Chibia é o segundo município mais populoso da província da Huíla, seguido pela capital da provincial, Lubango. Tem 181.431 habitantes. É rico em recursos minerais, com destaque para o granito negro. Situado a 42 quilómetros a leste da cidade do Lubango, Chibia regista avanços significativos no crescimento económico e social. Em entrevista ao Jornal de Economia & Finanças, a administradora municipal, Otília Noloti, destacou o contributo das empresas exploradoras dos minerais, na área social.

Que desenvolvimento se assiste actualmente no município da Chibia?
O município da Chibia é um dos catorze municípios que conformam a província da Huíla. Está localizado a 42 quilómetros a Sul da cidade do Lubango, capital da província, e é limitado a Norte pelo município do Lubango, a Sul pelo município dos Gambos, a Este pelo Quipungo e a Oeste pelos municípios da Humpata e Virei (província do Namibe). Possui uma superfície de 5.281,26 km² e compreende administrativamente quatro comunas, nomeadamente: a comuna Sede, da Capunda- Cavilongo, Quihita e Jau. Felizmente temos a dizer que Chibia é um município em crescimento. O estado de desenvolvimento é a meta a atingir. Estamos felizes em estar a cumprir com quilo que é o programa gizado, com a implementação das carreteiras de projectos criado em cada ano económico.

Chibia é também rico em recursos naturais, onde se destaca o granito negro. Quantas empresas operam na região?
Actualmente contamos com uma média de 17 empresas, todas localizadas, maioritariamente nas comunas, com destaque para Capunda Cavilongo e Quihita. Na comuna sede da Chibia também temos empresas a explorar o granito negro. Jau é a comuna que tem menor número de empresas a exploração este recurso natural.

Existem muitas reservas de granito no município?
Além do granito negro, a Chibia também é rica em gado bovino, caprino e suíno. É também rico em recursos hídricos, que permitem efectuar uma agricultura intensiva e extensiva.

Quais são as áreas onde são explorados com maior intensidade o granito negro?
Maioritariamente na comuna da Capunda Cavilongo, especificamente na localidade de Tchikuatiti e a seguir na área do Mpondo, comuna sede.

Qual é o contributo que as empresas que exploram o granito negro têm dado na vertente social?
De forma geral, o que tem sido a presença destas empresas, está sustentada pela parceria criada com a direcção Nacional da Geologia e Minas. Mas fruto das parcerias que conseguimos conquistar junto destas empresas, temos a destacar que o trabalho que é desenvolvido junto delas, tem resultado no apoio, socialmente às áreas sociais, com a construção de escolas, aberturas de furos de água. Há outras acções que sociais, que as populações recorrem a estas empresas, como são o caso da transportação de pessoas e bens. Temos a reconhecer que as empresas, apesar das limitações, têm dado um contributo muito valioso para o bem-estar social das populações. Muitos jovens encontrar emprego nas empresas que exploram granito negro, o que está a contribuir também, de forma positiva na melhoria da qualidade de vida das suas famílias. Temos agradecer que foram formados muitos quadros do município na província e não só, em materiais ligadas em recursos minerais.

O perímetro irrigado das Ganjelas é um potencial do município da Chibia. Em que passo está da instalação da mini-hidrica?
O projecto é da iniciativa do Executivo, que tem como mentor principal, os Ministérios da Agricultura, Energia e Água, Planeamento e das Finanças. É um passo de destaque. As obras já terminaram, neste momento falta apenas o ensaio da mini-hidrica, instalada com sucesso. Está a se prever para ainda no decorrer deste mês, fazer o ensaio do projecto, que vai proporcionar grandes ganhos para o município.

Qual é o ganho que a mini-hidrica trará para o município?
Logicamente que é um ganho a considerar, já que o objectivo principal é o apoio à actividade agrícola, com o processo de irrigação. A mini-hidrica tem uma capacidade de 1,5 megawats. Vai também fornecer energia ao município. O ganho, vai permitir ter alternativas no fornecimento de energia eléctrica à sede municipal e bairros periféricos. Actualmente o município é iluminado com energia eléctrica da barragem hidrográfica da Matala, 200 quilómetros a leste da cidade do Lubango. Com o ganho, vamos ter mais alternativas. A energia eléctrica é um bem essencial para o desenvolvimento económico de qualquer país. Dela resulta o funcionamento de industriais e não só. Com a efectivação do programa, o município vai dar um passo significativo, com vista ao seu crescimento e desenvolvimento.

