Os imensos recursos naturais que possui torna a Jamba num município de prestígio. Em diversas localidades existem cordilheiras de depósito de ferro e ouro. O administrador municipal, Miguel Kassela, disse em entrevista ao Jornal de Economia & Finanças, que o potencial em riqueza mineral e agrícola existente é um indicativo do quanto a localidade pode contribuir para o bem-estar das famílias e ao crescimento nacional.

Jornal de Economia & Finanças: Pode-se já considerar este município como estável sob o ponto de vista económico?
O município da Jamba está a dar os seus passos. Depois de conseguida a paz, em 2002, as populações que tinham abandonado a região foram regressando e fazem o seu reassentamento efectivo. Hoje temos cada vez mais aldeias e muita gente a regressar. A cidade da Jamba e as comunas do Dongo e Tchamutete também estão a conhecer crescimento nos mais variados sectores. Jamba é um município potencialmente rico em ferro. A existência desses recursos orgulha os habitantes do município. Devo lembrar que está situado a 315 quilómetros a Leste da cidade do Lubango e faz fronteira com as localidades do Cuvango, Chipindo, Matala, Chicomba (Huíla) e Cuvelai, (Cunene). É uma região rica em ferro.

Além do ferro, existem outros recursos valiosos?
Além desses recursos minerais (ouro e ferro), a Jamba, com uma superfície territorial de 12.700 km2, tem recursos hídricos elevados, na bacia hidrográfica do rio Coluí, que atravessa o território do município. Tem ainda água suficiente para garantir a produção agro-pecuária e industrial em grande escala.

Caso seja efectivada a exploração do ferro e ouro, quais são os benefícios para o município?
A experiência do passado diz-nos que quando retomar a exploração do ferro e ouro, a economia do município e do país vai crescer. Vamos ter como beneficiários directos, os trabalhadores, que estarão nas empresas de exploração desses recursos. Os beneficiários indirectos são muitos. O projecto abrange as famílias e populações de uma forma geral. É do domínio público, ter decorrido no município a fase de prospecção. Tivemos uma fase de prospecção e pesquisa do ouro que proporcionou a criação de condições necessárias para um projecto desta dimensão. Desde o ano passado, as acções diminuíram o seu ritmo e aguardamos a qualquer momento da decisão superior para as fases seguintes. Estamos todos esperançosos.

Houve transformações na vida do município durante o período de prospecção?
De 2010 a 2013, muita coisa mudou no município. Graças ao projecto de ferro e ouro houve muitas acções que permitiram fazer investimentos iniciais. Foram recuperadas infra-estruturas, tais como o laboratório de ferro, espaços de acomodação do pessoal, construção de dez casas para os técnicos. O parque de máquinas foi reforçado, para intervir na área. Foram instalados grupos geradores, um dos quais de 90 kva que fornece luz à administração municipal. Foi construído e está em funcionamento o centro de formação profissional, com dez salas de aula e quatro laboratórios. Ergueu-se uma casa para acomodar os alunos oriundos de outras localidades. A recuperação das estradas que ligam a sede da Jamba à Tchamutete, mina de Caturuca, Mucesse e Indungo e a que liga a sede municipal à Kassela e Ngossi. Criou-se uma fazenda com mais de 30 hectares, para beneficiar as comunidades próximas. Foi criada uma cooperativa, onde integram membros da comunidade local. A asfaltagem da estrada Coluí até à sede da Jamba, numa distância de 26 quilómetros, foi outro ganho.

O asfalto abrange as ruas da sede do município?
A administração municipal da Jamba está a realizar acções de melhoria às ruas da sede municipal, processo este que vai continuar no próximo ano. O objectivo é de mudar a imagem da circunscrição. O projecto prevê a colocação de lancil, calçada e colocação de novo tapete asfáltico. Para quem se desloca à sede do município da Jamba já pode visionar o trabalho de tapa buracos em curso. Estamos a apoiar o programa de pintura dos edifícios principais e a imagem continua a mudar.

Qual é o aproveitamento que se faz com os recursos hídricos na Jamba?
Temos dois rios a cruzarem o município: o rio Cuanja e o Coluí. E os aproveitamentos destes são vários. De grosso modo contribuem para a irrigação dos campos. Por outro lado, as autoridades locais estão a desenvolver programas para a construção na albufeira do rio Coluí, para a construção de uma mini-hídrica. É um estudo que está a ser feito. Existe outro projecto que visa fazer um aproveitamento desta água para irrigar várias áreas aráveis. A administração municipal da Jamba está a desenvolver um programa de aproveitamento de 100 hectares de terra aráveis, em benefício de igual número de famílias camponesas.

Quanto ao programa de combate à fome e à pobreza…
A administração municipal local adquiriu equipamentos agrícolas para o suporte à actividade agrícola, que é fundamental para contribuir no programa de combate à fome e à pobreza. Todas as componentes adquiridas, como tractores e respectivas alfaias, estão a beneficiar as famílias camponesas. A meta é dentro de três meses ter o programa a funcionar.

Há apoio aos camponeses?
Desde 2010, que os camponeses da Jamba, associados em cooperativas, beneficiam do crédito de campanha. Estão abrangidos vários grupos de camponeses associados em cooperativas. Há muitas famílias a beneficiarem do crédito de campanha, que está a mudar a qualidade de vida e gerar renda das famílias.

