Em Angola, os serviços de multicaixa registam acima de um milhão de transacção diária e nunca sofreram roubos directos. As estatísticas dizem que actualmente há 4,5 milhões de cartões activos o que significa que entre 1/3 e 1/4 da população acima de 15 anos utiliza os serviços.

Os actuais níveis de penetração dos serviços de multicaixas e demais canais multibanco pelo país satisfazem a Emís?

O número de ATM por pessoas acima dos 15 anos em Angola comparado com alguns países africanos de referência nesse tipo de serviços e Portugal, representa uma penetração apreciável, com excepção da RAS onde a penetração é de cerca do triplo. Do ponto de vista da distribuição geográfica, Angola tem uma dispersão populacional muito maior que o Kenya e a Nigéria, e cerca de 1/3 da densidade populacional da África do Sul. Acresce-se a problemática do nível de macrocefalia urbana de Luanda Capital que faz com que fora desta, a área coberta por cada ATM seja muitíssimo maior que qualquer uma das comparações. Desse ponto de vista, a questão não é tanto o número de ATM mas a sua distribuição.

Quais os números de Angola?

O número de utilizadores dos cartões MCX tem ainda muita margem para crescer, dependendo também da taxa de bancarização. Actualmente há 4,5 milhões de cartões activos o que significa que entre 1/3 e 1/4 da população acima de 15 anos utiliza serviços Multicaixa. Segundo o site https://www.theglobaleconomy.com, a percentagem da população com mais de 15 anos que utiliza cartões de débito é 82 por cento para Portugal; 44 para a África do Sul; 37 no Kenya; 31 na Nigéria e 28 em Angola (estimativas; o site não traz informação). O número de TPAs activos de Janeiro a Agosto cresceu cerca 13 por cento, para os cerca de 71 mil.

Qual seria o número ideal, atendendo a densidade populacional e o estágio da banca nacional?

Dada a dispersão da população, nunca deveríamos ter menos de o dobro dos ATM que temos actualmente, distribuídos pela periferia de Luanda e pelas restantes províncias.

Como pensam acelerar a bancarização e universalizar o acesso aos serviços de banca electrónica?

Pensamos disponibilizar serviços de pagamentos atractivos capazes de despertar os interesses aos não bancarizados.

O crescente comércio electrónico é também um bom impulso para cada vez maior preferência por dinheiro electrónico?

Sim. A medida que as facilidades tecnológicas se expandem, o leque de opções de pagamento aumenta. Por exemplo, a Emis, em parceria com os bancos, lançou o Multicaixa Express, o levantamento sem cartão e em breve, os Débitos Directos, transferências rápidas, pagamentos em loja com telemóvel e os pagamentos online.

Pela alta concentração de utilizadores que se verifica nos finais de um mês e início de outro, fica a ideia de que os salários dos trabalhadores passaram a ser levantados, preferencialmente, através dos ATM?

De facto. É nesses períodos que são alcançados os recordes de cada mês. Entretanto, recordamos que o leque de opções é hoje mais alargado e esperamos estar melhor até final deste ano.

Isso coloca os serviços sob forte pressão...

Claramente. Tanto a Emis como o Banco Nacional e os bancos comerciais tomam medidas para as datas em que se prevê mais intensidade na utilização. Importante referir que, mesmo com os avanços (soluções tecnológicas), há uma característica cultural da população em preferir o dinheiro físico para inúmeras necessidades. Todavia, as estatísticas indicam que tem havido uma evolução favorável em comparação com o que acontece noutras geografias.

Que mecanismos estão previstos para superar à demanda?

Tipicamente as medidas para as sazonalidades vão de um maior acompanhamento e vigilância sobre os ATM aos abastecimentos mais volumosos ou mais frequentes. Por outro lado, como medidas estruturantes, além das acções que ditaram o crescimento exponencial de TPA no pequeno comércio, tal como já referido, o lançamento do Multicaixa Express, que permite a realização de operações electrónicas através do telemóvel e em curso, as transferências rápidas, os pagamentos online, pagamentos em loja com o telemóvel e os Débitos Directos.