A barragem das Gangelas é um potencial em termos de produção agrícola. Na qualidade de administradora municipal, está satisfeita com os níveis das produções e colheitas que são feitas?
Temos a destacar que a produção ao longo do perímetro irrigado das Gangelas tem sido média, precisamente mesmo por causa da falta de água, principalmente na época seca. Olhando para o que foram as quedas pluviometricas nos últimos anos, não garantiram boa irrigação. Porem, na época chuvosa os resultados são positivos.

Sabe-se que está em curso um projecto de expansão do perímetro irrigado das Gangelas. Uma das dificuldades que se encontra é o aglomerado populacional. E que pé está o projecto?
Este projecto já encontrou um tratamento adequado, sobre orientação do governo provincial da Huíla, liderado pelo governador João Marcelino Tyipinge, em que ao invés de se ensaiar aquilo que foi a primeira fase, onde foram desalojadas as comunidades encontradas, a nova orientação que temos, é que devemos lotear as áreas, para depois, aquele que for encontrado beneficie também de áreas, que lhe compete, obedecendo apenas aquilo que for os critérios da requalificação do espaço.

Qual é o contributo que o perímetro está a dar no grande programa do Executivo de Combate à Fome e à Pobreza?
Há resultados bons, por intermédio da produção. Muitas fruteiras plantadas já estão a dar frutas diversas, como manga, laranja, entre outras. São cultivadas anualmente grandes extensões de batata rena e doce. Estes resultados, numa primeira fase concorrem já para minimizar aquilo que são as dificuldades internas no seio das famílias, concretamente o combate à fome e dizer também que já registamos excedentes, que os produtores vendem.

Chibia é também um município agro-pecuário. Há acções reais nesta vertente?
Sim. Temos a destacar a presença em massa de gado bovino, caprino, suíno e mesmo avícola. Esta é a base do desenvolvimento económico das nossas comunidades. A prioridade para o povo é a criação, acompanhamento, controlo e gestão do seu gado. Isso tem sido um facto.

Existe no município um mercado paralelo muito forte em termos de comercialização do gado bovino e não só. Estimativa, quantas cabeças são vendidas diariamente e abatidas naquele local?
Temos a dizer que olhando para aquilo que é o desenvolvimento económico da Chibia, temos outros espaços e paragens, em que muitas das vezes o gado é comprado antes de chegar à Chibia, mas por tradição nunca deixam de chegar ao município e temos a registar uma média diária de 20 a 30 cabeças, que são vendidas e nunca menos de 10 que são abatidas. A nossa luta actualmente é melhorar a qualidade dos serviços, principalmente no que tange ao abate. Já construímos infra-estruturas de suporte básico, concretamente um matadouro que ainda chamamos de rústico, para ajudar a melhorar naquilo que são os serviços eficientes do tratamento, sobretudo do abate dos animais para o consumo humano.
Temos a sorte porque no trabalho que é desenvolvido está sempre presentes os técnicos do sector da veterinária, do Ministério da Agricultura, para não só inspeccionar a carne, mas também para inspeccionar qual deve ser o serviço de qualidade a prestar.

Há muitos casos de roubo e furto de gado no município?
Esses casos têm estado a diminuir, graças ao trabalho que tem sido desenvolvido pela Administração Municipal local em conjunto com as autoridades tradicionais e polícia nacional, na sensibilização de populares sobre a contenção de casos de roubo de gado.

Sendo o município da Chibia o segundo mais popular da província da Huíla, seguido pelo Lubango, isso faz aumentar as responsabilidades na sua administração?
Aumenta sim e somos felizes em dizer que para podermos pôr na pratica ou materializar aquilo que são as orientações superiormente gizadas pelo Chefe do Executivo e Presidente da Republica, José Eduardo dos Santos, na implementação dos diferentes programas, concretamente o de Combate à Fome e à Pobreza, os Programa de Cuidados Primários de Saúde, de campanha agrícola e da merenda escolar, nós somos felizes de dizer que temos recebido apoios satisfatórios mercê a densidade populacional da Chibia, restando apenas do nosso lado, continuar a encontrar soluções aos programas factíveis que possam concorrer e dar resposta naquilo que é o objectivo do Executivo e a meta atingir com a implementação destes programas.

