Lubango, se calhar, dispensa que se junte uma equipa de arquitectos para o qualificar. É consensual de que é uma cidade linda. Já tratada, em algumas ocasiões, como a “Suíça de Angola”. Claro que não está ainda ao nível das melhores sobre a avaliação da revista americana Forbes, mas exibe um multicolorido no seu retrato pleno de enlevo.
O que torna uma cidade bela? A questão de se ter um planeamento urbano parece importante, como o é confererir um desenvolvimento sustentável eficaz. É crucial que se seja uma cidade carregada de história. E neste particular, o Luabango oferece argumentos.
O famoso monumento do Cristo Rei continua a ser o ex-libris, qual Torre Eiffel em Paris que junto com o Arco do Triunfo são os mais representativos da capital francesa. A Fenda da Tundavala completa os dois lugares mais distintos da cidade do Lubango e que mais podem atrair visitas turísticas.
Para quem entra pelo aeroporto da Mukanka, tem ao lado o aeroporto antigo. Felizmente, não se “partiu” o velho para erguer por cima o novo. A mesma sorte não teve a antiga estação dos caminhos de ferro de Benguela.
O antigo, da cidade de Benguela, onde o “Comboio Mala” apitava e cruzava o Cubal, com passageiros e mercadorias para o Huambo e o Luau, foi posto a baixo. Em cima desta, construíram um outro, matando a história de infância de uma geração que estaria mais rica em argumentos para partilhar com as novas gerações.
O processo de reconstrução nacional que endividou o país, carrega alguns altos - é verdade - mas também muitos baixos. Diríamos que quem sai do novo aeroporto da Mukanka, erguido para receber o CAN de 2010, absorve a cidade toda e acaba por entrar pela avenida principal até chegar à Fenda da Tundavala.
Uma história cuja descrição começa numa longa avenida, onde há edifícios antigos, uns acervados e outros nem por isso, restaurantes, abertos e outros já fechados como a velha Tirol, pubs, lojas de lactiníos e frutas e muito mais, resultantes do potencial agro-pecuário da região.
Se noutras cidades, como Luanda, é (quase) impossível vislumbar bois a puxar carroças a atravessar o asfalto bem no coração da cidade, no Lubango, uma cidade onde o “primitivo” e o moderno coabitam, prática do género é quase recorrente.
Nas carroças puxadas por bois ou burros, o comerciante rural agrupa o esforço do campo, numa clara resposta e oportuno intercâmbio entre a cidade e o campo. A cidade dá o que o campo quer: dinheiro, sal, óleo e panos, o campo cumpre o seu papel de produtor e criador de aves e outros animais.
Mas o casamento entre o urbano e o rural, remete-nos à imagem de grandes cidades (sonhar não é proibido) com avenidas que nos fazem mergulhar à Avenue Champs-Elysées, uma prestigiada avenida de Paris com salas de cinema, cafés, lojas de especialidades luxuosas e árvores de castanheiros-da-índia.
A avenida principal do Lubango vai terminar na Tundavala. Podemos assim considerar. Pelo percurso, está o restaurante “Cascata da Huíla”, o antigo bar do Inter, o Grande Hotel da Huíla e o Cine Arco-íris. Que é feito destes locais? Quais destes ainda funcionam? A desgraça financeira retirou o fôlego em algumas que acabaram por soçobrar.
Não tanto pelo frio, que nesta altura pulveriza a cidade, mas satisfaz ver a forma como os huilanos veneram-na. Um clima que tudo pode oferecer em termos de estar bem, como pedalar na Nossa Senhora do Monte, uma espécie de Stanley Park local (Risos) e contemplar o pôr do sol friorento a partir do Miradouro da Estrada da Leba e “bronzear-se” sobre o arco-íris projectado entre as fendas, como se estivesse estendido nas areias de Kitsilano Beach.