Quanto em dinheiro é que deve ser colocado diária ou mensalmente em cada ATM?

Não há um valor fixo. O comportamento dos ATM é muito diferente consoante o local onde se encontram. Na periferia, a procura é mais alta aos fins-de-semana do que no centro da cidade onde é durante a semana que há mais procura. A frequência dos carregamentos também é relevante, havendo bancos cuja estratégia é carregar as ATM duas vezes por semana com muito dinheiro enquanto outros carregam todos os dias úteis e por vezes ao fim-de-semana, com menos dinheiro, acabando os resultados a serem semelhantes, ou seja, ATM com uma taxa de serviço aproximada. Os bancos têm acesso regular às informações sobre a posição do numerário.

Há controlos sobre o cumprimento dos bancos em relação ao dever de carregamento das Caixas Automáticas?

Há indicadores directos e indirectos. Os indirectos por exemplo, são o número e montantes de levantamentos, que podem ser influenciados pela localização. Como indicador directo temos por exemplo, o “downtime por falta de notas” que é a percentagem de tempo em que uma máquina esteve sem poder dispensar por falta de dinheiro, num determinado período. O controlo é feito ao mês e as estatísticas são partilhadas, inclusive, com o regulador.

Pode-se pensar já num eventual aumento, para breve, do limite diário de 50 mil kwanzas que se levantam nos ATM?

Por enquanto é um assunto que não está em cima da mesa.

O que e quanto se cobra pelo uso dos serviços da rede de “multicaixas”?

Aos utilizadores de cartões até ao momento, nada. Entretanto, vale recordar que, tanto os titulares de cartões como as entidades que utilizam os canais, são contratados pelos bancos, o que, conforme a tipologia do serviço, pode haver agregação de valor a ser onerado.

Que cartões são aceites na rede?

As marcas internacionais aceites são a VISA, Mastercard, American Express e Union Pay International.

Em termos de segurança dos meios e das operações como se avalia a rede nacional de Multicaixa?

A rede Multicaixa é bastante segura e está situada ao melhor nível mundial. A Emis, os ATM e o software utilizado estão certificados ao nível do que se faz na UE. A introdução do cartão com chip que está em curso vai reforçar a segurança do próprio cartão para evitar as clonagens. Realçamos com bastante ênfase que a principal falha de segurança continua a ser o próprio utilizador que, frequentemente, mantém o seu código secreto escrito num papel ou mesmo na carta de PIN original, juntamente com o cartão.

Há registos de tentativas de roubos das Caixas Automáticas?

Não!

É possível haver fraudes por via de uso dos serviços multicaixa?

A fraude não está relacionada com os serviços multicaixa, mas sim com a utilização abusiva de cartões alheios. Na realidade, a fraude é cometida por alguém que, por exemplo, em vez de roubar dinheiro à vitima, rouba-lhe o cartão e por descuido do titular, obtém também o código secreto e dessa forma, tem acesso à conta do titular. Assim, o desfalque só cessa quando o seu banco ou a Emis for comunicado para bloquear o cartão. Portanto, o elo mais fraco do sistema continua ser, na maior parte das vezes, o próprio utilizador que é pouco cuidadoso na forma como guarda o seu código secreto, deixando que o vejam a introduzi-lo nos ATM ou POS.

Há correntes a defenderem que os serviços multicaixa são inimigos da “boa” poupança...

Não são os serviços da rede multicaixa que fazem gastar mais ou menos. É importante referir que a nossa população não tem cultura da poupança. Os serviços existem para dar comodidade, segurança, eficiência e resiliência.

Como educar os titulares de cartões sobre a tendência despesista?

O BNA tem liderado programas de educação financeira e julgamos que os órgão de comunicação social também podem ter nesse processo um papel relevante.

Em termos comparativos com a região SADC ou mercados similares na Europa e América, qual a posição dos serviços multicaixas de Angola?

A nível transaccional, temos a cifra acima de um milhão de transacções financeiras por dia e em termos tecnológicos, tal como referido, cumprimos com as melhoras práticas.