Na entrevista que concedeu ao Jornal de Economia & Finanças, o administrador do Banco Nacional de Angola para a área do meio circulante, António Ramos da Cruz, pretende induzir ao circuito monetário neste ano um total de 100 a 150 milhões de moedas e suprir a procura por trocos nas operações de compra e venda de bens efectuados no mercado


Que factores terão motivado o BNA a reintroduzir as moedas metálicas no circuito monetário?

A introdução das moedas metálicas foi motivada por duas grandes razões, sendo a primeira a necessidade de normalizar as transacções da economia e possibilitar que as pessoas recebessem os devidos trocos. Já a segunda foi no sentido de trazer-se alguma justiça nas respectivas trocas comerciais. Verificámos que as pessoas ficavam em posse dos trocos e com o argumento de que não haviam valores para esse fim. Além disso, também entendemos que com a reintrodução das moedas estaríamos a devolver um certo prestígio aos cidadãos, pois que se fica com a idéia de que o angolano não usa moedas, o que não é verdade.


Objectivamente, sentem existir condições para que as moedas tenham a importância que se lhes deve atribuir?

Claro que sim, pois que a sua reintrodução resulta da constatação do BNA de que o mercado tinha necessidade de moedas. Não nos esqueçamos que com o regresso das moedas muda-se também uma aparente cultura de fixação de preços redondos. Conforme nossa avaliação, as moedas estão a ser bem recebidas e bastante procuradas o que nos faz entender ter sido uma medida bastante ajustada.

Há contudo a ideia de que o mercado resiste à utilização de moedas?

Esta situação não é de todo generalizada, pois que no mercado formal e até fruto de nossas constatações já verificámos que a fixação dos preços começa a obedecer outros critérios. Os cêntimos já aparecem na tabela dos produtos. Ainda assim, temos de concordar que se trata de um processo e que vai levar algum tempo para que as pessoas se familiarizem com as moedas, mas os esforços do banco central são no sentido de haver sucesso pleno nessa medida. Passamos por algumas províncias como Benguela, Huambo, Cabinda, Kwanza-Sul e outras mais, nas quais foi gratificante verificarmos que a demanda por moeda cresce e que as superfícies comerciais e até mesmo pequenos comerciantes têm moeda disponível para a entrega dos respectivos trocos.


A cidade de Luanda face as enormes complexidades que apresenta será o principal foco de resistência?


É importante não medirmos o país por aquilo que ocorre em Luanda, mas sim pela dimensão do território nacional. Sabe-se que existem localidades onde as notas de maior valor facial são de difícil circulação e, nestas, as moedas são perfeitamente requisitadas para reforçarem as transacções comerciais. Claro que a cidade capital é a mola impulsionadora da economia e nela mede-se o volume de transacções e da moeda em circulação, o que nem por isso nos faz acreditar em focos de resistência à moeda, mas sim na necessidade de as pessoas recuperarem o hábito de uso de moedas, como ocorre em outras partes do globo.