O empreendedor brasileiro Marcelo Ostia criou um negócio bem sucedido de venda de camisolas na internet com apenas 300 reais (10.850 kwanzas); hoje, factura mais de um milhão (36 milhões de kwanzas) e faz muito sucesso com uma rede de franquias online designada as “Camisetas da Hora”. A rede já possui 103 franqueados e prepara-se para continuar a crescer, inclusive em mercados novos. Em entrevista exclusiva ao JE, não descartou a possibilidade de iniciar projectos de franquia em Angola, bastando que para tal haja empreendedores interessados em experimentar o negócio de venda de camisetas (camisolas ou t-shirt) personalizadas na internet.

Como começou a sua história como empreendedor até alcançar o sucesso pelo qual é conhecido hoje? Como descobriu a sua vocação empreendedora, ou seja, como e por que teve certeza de que vender camisetas (camisolas) seria o negócio que lhe daria prosperidade e sucesso?
A minha história com camisetas estampadas começou quando ainda era criança. Ganhei uma camiseta do Batman estampada com o meu nome. Naquela época, não entendia como o processo de personalização funcionava. Eu queria saber como o Batman tinha feito para escrever o meu nome na camiseta. A minha vocação empreendedora apareceu ainda pequeno: vendia jornais para poder ter dinheiro para comprar doces e outras coisas, oferecia o jornal do dia para que as pessoas se pudessem informar e no dia seguinte recolhia os jornais e vendia-os às casas que usavam o material para embrulhar as compras. Com 18 anos, estava a trabalhar numa multinacional e perdi o meu emprego. Depois dessa frustração, resolvi montar o meu próprio negócio e, como já gostava do segmento de camisetas, fui aprender como as estampas eram feitas. Fundei a “Camisetas da Hora” em 2005, com apenas R$ 300,00. Um e-commerce de camisetas personalizadas que criou um sistema de franquias online em 2011, sendo umas das primeiras empresas do Brasil a trabalhar com este formato de negócio. Hoje, o grupo de franqueados da marca agrega 103 empresários que reúnem 250 mil acessos mensais nas suas lojas virtuais.

Que lições você aprendeu e procura transmitir àqueles que ainda buscam a sua vocação ou sonho?
A vida do empreendedor na maioria das vezes é solitária, é cheia de desafios e erros. Nós precisamos de aceitar que todos os erros são provocados por nós mesmos e não, os terceirizar. Quando você aceita que está disposto a errar, lógico que tentando acertar, consegue superar os seus desafios de forma mais rápida.

Como surgiu a ideia da microfranquia e que dificuldades teve de ultrapassar até descobrir o seu actual modelo de negócios?
Dediquei a minha carreira a pesquisar o comércio electrônico, formas de conversão, performance, comportamento do consumidor online. A ideia de criar as franquias online foi natural. Vendíamos camisetas na rede social Orkut, que ficou muito famosa no Brasil. Depois, quando essa plataforma começou a perder força no país, criámos um modelo de catálogo para vender na internet. Desse catálogo, surgiu a primeira pessoa interessada em ter uma loja; virtual pronta e própria. Resolvemos padronizar o modelo de negócios para conseguir agilizar o processo de atendimento e a entrega dessas lojas; então, surgiu o modelo de franquia online.

Que fracassos viveu antes de alcançar o tão almejado sucesso?
A falta de experiência como franqueador. Então... formatar um modelo como funciona uma franquia física e trazer para o modelo online, lógico que com algumas condições melhores. Por exemplo, o facto de o franqueado não precisar de ter stock.

Já pensou em expandir a microfranquia para mercados fora do Brasil, a começar por Angola, por exemplo, considerando o facto de falar português e a proximidade cultural?
Sim, já pensei em expandir para outros países. Podemos começar por Angola, ou outros países. Porém, para levar a “Camisetas da Hora” para outros países, precisaríamos de investidores estrangeiros, que conhecessem o mercado local. Se algum investidor de Angola estiver disposto a levar o nosso modelo de negócios, terei o maior prazer em ajudar a formatar e a implantá-lo no país.

O que fazer para ser franqueado fora do mercado brasileiro?
O franqueado pode sim estar fora do mercado brasileiro, desde que ele consiga atender o público. Ele pode estar fora do Brasil e vender para o Brasil, pois a gente vai produzir a camiseta e entregar na casa do cliente. O cliente também pode estar fora do país, desde que esteja numa região em que seja possível ao correio entregar. Neste caso, temos apenas que fazer o cálculo do frete.

Para si, o que representa o empreendedorismo?
O acto de servir. O empreendedor está disposto a servir sempre, a ajudar sempre o próximo, independente do tamanho da recompensa. Ela virá. Quanto melhor ele fizer, maior ela será.

Que conselho daria às pessoas que querem empreender mas têm medo de largar o emprego?
O meu conselho é: comece a empreender mesmo estando empregado. No momento em que estiver em condições, segurança financeira e margem, deixe o emprego para se dedicar ao negócio com que sonhou. Nada impede também que a pessoa seja empreendedora dentro do próprio emprego, você pode não ser mais um e, sim, mostrar trabalho.

Como é que a “Camisetas da Hora“ evoluiu em termos de facturação? Qual o volume de vendas e de facturação anual de hoje comparativamente ao primeiro ano de actividade?
Começámos com 300 reais de investimento e hoje facturamos pouco mais de 1 milhão por ano. Hoje, vendemos uma média de 10 mil
camisetas por mês.

O negócio é lucrativo para franqueados?
É um negócio lucrativo sim para os franqueados, desde que ele siga as instruções
que oferecemos.