A Baronesa do Reino Unido, Lindsay Northover, considerou as relações comAngola como excelentes, sobretudo no domínio comercial, o que fez com que visitasse pela 10ª vez o nosso país.

Se estamos bem recordados, a Baronesa esteve em Angola o ano passado. É a segunda vez consecutiva que visita o nosso país...
Risos! É a décima vez que visito Angola, pois é um país que mantém relações comerciais privilegiadas com o Reino Unido, mormente no sector comercial, que constitui o meu foco, enquanto enviada da Primeira Ministra do Reino Unido para o Comércio com Angola e Zâmbia.

Depois de visitar Angola dez vezes, que avaliação faz do país no cômputo geral?

Estamos diante de um país, que soma e segue principalmente com as novas medidas em curso desde a ascensão do novo presidente da República, João Lourenço, traduzidas no combate à corrupção, reforço da capacidade das instituições do Estado, a mobilização do investimento estrangeiro para o mercado angolano. Estas iniciativas estão a mobilizar o interesse dos investidores estrangeiros para o mercado angolano como é o caso do Reino Unido, que vem a registar um crescente interesse de vários empresários em conhecer as condições de investimento do país.

Como avalia as relações entre os dois países?

As relações entre os dois países são boas, pois estamos de mão dadas há bastante tempo, em diferentes sectores e acreditamos que o futuro será cada vez melhor para os dois países.

Que projectos o Reino Unido está a desenvolver no mercado angolano no domínio Comercial, que constitui o principal foco da Baronesa?

As relações entre os dois países sempre tiveram predominância no ramo petrolífero. Contudo, desde 2016,o Reino Unido tem vindo a apostar em outros segmentos de negócios com destaque para a energia, indústria, agricultura e infra-estruturas, tendo já um nicho de mercado considerável, através das empresas britânicas a operarem no mercado angolano.

Pode citar alguns projectos concretos apoiados pelo Reino Unido nos segmentos que faz referência?

A Agência do Reino Unido para o crédito à exportação (UKEF – UK Export Finance ) aprovou em 2016 uma linha de crédito avaliada em 750 milhões de Libras Esterlinas, para apoiar a construção da barragem do Laúca na província de Malanje através da empresa Escocesa IQA, do Grupo Elecnor. Além da barragem de Laúca, a verba vai servir igualmente para impulsionar a requalificação do hospital de oncologia em Luanda, assim como o hospital provincial de Cabinda.

Qual é o grau de execução desta linha de crédito?

As informações que temos em posse apontam que já foram utilizados 450 milhões de Libras Esterlinas para financiar a barragem do Laúca, assim como o hospital de Hematologia Pediátrica, o Hospital Materno Infantil ambos na província de Luanda e uma parte significativa das obras no hospital Geral da província de Cabinda, pelo que, resta uma boa cifra para investir em outros segmentos de negócio.
Existe algum interesse de empresários britânicos em investir no mercado angolano?

Sim! As mudanças em curso no país estão a despertar o interesse de investidores estrangeiros para o mercado angolano. É o caso da conexão da bolsa de valores angolana e a bolsa de valores de Londres - London Stock Exchange, cujos peritos visitaram Angola nos últimos dias. O que nos leva a crer, que vai mobilizar empresários britânicos para o mercado angolano nos próximos tempos. Os investidores estão a acompanhar os indicadores em termos de melhoria no ambiente de negócios em Angola, o que pode vir a mobilizar investimentos nos diferentes sectores da economia nacional.

O que trás na manga nesta visita?

Nesta visita o objectivo é interagir com algumas instituições que podem jogar um papel preponderante na mobilização do investimento britânico para o mercado angolano, nomeadamente o Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE) e a Bolsa de Valores de Angola (BODIVA). Vamos acompanhar o processo de privatização de algumas empresas angolanas na bolsa, pois temos interesse nos sectores da agricultura e transporte de energia eléctrica.

De que formas deve privilegiar Angola na cooperação com o Reino Unido de modo a aproveitar a parceria mútua entre os dois países?
Sou de opinião que Angola deve investir mais na educação e na capacitação técnico-profissional dos seus quadros. De seguida apostar na língua inglesa, pois hoje tornou-se uma língua comercial. O Reino Unido quer apoiar o Governo angolano neste sentido, razão pela qual iniciamos esta semana acções informativas, explicando que a International House irá
firmar uma parceria com alguns Ministérios para que se possam formar formadores em língua Inglesa com a meta de capacitar interessados em melhorar o seu nível de conhecimentos em inglês.

satisfeitos com formação 

para impulsionar o ensino da língua inglesa em Angola?

Sim. A “internacional house” já trabalha neste segmento há algum tempo e temos vindo a verificar que, o interesse dos angolanos em aprender o inglês cresce a cada dia. Além desta instituição existe igualmente o British Council habilitado para dar formação a nível de inglês.

Existem outros projectos de cooperação entre os dois países no sector da educação para melhorar os índices de desenvolvimento humano em Angola?

Acolhemos com muita satisfação o interesse do Governo angolano em formar 300 jovens angolanos em universidades internacionais nas mais variadas especialidades. Sendo que, temos mantido conversações com o Executivo, no sentido de auxiliar nesta propensão de Angola. Destacamos os estudantes angolanos que estão a ser formados na Royal Agriculture University na especialidade de agricultura, financiados pela Unitel. Assim como os angolanos que estão a ser formados em negócios na Oxford Business School,  financiados pelas bolsas EY. Existem igualmente as Bolsas Chevening, as bolsas de Mestrado financiadas pelo Governo do Reino Unido,  as quais serão cedidas a 19 angolanos para a temporada de 2019-2020.

Que parcerias empresariais existem entre Angola e o Reino Unido?

Além das parciais acima referidas, a BP rubricou recentemente um acordo de cooperação no sector petrolífero. O Reino Unido conta igualmente com a parceria entre a empresa Britânica de bebidas e bens alimentícios DIAGEO com a empresa angolana Refriango, esta parceria denomina-se DIFER. Segue-se a Vodafone, que rubricou acordos de parceria de negócios com a Movicel. A nossa meta é tornar Angola um dos principais centros de distribuição da mercadoria para a África Subshariana.

Além do petróleo que produtos o Reino Unido pode comprar em Angola?

O Reino Unido está interessado em importar principalmente produtos do sector agrícola como o café ou algodão, algo que o Reino Unido não pode plantar devido ao clima.

Numa visão pessoal o que Angola deveria fazer para mudar o actual quadro económico?

Sou de opinião que Angola deve apostar sobretudo na educação e saúde, pois a educação gera desenvolvimento e a saúde um factor de estabilidade social. Com o actual quadro em termos de capital humano, Angola pode facilmente alcançar o desenvolvimento, se apostar efectivamente na sua juventude. Angola pode espelhar-se no crescimento económico registado no Quénia, que investiu na moeda electrónica para facilitar as transacções comerciais até nas zonas mais recônditas. Esta implementação que teve o apoio do DFID – Departamento para o Desenvolvimento Internacional do Reino Unido. Este modelo pode ajudar o país a desbloquear as transacções e dinamizar a economia nacional.

A introdução desta moeda teve o apoio do Governo Britânico?

Sim. O projecto teve apoio directo do DFID, mais propriamente do CDC – uma área responsável pelo desenvolvimento de instituições financeiras. Inicialmente ninguém previu o impacto deste projecto a nível nacional. Hoje constitui um projecto pioneiro em todo o continente, na introdução da moeda electrónica com muito sucesso. Que desenvolveu a área de tecnologia através da conexão de satélite no Norte de África.