A Imovias, Urbanismo e Construção S.A é uma empresa angolana, a operar exclusivamente em Angola, por ter uma localização geoestratégica na África Subsariana e os seus elevados índices de crescimento são um atractivo tanto para as empresas nacionais como para as internacionais. Depois de mais de uma década de paz, a confiança dos investidores começa a solidificar-se e são visíveis os sinais da integração do país no mundo empresarial. O seu director-geral, José Luís Reis Aleluia, em entrevista JE fala dos negócios da empresa.

De que forma avalia o mercado da construção civil em Angola?
Angola é um país que olha de forma positiva para o futuro. A comemorar os 40 anos, enquanto república soberana, os quase 13 anos de paz tornam a reconstrução, a reabilitação e a construção, necessidades e oportunidades para as empresas em todos os sectores e níveis de investimento. O sector da construção não foge à regra, pois, é um mercado que se tem revelado bastante activo, superando as melhores previsões e expectativas. É um sector que acompanha e evolui com o significativo crescimento económico de Angola, sendo uma aposta atractiva para as empresas.

Por que razão considera que Angola é um mercado estratégico em África para as empresas internacionais?
A Imovias, Urbanismo e Construção S.A, é uma empresa angolana, a operar exclusivamente em Angola, por ter efectivamente uma localização geoestratégica na África Subsariana e os seus elevados índices de crescimento são um atractivo tanto para as empresas nacionais como para as internacionais. Depois de mais de uma década de paz, a confiança dos investidores começa a solidificar-se e são visíveis os sinais da integração do país no mundo empresarial.

Em função do crescimento da economia angolana, qual é a estratégia que a Imovias definiu para os próximos tempos?
Nós somos uma empresa que actua no sector da construção civil e na manutenção e gestão de activos. Tem sede em Luanda, mas, já com representação e actuação desde 2008, em diversas províncias do país, como Cabinda, Bié, Uige, Cuanza Norte, Malange e Benguela, de acordo com uma estratégia de expansão, que assenta acima de tudo nas premissas da qualidade, versatilidade, inovação, segurança e formação constantes. Outras províncias do país estão nos nossos horizontes de expansão, como Cuando Cubango, Cuanza Sul, Huíla, Zaire que oferecem actualmente oportunidades de investimento muito interessantes.

O que deve ser feito para que a economia angolana seja mais competitiva, em relação aos outros países da região de África?
O crescimento sustentado é um caminho que Angola tem vindo a percorrer, com o empenho e compromisso das autoridades angolanas neste domínio, sendo notório o crescimento da confiança dos investidores e empresários. A sua população jovem e a emergência de uma classe média com um crescente poder de compra complementam o factor de atractividade que o país possui. A médio prazo, os investimentos na educação e formação de quadros técnicos competentes darão também os seus frutos, permitindo que o país possa rentabilizar as suas imensas potencialidades, já que este é um país de imensas riquezas naturais e potencialidades. Programas como o Angola Investe têm vindo a ajudar a o país a redireccionar o foco do investimento para outros sectores de actividade, diversificando e fazendo com que o país dependa cada vez menos em exclusivo de um só sector de actividade, o petróleo – o que permitirá sustentar o futuro das gerações vindouras.

Quais as empresas e entidades que mais solicitam os vossos serviços?
Pelo elevado montante de investimentos necessários à reconstrução nacional, o sector público constitui ainda uma grande fatia do volume de negócios disponível para todas as empresas a operar no sector da construção em Angola. Por outro lado, e pese embora o esforço de diversificação da economia, o sector petrolífero ainda tem um peso significativo nesta área. Acredito que no futuro, os sectores considerados prioritários para o desenvolvimento – como a agro-indústria, os cimentos e a siderurgia, as infra-estruturas turísticas, os portos, aeroportose vias de comunicação – venham a constituir áreas de maior interesse para as construtoras.

Como está configurada neste momento a carteira de projectos da Imovias?
A nossa carteira de clientes é constituída maioritariamente pelo sector público e empresas que se dedicam ao sector petrolífero. Esse é ainda o panorama económico que se vive no país, ao nível dos grandes investimentos, mas os últimos tempos fazem prever que o futuro vai cada vez mais trazer uma diversificação para o mercado.