O programa de fomento habitacional abrangeu também o município da Jamba?
À semelhança de outros municípios da Huíla, o município da Jamba regista avanços significativos na implementação do programa de fomento habitacional. Vinte casas, do total de 200 fogos habitacionais programados para o município, já estão construídos e concluídos. Para a sua inauguração só precisamos de concluir os trabalhos da rede técnica. Felizmente, as habitações já dispõem de água e estão em curso os trabalhos de colocar energia eléctrica.

Quem serão os beneficiários das casas?
O município tem uma população estimada em 127.799 habitantes. E a prioridade recai para os jovens, antigos combatentes e funcionários da administração local. O fomento habitacional é igualmente uma prioridade na Jamba. O município iniciou cedo com o trabalho de identificação das reservas fundiárias. Estão disponíveis seis áreas fundiárias com a execução do plano urbanístico da cidade da Jamba. O crescimento local é baseado nesse instrumento. Conseguimos, por intermédio do plano, a sorte do projecto ter sido financiado pela empresa AMR, do projecto minério do ferro. Desde 2009 até aos dias de hoje, a administração municipal tem mais de 2 mil lotes por distribuir aos beneficiários, além de vários outros já entregues. Actualmente o programa de construção dirigida já é visível nas zonas de Santa Teresinha, Catequero, Cuanja, Lukunga B e A.

A distribuição de água, não constitui problema?
Um sistema de captação, tratamento e distribuição de água potável está a ser erguido na sede comunal da Jamba, no âmbito do programa “Água para todos”. Com a efectivação do programa, a população local passa a consumir água tratada. Por exemplo, os habitantes da sede comunal do Dongo já têm água potável, com a funcionamento da nova estação de tratamento e distribuição de água potável (ETA), no quadro do programa “Água para todos”. A população deixou de percorrer longas distâncias à procura de água.

Em todas as localidades o programa “água para todos” é já um facto?
Aos poucos estamos a minimizar a situação da distribuição de água potável às populações. O Governo Provincial da Huíla e administração municipal continuam a desenvolver projectos que visam a melhoria do fornecimento de água potável a todos os habitantes do município. Pretende-se, por exemplo, atingir a sede comunal de Tchamutete, em Cassinga. Na localidade foi já criado um sistema mas tem sido insuficiente, tendo em conta a densidade populacional.

Como está a rede bancária?
Na sede do município funcionam dois balcões: Um do Banco Internacional de Crédito (BIC) e do Banco de Poupança e Crédito (BPC). Estão na fase conclusiva as obras de construção do balcão do Banco de Fomento Angola (BFA). Terminou o dilema da população, empresários e funcionários transportarem somas avultadas para o Lubango ou Matala. Estamos satisfeitos. Estamos a trabalhar com a direcção do Banco Internacional de Crédito (BIC) para a colocação de um balcão que possa atender a brigada das Forças Armadas Angolanas (FAA) estacionada na comuna de Tchamutete.

O gado parece constituir uma das principais riquezas do povo da Jamba?
Para preservar essa riqueza, a administração municipal construiu três mangas de vacinação nas localidades de Saminganjo, a Norte do Dongo, Ndumba, a Oeste da Jamba e Cassinga, no Tchamutete. As campanhas de vacinação estão a ser cumpridas, em benefício de 50 mil cabeças de gado bovino.

Os serviços de saúde já são abrangentes?
Não podemos dizer que o desenvolvido está no patamar desejado. Porém, a situação melhora positivamente com a implementação do programa de combate à fome e à pobreza, através do subprograma “Cuidados primários de saúde”. Dos programas municipalizados, o que está a dar bons resultados é o da saúde, por ser este que toca os aspectos principais da vida humana, desde a saúde preventiva, sensibilização das famílias na vacinação das crianças e mulher grávida, cujo objectivo é de reduzir a taxa da mortalidade materno-infantil. Foram ainda alocados recursos financeiros para a construção de centros e postos de saúde.

E o que já foi feito até ao momento?
Actualmente, foram construídos oito postos de saúde, oito unidades sanitárias, no quadro do programa de combate à fome e à pobreza. A construção do posto de saúde na localidade de Mucuio e Mbeu, na comuna do Dongo, outro na aldeia de Vionge, centro de saúde na Jamba. Foi ainda concluído um novo centro na aldeia de Valódia, na Jamba, um posto de saúde na Cassinga, outro em fase de conclusão na localidade de Mupopo e Mutiapulo. Com fundos do programa de combate à fome e à pobreza, a administração municipal adquiriu ambulâncias, que beneficiam às populações das comunas da Jamba, Dongo e Cassinga Tchamutete. Aumentou a mobilidade de transportação dos doentes graves para as unidades sanitárias de referência.

Em que fase está a construção do memorial de Cassinga?
O memorial visa homenagear o massacre de Cassinga e o projecto é em princípio uma necessidade do Governo da Namíbia. As negociações continuam entre o Governo angolano e namibiano. Temos recebido visitas naquela localidade e já há um trabalho feito da parte angolana, que deverá ser efectivado nos próximos tempos. Já foi construído um hospital no local, sistema de fornecimento de água potável. Estão erguidas cinco casas para os antigos combatentes e técnicos de saúde e de educação.Já começou o repovoamento da localidade. Estamos a espera que aconteça a decisão para a construção do memorial. Para este ano económico, está já no final da execução financeira. Faltam-nos dois meses para o fecho do ano, mas de uma forma geral, daquilo que nos foi alocado está a bom nível.