O secretário de Estado para as Tecnologias de Informação, Manuel Gomes da Conceição Homem, garantiu que o Angosat-1 vai permitir a importação de divisas, pois que já se começou a receber pré-contratos para adquirir capacidades do satélite angolano. O governante sublinhou que o projecto visa assegurar o programa de inclusão digital, para garantir que mais cidadãos tenham acesso às tecnologias de informação e comunicação.

O país assistiu ao lançamento em órbita do Angosat- 1. O que representa em termos estratégicos?
O Angosat-1 é um projecto que consta de uma estratégia espacial do Governo angolano e que assenta em cinco eixos fundamentais. O primeiro eixo passa pelo desenvolvimento de infra-estruturas espaciais, a fase em que nos encontramos. O segundo passa pela capacitação e aprovação do sector espacial. A terceira fase compreende o crescimento da indústria das tecnologias espaciais. O quarto visa a afirmação internacional do Estado angolano no domínio espacial. O quinto e último eixo, tem a ver com a criação de infra-estruturas internas e organizativas para assegurar o funcionamento do satélite em órbita.

Em que ano começou a ser construído o satélite Angosat-1?
O Angosat-1 começou a ser construído em 2009. Ao longo deste percurso, foram quebradas várias etapas, com destaque para a formação de quadros angolanos, que com a conclusão das obras possam garantir a sustentabilidade do projecto.

Temos quadros suficientes e capacitados para operar o satélite?
Neste preciso momento o país conta 47 técnicos angolanos no Centro de Controlo e Emissão de Satélite (CCES), para garantir a operacionalização do satélite em órbita. Temos três doutores na área de engenharia espacial, cinco mestres em tecnologias espaciais e os demais, licenciados em engenharia e tecnologias espaciais.

Quem são os principais beneficiários directos deste investimento?
Os beneficiários directos são sobretudo os angolanos e de modo particular as empresas do ramo das telecomunicações. O satélite em órbita trás benefícios transversais. Por exemplo, no sector da saúde, há escassez de médicos um pouco por todo o país, pelo que através dos serviços das telecomunicações será possível a partir do médico colocado num determinado município, fazer uma consulta de especialidade, recorrendo aos serviços da telemedicina. No sector banca, a rádio difusão, televisão, em suma o país vai ganhar com uma melhor distribuição do sinal. A rádio e TV, por exemplo, compram serviços da banda no exterior à custo muito alto. Com o lançamento do nosso satélite vão conhecer uma outra dinâmica e levar estas divisas para outros sectores da vida nacional. No âmbito da diversificação da economia, o Angosat-1 vai produzir conteúdo local, que vai permitir que os diferentes prestadores de serviço, na hora de adquirir serviços espaciais, adquiram-nos em kwanzas, salvaguardando as divisas para outros sectores que tenham mais necessidades.

Quando é que o cidadão comum vai começar a sentir os resultados do investimento feito no satélite?
Vai começar a sentir os resultados deste investimento, com o início da exploração efectiva do satélite. Ou seja, nos próximos dois ou três meses. O satélite foi lançado, seguem-se os testes de telemetria e verificação do sistema. Uma vez garantida a verificação, ele entra em operação. Por outro lado, o Angosat-1 vai permitir a importação de divisas, pois o país já começou a receber pré-contratos para adquirir capacidades do satélite angolano. Ao fazer estes contratos, o país vai ganhar, o que se vai reflectir na vida do cidadão. Os indicadores apontam que as nossas empresas de telecomunicações, gastam no seu conjunto entre 15 a 20 milhões de dólares por mês, para comprar capacidades no exterior, com o lançamento do nosso satélite vamos inverter este quadro e criar condições para que os países da região possam adquirir capacidades a partir do Angosat-1.

Qual é a capacidade total do Angosat 1?
Importa sublinhar que o Angosat-1 vai cobrir todo o continente africano e uma parte da Europa. Vai trabalhar na banda C e a banda Ku, que podem cobrir Angola e toda região da SADC. Depois de atender as necessidades do país, que podem consumir perto de 60 por cento da capacidade total, vão restar cerca de 40 por cento da capacidade, que podem ser comercializados para outros países. Isto permite que qualquer operador das telecomunicações possa desenvolver serviços em qualquer um destes pontos. Em suma, é uma infra-estrutura que vai revolucionar o sector das telecomunicações no país.

Com o lançamento do Angosat as operadoras nacionais vão rever a política de preços?
É importante sublinhar que, a política tarifária dos serviços das telecomunicações não é definida pelas operadoras. Mais sim, pelo Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação por via do órgão regulador, no caso o Instituto Nacional das Telecomunicações (INACOM). Este órgão ministerial é que trata da política de preços. Por outro lado, na definição da política de preços, concorrem vários outros factores que estão a ser acautelados. É do domínio público que o país lançou um concurso público para a entrada de uma nova operadora das telecomunicações, para revolucionar o sector. A própria Angola Telecom, por via de concessão de uma nova licença vai poder prestar mais serviços de telefonia móvel. Há um projecto de interligação dos cabos submarinos que Angola também está a desenvolver, com o objectivo de chegar ao Brasil entre Fevereiro e Março do próximo ano. Há um cabo que liga os Estados Unidos de América ao Brasil, no âmbito deste processo. Há um conjunto de investimentos em termos de infra-estruturas que estão a ser feitos para que o país possa reduzir os custos nas telecomunicações.

Que serviços foram vendidos até agora e que países já adquiriram?
Há um ano que a Infrasat trabalha na comercialização do sinal do Angosat-1, e deste trabalho, já resultaram alguns pré-contratos firmados. Temos um pré-contrato com a vizinha República Democrática do Congo, seguem-se a Namíbia e África do Sul. Apesar de África do Sul ter o seu satélite, ainda assim, entendeu por uma questão de mercado e disponibilidade mostrar interesse.

Até que ponto as falhas que se registam no fornecimento de energia eléctrica poderão interferir nos serviços do satélite?
A energia eléctrica é sempre fundamental em projectos de infra-estruturas do ramo das telecomunicações. Mas, importa sublinhar que o Angosat-1 enquanto infra-estrutura pode não ter dificuldade, considerando que as infra-estruturas de satélite são sempre instaladas onde existem sempre condições. Ali onde não existe energia eléctrica, o Ministério tem vindo a investir na instalação da energia solar, importante fonte alternativa para dar resposta
às necessidades.

Quando se diz que o Angosat-1 tem fins civis, que fins se podem?
Nós temos um programa de inclusão digital, para garantir que mais cidadãos tenham acesso as tecnologias de informação e comunicação.

De que forma isso pode acontecer? O Ministério de tutela criou um conjunto de subprogramas que vão apoiar este processo. Por exemplo, o país criou uma rede de mediatecas e para que esta funcione efectivamente é preciso uma rede de infra-estruturas do ramo das telecomunicações que possam disponibilizar um serviço de internet de qualidade nas escolas, levar serviços de telecomunicações nas zonas rurais.

Qual é o investimento realizado pelo país para o alcance desta meta?
O país investiu um total de 320 milhões de dólares.

Em quanto tempo se pode recuperar este investimento?
Apesar dos custos operacionais do satélite mas, pelo volume de serviços previstos podemos garantir a recuperação do investimento que o país fez em três/quatro anos de serviço efectivo.