Quem aprecia uma bela paisagem, está com Deus. E o Lubango, passe o exagero, se parece, pela sua característica, o seu desenho natural, um “paraíso” em miniatura. Oferece um deleite histórico e bem preservado e que dá para calcorrear perdidamente.
Ora, para saborear um pedaço do chouriço caseiro, com um tempero fumegado pelos fornos dos produtores descendentes de madeirenses, ora uma cerveja N’gola. Produtos locais que o tempo não açula.
Hoje, as boas notícias huilanas sopram a preceito. Pelos noticiários percebe-se sobre a existência de uma cidade que se renasce. O asfalto volta a esconder as crateras que transformavam a mobilidade rodoviária num pesadelo. Ainda o é, o troço Luanda/lubango.
Precisa de estrada melhor. Há trabalho neste sentido. Mas a morosidade é incomodativa. No âmbito da diversificação, a qual a agricultura é decisiva, boas estradas são determinantes para que se tenha uma economia florescente e com receitas para o PIB de outros recursos, fora do petróleo.
Por altura do CAN de futebol realizado cá em 2010, tivemos estradas que permitiam uma circulação cômoda e menos cansativa. As estradas, grosso modo, foram reabilitadas mas com o tempo estas voltaram a degradar-se. Hoje, é de um tormento caminhar centenas de quilómetros sobre as nossas estradas nacionais, salvo algumas excepções.
O mesmo não se passa para quem vai mais ao sul, ou seja, até ao Cunene. Pela Santa Clara, chegasse à Namibia e daí à África do Sul. Com certeza, nesta a realidade se mostra diferente. Provavelmente, um sentido de organização mais suportável. Pelas característica, num olhar rápido, o Lubango se parece com Kape Town, uma das melhores do mundo.
Uma cidade localizada na Península do Cabo e ao mesmo tempo cercada pela Table Mountain, uma enorme montanha da qual é possível ter uma vista da cidade inteira. Um momento que se pode ter do Lubango a partir da montanha onde está o monumento do Cristo Rei.
Há lugares considerados de paragem obrigatória na capital huilana, como acontece com o pub irlandês The Dubliner, em Kape Town por ser um dos lugares mais apreciados para curtir a noite. Entretanto, a Huíla apresenta uma miscigenação de hábitos e costumes e boas razões para o lúdico.
É comum dizer-se que Nova York é uma cidade que não dorme. Pois, o número incontável de restaurantes, bares, convívios, museus e lojas retocam a cidade e dão-lhe um colorido para mil motivos a quem goste de saborear os encantos da vida. Lubango começa a voltar a reunir condições e equipar-se para o solaz.

Elogio ou não?!
Há quem considere como muito cedo para tecer elogios a governação huilana. Alega-se existir sim esta vontade de voltar a fazer do Lubango uma cidade não apenas boa para se viver como para passeio e fazer turismo. Mas, por enquanto, nem tudo é um mar de rosas. Agrada saber que alguém chegou para colocar fim a degradação que se ia assistindo ultimamente. Choviam muitas critícas que hoje vão motivando a meneios positivos de cabeça.
Considera-se mesmo que muito deve ser feito no campo social. As pessoas precisam de mais oportunidades de emprego. Alega-se que muitos jovens têm deixado a Huíla a procura de ocupação noutras províncias onde acreditam existirem mais e melhores soluções.
Percebe-se o afunilamento que assola Luanda, mas parece existirem poucas alternativas. É o mesmo como quem esteja a viver num bairro da capital com energia (mal)abastecida por privados, água onerosa comprada das cisternas e a viver num quadro de insegurança sem precedentes e ser forçado a procurar por melhores condições no Projecto Nova Vida, Kilamba ou Miramar…
Logo, a atender a vários clamores, são ainda muitos os problemas que a Huíla tem por resolver para que um dia se torne numa escapatória para “descongestionar” Luanda e não só. Mas vale a pena recomeçar e colocar o Lubango em movimento…