O embaixador de Angola acreditado na República Árabe do Egipto, Tony da Costa Fernandes, disse, em entrevista ao JE, que a visão adoptada pelo actual Executivo liderado pelo Presidente João Lourenço, em apostar na diplomacia económica, é acertada e que terá o apoio de todas as Missões Diplomáticas de Angola no exterior, para o desenvolvimento e crescimento económico do país. Referiu que as principais prioridades de cooperação económica com o Egipto estão focados nos sectores da eletricidade, águas, agricultura, pescas, saúde, educação, investigação científica e o apoio na reabilitação de infra-estruturas.

Para o diplomata angolano, no quadro da cooperação económica existem vários empresários egípcios interessados em investir em Angola, com destaque para a empresa Elsewedy que já investiu 500 milhões de dólares, em Luanda, no sector de energia e da empresa Árab Contrators, ligada ao sector das Obras Públicas, interessada em investir nas áreas da construção, reabilitação de aeroportos, estradas, pontes, habitações e barragens.
O embaixador avançou que as autoridades da Síria, Líbano, Líbia, Iémen, Jordânia e Iraque também já manifestaram interesse de incrementarem a cooperação económica com Angola.

O actual Executivo está apostado na diplomacia económica com o objectivo de atrair investidores estrangeiros. Como caracteriza?
É acertada e terá todo o nosso apoio, enquanto embaixador acreditado no Egipto e nos países sob nossa jurisdição. A diplomacia económica é parte integrante de todas as missões diplomáticas de Angola, desde a Independência Nacional, o que faltou muita das vezes foi uma definição clara dos seus objectivos, mas com a crise que o país está a atravessar, desde 2014, o Executivo lançou um programa de diversificação económica, na qual a diplomacia económica joga um papel fundamental. A nova governação do Presidente da República, João Lourenço, orientou-nos claramente sobre as acções que devemos desencadear nos países onde estamos acreditados para o fomento da diplomacia económica.

Que passos estão a ser dados pela embaixada para atrair investidores egípcios?
Desde 2012 elegemos como uma das nossas prioridades a diplomacia económica com o intuito de ajudarmos a superar algumas das nossas carências em sectores como a eletricidade, água, agricultura, pescas, saúde, educação, investigação científica e o apoio na reabilitação de infra-estruturas. Os resultados atingidos, até ao momento, ainda não nos satisfazem.

Alguns acordos de cooperação na vertente económica já estão firmados?
As nossas relações regem-se por um acordo geral de cooperação económica, técnica, científica e cultural, já em desuso, que data dos anos 80. Mas os dois governos, de Angola e do Egipto, trabalham para a assinatura de um novo acordo, que julgamos vir a responder às exigências do actual contexto político-diplomático, económico e cultural.

O Egipto é um país que aposta muito nos sectores da Agricultura e do Turismo. O que está a ser feito junto da embaixada para que Angola possa beneficiar do “Know How” dos investidores egípcios destes dois segmentos da economia?
Pensamos que com o novo acordo, os sectores do Turismo e da Agricultura terão respaldo jurídico para melhor interagirem e daí tirarmos o melhor proveito do potencial que estes ramos do sector económico do Egipto possuem. Entretanto, temos a certeza que tudo será feito para
que tal conteça.

Tem existido interesse por parte de “grandes” empresários egípcios em investirem na nossa economia?
Sim, existem muitos empresários egípcios interessados em investir em Angola. A empresa Elsewedy, por exemplo, já investiu 500 milhões de dólares no sector da energia aplicados, maioritariamente, na estação de energia eléctrica, isto no Morro Bento, e já em funcionamento. A “Árab Contrators”, uma empresa de Obras Públicas, com créditos firmados em mais de 30 países africanos, está interessada em expandir os seus investimentos no nosso país, na construção e reabilitação de aeroportos, estradas, pontes, habitações e barragens. No entanto, as várias tentativas feitas, neste sentido, não surtiram os efeitos desejados.
A embaixada tem promovido conferências económicas que visam atrair investidores para Angola?
Vários Fóruns têm sido realizados nos dois países, como o Fórum Económico “África”, que o Egipto organiza anualmente, na cidade de Sharm El-Sheikh, o da Câmara de Comércio e indústria do Egipto, em que os homólogos angolanos têm participado com regularidade e já no sentido inverso,a FILDA, em Angola.

Além do Egipto é também embaixador não residente em alguns países que fazem parte do Médio Oriente, como a Jordânia, Arábia Saudita, Líbano, Síria, Koweit, Iraque, Irão e outros. O que está a ser feito junto desses países para o relançamento da cooperação económica?
Na realidade, sou embaixador acreditado no Egipto, e na condição de não residente na Síria, no Líbano, na Líbia, Iémen, Jordânia e no Iraque. Porém, as autoridades máximas destes países, em tempo oportuno, manifestaram o interesse de incrementarem a cooperação económica com Angola, mas ainda há muito trabalho a fazer no quadro jurídico para que tal possa acontecer.

Informação sobre Angola
é já um facto

Em que sectores Angola pode aproveitar desses países para alavancar a nossa economia?
Todos os países sob a nossa área de jurisdição manifestaram o interesse em estreitar laços de cooperação connosco.
A missão diplomática que dirijo defende e incentiva a ampliação da cooperação “Sul-Sul” para que possamos crescer e criarmos um futuro melhor para o nosso continente. Tudo faremos para que um dia isto venha acontecer de facto.

Como os governos e investidores desses países, incluindo o Egipto, como encaram a actual lei de investimento privado em Angola?
É bem recebida pelas informações que temos estado a transmitir e consideram a nossa lei de investimento privado atractiva e estão com muita expectativa de encontrarem oportunidades de negócios em Angola.

O Ministério das Relações Exteriores de Angola criou uma nova Direcção de Cooperação Económica Internacional. Que benefícios vão trazer para o país?
Aplaudimos a decisão da criação da Direcção de Cooperação Económica Internacional e estamos disponíveis em cooperar, no que estiver ao nosso alcance. Julgamos que esta direcção poderá jogar um papel importante na interação e articulação com as nossas missões diplomáticas e organizações internacionais que connosco cooperaram.

O Presidente da República nas suas mensagens tem apelado ao investimento estrangeiro. Tem chegado aos ouvidos dos governos desses países?
Temos informado as autoridades egípcias e de outras o que se passa no nosso país nas áreas de interesse comum e, neste quadro, temos vindo a informá-los sobre o novo pensamento político-económico do Executivo angolano liderado pelo presidente João Lourenço e que visa, não só, o desenvolvimento económico sustentável de Angola, mas também, como o único garante da independência económica.