A contínua implementação do alargamento da rede de balcões, que a cada ano se estende por todos os cantos e recantos do país, a fim de proporcionar o acesso cada vez mais facilitado aos serviços, continua a ser a aposta do Conselho de Administração do Banco de Comércio e Indústria (BCI), que abriu há dias na cidade do Lubango o seu quarto balcão local. Em entrevista ao Jornal de Economia & Finanças, na cidade do Lubango, província da Huíla, a administradora, Maria do Carmo Bastos Corte Real Bernardo disse que este crescimento visa contribuir para a melhoria da qualidade de vida das populações.

De que forma o Banco de Comércio e Indústria (BCI) está a contribuir para a diversificação da economia?
Existem vários programas gizados pelo Executivo. A diversificação da economia é uma aposta certa para se criar rendimentos oriundos de outras fontes. O crédito agrícola de investimento são fundos do Estado disponibilizados através do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA), para o relançamento da agricultura como forma de diversificar a economia, fomentar emprego e reduzir a pobreza. Nesta vertente, no âmbito do crédito agrícola de investimento, o Banco de Comércio e Indústria concedeu cerca de dois mil milhões de kwanzas nas províncias de Benguela, Huíla, Moxico, Cuanza Sul, Luanda e Bengo, para o fomento agrícola. Sobre o Angola Investe, concedeu montantes a 24 empresas nas províncias do Cuanza Norte, Cuanza Sul, Luanda, Bengo, Uíge, Benguela e Huíla. Ainda no mesmo programa, vamos financiar entre 4 a 6 projectos ligados à pesca, agricultura e criação de gado na província do Namibe. Ainda este mês foi concedido já um total de cerca de 1.900 milhões de kwanzas. Ainda neste processo dos 24, sete foram com recursos ao fundo de garantia pública e 17 apresentaram garantias reais. São factos reais daquilo que o banco tem feito para apoiar o programa de diversificação da economia, que constitui aposta forte do Executivo.

Recentemente foi aberto no Lubango, o novo balcão do BCI. Com que objectivo o banco fez esta nova aposta?
Esperamos o aumento de clientes e de depósitos. Com a abertura desta agência no bairro do Chioco, completamos 122 pontos, dos quais 92 balcões de atendimento ao público e 30 postos, que são pontos de recolha. Com a abertura deste balcão nós esperamos que aumentem os depósitos e também a satisfação dos clientes. Queremos atingir o máximo, não só na área bancarizada, com o produto bankita e outros para empresários e trabalhadores das empresas, ou seja, produtos para particulares.

Podemos considerar o crescimento do BCI como sendo também ganho dos 40 anos de independência que se comemora a 11 de Novembro?
Sem dúvidas. O BCI foi o primeiro banco comercial depois da independência. É bem verdade que existe uma indefinição, mas a verdade é que o BCI foi o primeiro a fazer a escritura como banco comercial pós-independência. Surgimos em 11 de Julho de 1991, por isso, já passamos a fase de maturidade. Com os 40 anos, naturalmente crescemos bastante. Nos últimos dois anos a rede de balcões saiu de 50 para os 122 pontos. Por esses números pode-se ver que o BCI também cresceu.

Há ainda agências por abrir em todo o território até finais deste ano?
Este ano é muito particular. Todas as empresas estão a fazer contenção e o BCI não foge à regra porque teve que travar um pouco a sua política de extensão da rede para este ano, dada a conjuntura financeira conhecida. Mesmo assim, para este ano, a Huíla vai ainda beneficiar de um grande balcão situado no prédio em construção no Lubango. A cobertura nacional é boa e o processo vai continuar.

Qual tem sido o contributo para a melhoria da qualidade de vida das populações?
O nosso sector bancário contribui bastante ao dar crédito à população, financiando as empresas, criando o hábito de poupança à população, por ser saudável para se poder adquirir os bens e não só. O contributo de qualquer banco na sociedade é vital. Existem produtos na área do microcrédito, que têm ajudado na responsabilidade de implementar os programas do Executivo. Na qualidade de sermos um banco de capitais públicos, temos uma responsabilidade a dobrar. Além da responsabilidade normal de qualquer banco, o BCI tem ainda a de ser o veículo de concretizar os programas do Governo. A título de exemplo, existe, igualmente, o crédito de campanha. Já se implementou com sucesso o crédito “amigo” também. Existem programas de microcrédito para pequenas e médias empresas, como forma de ajudar a população, melhorando as suas condições de vida, que é preocupação do Executivo.