Ao falar do programa de combate à fome e à pobreza, quando se fala da sua implementação, qual é a avaliação que faz do ano passado?
A avaliação é bastante positiva. Tudo que foi traçado como carteiras de projectos conheceram a sua execução, embora alguns por terminar em menor numero.

Quais foram as acções realizadas?
A implementação dos programas obedecem pilares, superiormente orientados, na área social, económica, do desenvolvimento sustentável. O município pretende desafiar o seu desenvolvimento. Sustentável. Já lançamos este programa ao Conselho de Concertação e já foi aprovado. Ainda mais com a feliz sorte que temos da parceria já conquistada com a direcção nacional do Fundo de Apoio Social (FAS), os programas têm sido bem implementados, acompanhados e avaliados. Temos a grande satisfação de ter já acções implementadas a partir do ano 2003, com o acompanhamento e parceria do FAS, que continua. Já fizemos a avaliar daquilo que foi o perfil inicial da Chibia, implementados as acções na fase I e II, e agora está em curso a implementação da fase III do FAS.

A rede viária satisfaz, tendo em conta que o município é atravessado por um município que liga Angola Namíbia e África do Sul?
Quando a esta via, está em estado de conservação e requalificação agradável. Temos também alguns troços para as comunas já em bom estado de conservação, embora muitos pequenos troços inter-comunais e intersectoriais, ainda carecem de alguma intervenção. O que temos a destacar é o facto de que o trabalho que temos levado acabo, através dos equipamentos modernos adquiridos pela Administração, com fundos do Programa de Investimentos Públicos (PIP) do governo provincial da Huíla, os munícipes têm correspondido positivamente. Temos feitos intervenções em troços de formas a facilidade a circulação e transportação de pessoas e bens de forma mais fluida.

A rede bancária satisfaz as necessidades locais?
Temos défice, porque temos apenas o Banco de Fomento Angola (BFA) a funcionar plenamente. Estamos a criar condições juntos das direcções de outras agências para a colocação de outras agências bancária, por formas a facilitar aos funcionários públicos, empresários e população, a efectuarem o levantamento de salários e efectuarem outras transacções bancárias. A acção tem o respaldo do governo provincial e de direcções bancárias, para se criar condições necessárias para a efectivação dos objectivos traçados, de conquistar a presença de outras agências bancárias a nível dos outros municípios, sobretudo do Banco de Poupança e Credito (BPC) que regista muita procura, não só dos funcionários, assim como dos empreendedores locais.

O abastecimento do combustível é estável?
É estável. Traçamos um programa interno de gestão dos combustíveis a nível do município, e não temos tido problemas nesta natureza.

Para este ano, qual é a gestão a efectuar?
Sabemos que com a queda do preço do barril do petróleo no mercado internacional, o país vai registar uma fase difícil, conforme fez referência o Presidente da Republica, a quando da mensagem de fim de ano, dirigida à Nação. Para nós, a nível da Chibia, vamos procurar efectuar gastos de forma cuidadosa. Alias, vamos procurar também criar mais rendimento com recursos, sobre tudo ao sector da agricultura. O Orçamento vai nos servir de base para criar outras alternativas, para criar uma renda aceitável. Vamos procurar diversificar a economia, primando por outros sectores.

Em que pé está o projecto da instalação do Programa de Aquisição dos Produtos do Campo (Papagro)?
A acção está em curso. As obras já terminaram e resta apenas a inauguração para o arranque deste programa localmente, que vai permitir com que os produtos do campo deixem de se deteriorar no campo.

Fomento habitacional…
Este é um programa em curso e de forma satisfatória temos a sublinhar que há três anos, no domínio do programa “Jovem”, do Ministério da Juventude e Desporto, foram construídas 40 casas, já sorteadas e entregues aos proprietários. No domínio dos 200 fogos por município, também já temos 40 casas erguidas e que estão na fase terminal.