O preço do cimento em Luanda registou uma subida na ordem dos 166 por cento, se comparado com o mês de Fevereiro do ano passado, altura em que 50 quilogramas (kg) custavam kz 1.500, contra os actuais 2.500, no mercado informal. Por exemplo, um saco de cimento cola de 25 kg que custava em média kz 800, também está a ser vendido a 2 mil, independentemente da origem. Uma ronda feita pelo JE, em alguns mercados informais e revendedores autorizados foi possível constatar que há pouca procura do produto por parte dos construtores, face ao alto custo.

Preços registam subida
Maria Cavera, revendedora de cimento, no mercado 11 de Novembro, na localidade da Sapú, município de Belas, em Luanda, conta que “na fonte” onde obtém o produto, o preço “também subiu”.
“Não temos outra saída, senão aumentar o preço para retirar o investimento. Ninguém explica a razão da subida do preço do cimento”, conta.
O mesmo cenário nota-se no mercado da Madeira, no bairro Gamek, no município da Maianga.
O preço está ao mesmo nível, mas há quem diga que em alguns pontos de Luanda está mais caro.
As casas e contentores “carregados” de cimento para vender estão abertos, mas sem clientes.
Amiúde, um ou outro vai procurar saber o custo. Comprar, nem por isso.
De repente, tira o pé: “Subiram muito os preços, afinal porquê? Interroga um jovem, identificado por Casse que conta estar a erguer uma casa e nunca consegue terminar.
“É preciso saber o motivo da subida. O pouco dinheiro que temos, dá apenas para efectuar as matrículas das crianças e comer. Com estes preços não sei quando é que terminarei a casa”, revela.

Consumo médio
Recentemente, a Associação da Indústria Cimenteira de Angola (AICA) apontavam que o mercado consumia em média 2,3 milhões de toneladas de cimento, que correspondia a 26 por cento da produção nacional.
Etse número é justificado pela capacidade instalada de 6,5 milhões de toneladas de clinquer e 8,6 milhões
de cimento por ano ano.
Angola conta com cinco cimenteiras, nomeadamente a CIF e Nova Cimangola, instaladas em Luanda, a FCKS (Cuanza Sul), a Cimenfort
bem como a Secil (Benguela).
Fontes do sector, contactadas pelo JE não souberam explicar o “fenómeno” da subida do preço do cimento, que até certo ponto está a inviabilizar a continuidade de
muitas obras paralisadas.