O crédito de campanha foi uma via encontrada para potenciar as famílias de modo a melhorar a qualidade da sua vida, gerando alimentos e riqueza para o seu bem-estar no quadro do programa de combate à fome e à pobreza. Os programas continuam?
Tudo o que foi programado para atribuir às famílias foi concretizado. Este ano fizemos o lançamento da nova campanha. Existem programas de apoio às famílias das províncias da Huíla, Huambo, Namibe, Cuanza Norte e outras, a par da capital. Pretendemos alargar essa acção, à semelhança do que se fez o ano passado, para todas as províncias onde existe um público-alvo para este produto. São produtos de microcrédito como eu disse, para ajudar a população de baixa renda a criar a sua riqueza.

Nessas províncias onde fez referência há um número exacto de famílias já beneficiadas pelo crédito de campanha do BCI?
Temos bons exemplos. Os benefícios são positivos. Houve beneficiários que sentiram a responsabilidade de devolver o crédito ao banco, mas também tivemos aqueles que entenderam que, sendo um banco de capital público, o dinheiro não era para ser devolvido. Infelizmente também tivemos esses exemplos. Mas de uma maneira geral, há uma devolução, embora com algum atraso. Reconhecemos que apoiar a agricultura e pequenos camponeses às vezes tem sido, como se diz, “uma faca de dois bicos”, porque há inundações e seca e os camponeses nem sempre têm grande capacidade de devolverem o capital que foi emprestado. Mas pelos dados que temos,
a experiencia é positiva.

Para casos em que a devolução não foi efectiva, qual é a solução encontrada?
Nós conversamos normalmente com os comités de pilotagem que são órgãos criados para acompanhar onde existem cooperativas e camponeses associados. A abordagem abrangeu também os camponeses e o crédito é reestruturado. Quer dizer que depois de apresentar as razões que levam ao não pagamento, ponderadas todas as questões, fazemos o crédito, não dar mais dinheiro; mas reformular porque há camponeses que dizem poder pagar, por exemplo, mil kwanzas todos os meses. Se a prestação anterior era de mil e 500 kwanzas todos os meses, reformula-se o processo para mil de modo a permitir que os camponeses possam devolver ao banco, mesmo com o prazo mais prolongado. Tem-se encontrado sempre soluções quando acontecem
situações inesperadas.

Qual é a avaliação que faz do crédito automóvel que é dado pelo banco?
O crédito automóvel que é concedido pelo Banco de Comércio e Indústria (BCI) tem uma procura muito alta. Somos um banco que financia em 100 por cento o valor da viatura. As garantias que são solicitadas pela procura estão ao alcance da pessoa que se propõe comprar a viatura. As taxas são boas de mercado. Financiamos 12 por cento por 5 anos a totalidade do crédito automóvel e a taxa de incumprimento é muito baixa, o que justifica ser um bom produto e pretendemos continuar a dar este produto, que tem ajudado bastante aos clientes terem viatura própria e nova.

Que outros serviços estão disponíveis na instituição?
Temos serviços convencionais da banca, desde depósitos, pagamentos, cartas de créditos, transferências para o exterior. Temos ainda o internet banking, que é um serviço que funciona com excelência, aplicações a prazo. Em relação aos créditos existem desde o de investimento, particulares, adiantamento, não só a particulares, mas também a empresas como forma de apoio à tesouraria. Fomos os pioneiros na concepção do crédito “Angola Invest”. Apesar de não termos subscrito um plafond, à semelhança de muitos bancos, concedeu-se o equivalente a 18 milhões de dólares para vários empresários que hoje já começam a implementar fábricas que já estão a surtir efeitos positivos com a criação de novos empregos e o conselho de administração está satisfeito com esse serviço.

Quantos clientes o BCI tem actualmente?
O BCI está actualmente com aproximadamente 340 mil clientes que estão distribuídos entre empresas e particular.

