Decorreu de 2 a 6 deste mês, na cidade do Lubango, província da Huíla, a XX conferência anual do subcomité de tecnologias de informação e comunicação dos bancos centrais da SADC (CCBG), que dentre vários assuntos abordou temas como a “governação de tecnologias de informação”, “continuidade de negócios”, “gestão das alterações e dos riscos operacionais” e “gestão da qualidade”. Em entrevista ao JE, à margem do certame, o director de tecnologia de informação do Banco Nacional de Angola (BNA), Fernando Quima, disse que os resultados são positivos.

O que se espera com a realização da conferência em Angola,particularmente na cidade do Lubango, província da Huíla?
Realizámos no Lubango, província da Huíla, a XX conferência anual das áreas de tecnologia e informação da SADC. Como sabe, as nossas regiões estão em franco desenvolvimento e as tecnologias têm que suportar as necessidades da economia de cada um dos países. Neste contexto, há desafios comuns, que atendem aquilo que são as directrizes também comuns dos países, bem como algumas questões mais específicas de cada país. Naquilo que podemos partilhar das experiências individuais do banco e daqueles que são os projectos comuns a nível da região, estão os resultados dessa conferência que visam apoiar todo o esforço, uns vão mais à frente e outros mais atrás, mas é a dinamização desse esforço e temos aqui, de facto, a nossa região a trabalhar dentro dos melhores padrões internacionais.

Quais são esses projectos comuns dentro dos países da região, conforme referiu?
Temos os aspectos que têm a ver com a forma como nós governamos as tecnologias, como os bancos vão adoptando e o apoios às iniciativas de desenvolvimento que têm ligado com as tarefas a nível de cada um dos mercados nacionais e também a segurança, qualidade da própria informação. Sabe-se que hoje as economias são suportadas grandemente com a informação, postada via on-line que tem que ter a garantia de que é tratada de maneira adequada.

O alinhamento dos negócios é fundamental às matérias ligadas às tecnologias de informação. Qual é a avaliação que faz neste aspecto entre Angola e outros países membros da SADC?
Podemos dizer que estamos bem. Nós não podemos viver sem que estejamos alinhados aos negócios, as funções que as nossas empresas e bancos realizam, porque as tecnologias não são adoptadas por elas serem modernas. Elas têm que servir o objectivo e as actividades das nossas instituições; guiam a adopção das tecnologias, ou seja, as tecnologias têm que suportar o negocio ou as actividades dos nossos bancos e dos nossos mercados e serem adoptadas de modo adequado e racionalizado, tendo em conta que estes investimentos têm que ter benefícios. Nem sempre temos lucros; por se tratar de bancos centrais não visam lucros, mas têm benefícios para a economia. Portanto, as tecnologias estão ao serviço de toda a actividade da economia e dos bancos centrais em particular.

Essa cooperação mostra-se cada vez mais necessária?
Sim. Como vê, esse fórum é anual e surge da necessidade de acompanharmos a dinâmica na evolução das tecnologias, nas necessidades de maior segurança e na troca de informação entre os países ou mesmo instituições. Daí que, essa base é cada vez mais dinâmica e temos que a acompanhar. Anualmente, são avaliadas experiências que muitos países podem adoptar, mas sempre adequando à sua realidade. Há padrões comuns, mas nem sempre servem. Portanto, aqui não há factos já pré-fabricados, mas cada um em função do leque de experiências colhidas pode fazer os factos à sua medida.

A capacitação dos quadros é um elemento fundamental para o contínuo desenvolvimento de acções. Há acções nesta vertente?
Esta é uma vertente abordada neste fórum. Portanto, os nossos técnicos também têm beneficiado de formação que é determinada a nível da região que é promovida. Os países mais experientes em alguma matéria vão promovendo estes fóruns e aqueles que também têm técnicos especializados em alguma matéria também se oferecem para dar formação, mediante workshops, seminários e outras actividades. Mesmo ao longo do fórum, são transmitidas algumas experiências de cada banco que servem de alinhamento aos mecanismos de formação. Como sabe, a nossa população é bastante jovem, as nossas faculdades não formam as pessoas com especialização, os bancos centrais são o único em cada país e o reforço da formação nessa área adaptando aquilo que são as bases que os nossos engenheiros em particular e aqueles que são analistas de negócios têm; nós também dedicamos muita atenção à formação.

