicações e o da energia, mas pensamos inovar com o sector da administração pública. Somos a única empresa que, pela sua abrangência, integra desde o fornecimento de infra-estruturas inteligentes IP e data centers, até ao desenvolvimento das aplicações de negócio, consultoria de processos, tecnologias de informação e comunicação, sistemas de bilhética e soluções para a TV digital.

JE – A aposta na banca tem dado os seus resultados, e quais as novas ofertas para este segmento da economia?

MV – O actual crescimento do sector bancário obriga a que os cerca de 20 operadores do sistema desenvolvam serviços que se adequem ao momento. Isto permite que, face ao rácio de eficiência ainda baixo que a banca comercial angolana apresenta, exista uma margem muito grande para que se desenvolvam sistemas de serviços e produtos que se adequem a esta realidade. Logo, um sistema tecnológico pode ajudar os bancos a reduzirem os seus custos de operações, essencialmente na gestão dos processos, da informação e, não menos importante, na relação com clientes.

JE – Acredita serem estas as soluções de que mais necessita este sector?

MV – Claramente, e aliás faz muita falta, uma vez que os investimentos no segmento das tecnologias de informação e comunicação desafiam os bancos a readaptarem os seus modelos de prestação de serviço, levando-os à sofisticação dos seus produtos e programas. Também recomendamos a intensificação na utilização das caixas electrónicas, dos terminais automáticos de

pagamento.

JE – Ainda é frequente no país vermos em nossos bancos a inscrição “não há sistema”. Até que ponto ajudam a solucionar estas

dificuldades?

MV – Isto representa um campo de oportunidades para a nossa actuação, e é neste sentido que temos vindo a trabalhar. Assim, propusemos a introdução de outros mecanismos, com os quais até o cliente não tenha necessidade de se deslocar a um balcão para consulta de saldos e efectivação de outras transferências. O “mobile banking”, que poderá suportar outras aplicações e serviços, aparece como uma excelente alternativa, até porque existe muito investimento no sector das telecomunicações no país.

JE – O que precisam ainda fazer os nossos bancos na sua relação com o mercado e os clientes?

MV – É importante que os bancos passem a lidar com clientes e não com as contas bancárias. O que representa ser necessária a implementação de uma visão integrada e agregada do seu cliente. Neste sentido, estamos a promover um projecto para que os bancos possam redesenhar as suas soluções de gestão de relação com os clientes, a gestão de procedimentos competitivos, e que permitem entender os comportamentos socio-económico dos seus clientes, através do seu histórico bancário e principais operações. Esta iniciativa vai permitir aos bancos oferecerem produtos que se ajustam às necessidades dos seus clientes.

JE – No domínio da energia, em que consiste a vossa oferta de soluções?

MV – Pretendemos instalar softwares controladores dos fluxos energéticos, desde ao processo de produção, transportação e distribuição. A ideia é valorizar os grandes investimentos que estão a ser feitos pelas empresas produtoras de energia. Tudo quanto se sabe, Angola tem um crescimento per capita de 14 por cento na produção bruta de energia. Também temos soluções tecnológicas para o melhoramento das soluções no segmento da comercialização da energia pelo país.

JE – O que teremos de fazer depois disto?

MV – Assegurar a continuidade da monitorização do transporte energético, através de uma rede de comunicações de alta segurança, garantir sistemas de controlo ao distribuidor para que este possa interagir com os fluxos de consumo. Para mitigar a problemática do alto consumo, mas baixo pagamento que se regista, propusemos soluções que vão monitorar a rede de baixo consumo.

JE – Temos condições para materializar a concretização destas intenções?

MV – Temos e existe muita vontade dos responsáveis pelo sector em modernizá-lo, através da introdução de novos mecanismos tecnológicos. A perspectiva de relação preço/qualidade satisfaz, o que abre enormes oportunidades para todos os intervenientes.

JE – Sobre o sector dos transportes, o que se pode adiantar como principais bases da vossa actuação?

MV – Disponibilizar suporte tecnológico no domínio dos transportes marítimos, ferroviários e terrestres, com a disponibilização de uma bilhética customizada às populações. A nossa expectativa é gerir e controlar a rede de serviços aqui no país.

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