Nas provincias tem havido queixa dos clientes sobre a morosidade que se verifica na concepção de alguns créditos. Há uma explicação a dar a respeito?
Existem dois factores que podem concorrer para esta demora. O primeiro tem a ver com a conformidade dos processos que são concedidos. O documento físico do pedido de concepção de crédito tem que ir à estrutura central, onde deve merecer a análise de risco e posteriormente para decisão em comité de crédito. Sabemos que temos ainda problemas de correspondência. Ou seja, os serviços de correspondência ainda são caros e as empresas optam em alguns casos por acumular maior número de processos e só depois de completar a quantidade achada conveniente se envia a Luanda. Isto também acaba por criar algum pequeno atraso. O outro atraso está na constituição do próprio processo. Ou seja, o cliente dá entrada do processo, mas não completo, de acordo com as exigências do produto, o que dá origem a que muitas vezes por falha se dirija a um balcão e por algum motivo não completa o processo que vai, geralmente, a Luanda e depois é devolvido.

O quadro pode mudar?
Existe um projecto em curso no quadro do programa de dinamização comercial: criar tecnologias de informação de ponta que vão permitir que um processo hoje recebido em qualquer balcão fora de Luanda, seja tratado, digitalizado e enviado com rapidez à direcção central. Neste processo, automaticamente o físico já não é transportado e as imagens são passadas a quem de direito que analisa os processos e depois vem apenas a autorização. O ganho vai permitir que com esse processo de acompanhamento de crédito se encurte a espera de que muitas vezes os clientes se queixam da morosidade na decisão do processo que é derivado apenas dos atrasos do envio dos de processos à capital. O processo é aprovado com as garantias. Tem um procedimento próprio que leva algum tempo, mas com esta ferramenta acredita-se que se vai conseguir reduzir para apenas 15 dias para a decisão de um produto, que é o “cria condições” para particulares. Com esta ferramenta esperamos reduzir para quatro dias ao máximo o tempo de espera para ser creditado na conta do cliente.

Quais são os projectos em curso na vertente imobiliária?
Existe a subsidiária denominada “BCI Imobiliária”. Como exemplo, na cidade do Lubango, província da Huíla, um projecto imobiliário sito na rua Pinheiro Chaga, junto à primeira agencia criada na Huíla. É um prédio de nove andares, composto por lojas e apartamentos. Neste momento o BCI Imobiliário tem um número disponível para as pessoas disponíveis em comprar apartamentos ou escritórios e tem também a sua página que é www.bci-imobiliaria.com, que está disponível e onde podem ver todos os serviços
disponíveis.

Quantos apartamentos tem o edifício e qual é o molde da venda?
O edifício é constituído por 36 apartamentos e o molde de venda e pagamento pode ser feito por crédito bancário, onde a pessoa tem os seus rendimentos domiciliados ou por fundos próprios. O BCI não tem pacote nenhum específico de crédito porque é necessário que o interessado seja cliente do BCI. Se for cliente e reunir o perfil para ter o crédito, naturalmente que está apto para poder comprar os espaços.

O processo já começou?
Quem estiver interessado, tem em primeiro lugar que contactar o BCI Imobiliário, que é a empresa que está a efectuar a venda dos apartamentos, e tendo conhecimento do preço dos apartamentos e das lojas vai sentar-se com o gestor do BCI para analisar se existe possibilidade de acordo com os rendimentos.

O projecto imobiliário também faz parte do programa do Executivo de fomento habitacional de dar solução de casa própria às pessoas?
Inicialmente não fazemos parte deste programa. O BCI Imobiliário é uma empresa em que o o BCI, como eu disse, é o accionista maioritário; não é um prédio de baixa e média renda, mas sim é de renda média alta. Não fizemos parte de projectos como o do Kilamba, mas sim, de resultado no final.

A par do Lubango o projecto vai-se expandir a outras províncias?
Evidentemente. Em Luanda existe também um projecto a iniciar, no local onde estava situada a agência do Kikagil. É um prédio de quatro andares, cuja agência vai estar no rés-do-chão. Cada piso vai ter três apartamentos com dimensões que vão de T2 a T4 e estará disponível um número telefónico aberto para a venda dos apartamentos. Pensamos também em construir na cidade de Ondjiva, Bié e noutras províncias e à medida em que a situação financeira permitir.