Para melhor compreensão é necessário o domínio da língua. Como estamos, sobretudo para Angola que tem o português como língua oficial, em detrimento de outros de expressão oficial Inglesa?
Dos países da região, cerca de 14 participam neste fórum, só Angola e Moçambique são de língua oficial portuguesa. Temos estado a caminhar também no sentido de formação em língua inglesa que é uma das línguas de trabalho. A língua portuguesa também é considerada como língua de trabalho, mas ainda não é suficientemente utilizada. Mas há esforços no sentido de capacitar os nossos quadros para responderem a essa necessidade.

Há algo a dizer sobre as estratégias de construção de fontes de armazenamento, tratamento e disponibilização de informação nessa conferência?
Este é um dos assuntos principais que nós tratamos. Portanto, como sabe, diariamente, os mercados produzem informação e as mesmas têm que ser tratadas da melhor forma possível e também disponibilizadas sempre que necessário a quem compete ser disponibilizada. As de tecnologias dão suporte às áreas de negócio dos bancos que tratam directamente de informação e nós apoiamos e disponibilizamos os meios para que essa informação seja tratada de modo adequado.

O que se espera com a eleição da nova presidência à conferência?
A presidência dessa conferência é exercida pelo Banco de Moçambique e tem na sua presença o da Tanzânia. Nós assistimos à retirada do anterior director de tecnologia de informação do Banco de Moçambique e em contrapartida o novo director assumiu essa função. A nível da região do comité de governadores dos bancos centrais da SADC, foi determinado que essa função se mantenha ainda no Banco de Moçambique que já assumiu e está
a presidir os trabalhos.

Qual é a expectativa dos membros de Moçambique ao assumirem essa responsabilidade?
Continuar a desenvolver e a dinamizar esforços, buscando a participação de todos, o que é importante, porque esta é uma comunidade e cada um tem uma palavra a dizer. Os demais países têm experiência e Moçambique está a liderar este movimento, com a responsabilidade de congregar os esforços. Mas cada um dos participantes é chamado a partilhar as suas experiências e a dar o seu melhor, para que os esforços regionais sejam levados a bom porto.

Uma vez que Angola é um país com muita experiência em várias
vertentes, o suporte é fundamental para que Moçambique possa levar a bom porto essa responsabilidade?
Sim. Nós participamos na medida das nossas possibilidades e das nossas perspectivas. Temos orientações superiores que são cumpridas e dentro delas a área das tecnologias tem uma missão a cumprir. Nisso, temos dado também a nossa contribuição.

Qual é a avaliação da participação dos membros nesta conferência?
A participação é muito boa. Conseguimos tratar daquilo que foi o balanço do ano anterior, conseguimos olhar para as perspectivas em termos de melhor elaboração das estratégias de tecnologias no suporte de negócio, porque é aqui fundamental que não se adoptem tecnologias simplesmente por adoptar, mas sim deve-se respeitar aquilo que são as directrizes daquilo que os bancos têm de seguir. Os debates foram de bastante discussão, e pode-se colher frutos, pois, estão a ser indicadas algumas acções que devemos fazer no futuro.

Quais são os pontos positivos colhidos do balanço feito?
Do balanço feito, é com satisfação que constatamos que algumas das decisões já estão a ser concretizadas, embora com níveis de cumprimento diferentes. Os bancos puderam já apresentar aquilo que são o cumprimento das recomendações, nomeadamente na melhoria e adequação dos sistemas de gestão de tecnologias de informação.