Que tipo de investimento foi realizado pela empresa nos últimos anos?
Desde a sua fundação, a Imovias tem apostado na inovação, sendo pioneira na utilização das melhores tecnologias. A aposta está associada ao investimento na aquisição de equipamentos, infra-estruturas e formação dos nossos técnicos, cujo conhecimento técnico e experiência, garantem um integral cumprimento dos compromissos com os clientes. No decorrer do próximo ano, está previsto o arranque de um investimento num novo estaleiro central, na qual serão construídas as futuras e modernas instalações sociais e de apoio ao processo produtivo. Tanto o nosso investimento, como o nosso crescimento têm vindo a efectuar-se de forma progressiva e sustentada, ao longo dos últimos anos. O equilíbrio destes dois vectores é fundamental, num mercado tão competitivo, como é o da construção.

Qual é a dimensão da empresa, no que respeita a dados financeiros e operacionais?
A Imovias teve no ano de 2014 um volume de facturação de cerca de 2.000.000.000 de kwanzas (dois mil milhões de kwanzas), sendo que tem uma carteira de empreitadas para o ano de 2015 de 3.500.000.000 de kwanzas (três mil e 500 milhões de kwanzas).
Nos aspectos operacionais, temos 275 colaboradores e um considerável parque de equipamentos de apoio aos projectos.

Que tipo de mão-de-obra é que a empresa recruta em Angola?
As pessoas são o elemento distintivo da Imovias. A empresa encara o recrutamento como um instrumento chave de crescimento e fortalecimento da sua posição no mercado, procurando sempre atrair os melhores profissionais, promovendo o seu desenvolvimento de carreira, apostando na formação, na segurança e na melhoria dos índices gerais de satisfação. Esta é a nossa visão para um crescimento sustentável, apoiado numa equipa humana de alta qualidade e numa preocupação de diversificação e inovação em todos os projectos, fazem da Imovias uma construtora de referência em Angola empenhada em satisfazer às expectativas dos seus clientes e em criar parcerias de longo prazo.

O que acha da formação existente no país no que respeita a técnicos no sector daconstrução?
Como em todos os sectores, a formação nas diferentes áreas técnicas para a área da construção segue a tendência do país: em enorme evolução e crescimento. E esse tem sido oprincipal desafio das empresas a operar no mercado e que têm apostado na formação dos seus quadros, providenciando-lhes formas de desenvolverem os seus conhecimentos e desenvolverem as suas carreiras.

A Imovias é a empresa responsável pela construção do Centro de Formação Profissional parao Sector das Águas. Em que consiste este projecto?
O Centro de Formação Profissional para o Sector das Águas tem como base o “Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional dos Sectores de Águas e Saneamento em Angola” e é co-financiado por fundos de apoio da União Europeia. A proposta de edificação deste equipamento resulta de um longo processo de trabalho de investigação sobre as necessidades para o apetrechamento da Direcção Nacional das Águas, dotando o país de um equipamento eficaz para a formação futura de quadros a nível nacional. O projecto teve o seu início no dia 13 de Dezembro com o lançamento da primeira pedra e pretende ser um espaço de interacção entre pessoas e que promove o conhecimento, incentivando trocas de fluxos das actividades administrativas, educacionais e lúdicas.

Qual será a entidade responsável pela gestão deste centro?
O Centro de Formação Profissional para o Sector das Águas será gerido pelo Ministério da Energia e Águas, através da Direcção Nacional das Águas. Na fase de construção tem a colaboração dos Serviços do Ordenador Nacional do FED-MPDT, o Ministério do Planeamento e Desenvolvimento Territorial – MPDT, já que o centro é financiado pela União Europeia.

A primeira pedra desta obra foi lançada no início de Dezembro. Quando está prevista a sua conclusão?
A primeira fase da empreitada tem um prazo de execução total de 18 meses, e engloba uma área de construção de 3.600 m2, correspondente à execução de 4 (quatro) edifícios destinados a Serviços de Apoio (Bloco A), Salas de aula e Laboratório (Bloco B) e Dormitórios (Blocos C eD), bem como 1 (um) edifício de habitação para o Director do Centro. Está ainda prevista uma fase posterior (segunda fase), onde serão construídos 3 (três) edifícios de habitação para os professores, jango, campo de jogos e arranjos exteriores, bem como aexecução de todas as infraestruturas inerentes.

Em quanto está orçada a obra?
A primeira fase da empreitada representa um investimento global de 530.000.000 (Quinhentos e Trinta milhões de kwanzas). Quantos trabalhadores estarão envolvidos no projecto? Destes quantos angolanos e quantos expatriados?
Estima-se uma equipa afecta a este projecto, de cerca de 120 pessoas, 95 por cento dos quais são angolanos.