A fábrica cervejeira N’gola na Huíla, comemorou no passado dia 23 de Maio 41 anos de existência. Em entrevista ao Jornal de Economia & Finanças, o seu director-geral, João Lopes, disse que contribuir para o desenvolvimento do parque industrial e gerar renda das famílias constituem um dos objectos da empresa que está a crescer com os 40 anos de independência de Angola.

Quarenta e um anos de existência da fábrica, uma idade que está associada aos 40 anos da independência do país, qual é o balanço que lhe oferece fazer?
O papel da cervejeira é, sem dúvida, contribuir para a diversificação da economia angolana. A fábrica é única do género na província da Huíla, existe desde 1974 e faz parte do tecido industrial de Angola. Como qualquer outra, ao comemorar os 41 anos de existência, várias foram as fases passadas que fizeram com que a empresa hoje fosse forte na região centro e Sul do país.

O objectivo para o qual a fábrica foi criada está a ser atingido?
Eu creio que sim. A fábrica obedeceu a várias fases. A empresa já foi nacionalizada e privatizada, já passou por vários proprietários, neste momento pertence ao grupo Castel e temos ideias certas e focadas para esse produto que é meramente nacional, cujo fim é tornar a marca como das principais no país.

Quando se fala da consolidação da marca angolana também tem a ver com a qualidade?
A qualidade do produto é primordial para se ter um produto de sucesso no mercado. É preciso ter um produto de qualidade. Aí, em função dos investimentos que foram feitos, com a tecnologia instalada, efectivamente demarca-se de muitas outras marcas de cervejas importadas e temos uma qualidade acima da média a nível mundial para esta cerveja.

A par da diversificação da economia, a criação de vários postos de trabalho para gerar renda no seio familiar é um dos ganhos da empresa como contributo no programa de combate à fome e à pobreza?
Evidentemente. Actualmente trabalham na fábrica, juntamente com a Coca-Cola, neste pólo industrial, cerca de 650 pessoas de forma directa. Existem outros trabalhadores subcontratados, sobretudo para trabalhos pontuais, como na transportação dos produtos para outras regiões do país, o que faz com que a empresa tenha outros milhares de trabalhadores indirectos na zona, que trabalham directamente com a empresa. Sem dúvida que os valores arrecadados nesse processo têm um peso significativo, não só para a economia do país, mas também na própria renda e autonomia na aquisição de outros produtos de primeira necessidade para as famílias.

Quantos concessionários a empresa controla actualmente?
Em primeiro lugar, quero aqui explicar que actualmente a empresa cervejeira produz cerca de 80 milhões de litros de cerveja, o que corresponde a 800 mil hectolitros por ano. A capacidade instalada pode superar esta cifra. Contamos com mais de 20 empresas e acima de mil grossistas, que estão localizados nas províncias da Huíla, Namibe, Cuando Cubango, Cunene, Huambo e Benguela.

É nesse nível que se pretende fixar?
A fábrica, conforme fiz referência, faz parte do conjunto de empresas do parque industrial angolano. O seu crescimento está assente nas exigências e dinâmicas do país, que cresce cada vez mais. Nesta conformidade, foi instalada na fábrica uma capacidade superior. Porém, não nos podemos esquecer de que o mercado angolano, sobretudo da região Sul onde estamos inseridos, tem alguma sazonalidade do consumo do produto.

Quantas linhas de enchimento estão disponíveis na fábrica?
Actualmente, estão instaladas na fábrica três linhas de enchimento, sendo duas destinadas ao enchimento de garrafas e uma de barris.

A operacionalidade é aceitável?
Sim. Sem dúvida. A fábrica dispõe de uma linha para encher 50 mil garrafas por hora.

Há projectos para a sua expansão?
Temos projectos para expandir o produto. Mas como disse anteriormente, a N’gola está a primar por um trabalho de consolidação. Não podemos espalhar de forma aleatória o nosso produto para não se perder a identidade do Sul de Angola. Em primeira instância, trabalha-se para consolidar a produção na região e de forma faseada vai-se aumentar a capacidade e paulatinamente expandir a produção a outras províncias.

Qual é o actual volume de negócios?
A empresa cervejeira N’gola tem um volume de negócios de cerca de 100 milhões de dólares norte-americanos por ano.

Qual é o contributo que a fábrica está a proporcionar para a economia nacional?
Damos emprego, pagamos impostos de forma regular aos cofres do Estado e temos um produto nacional, o que faz com que haja menos importação para o país e para os consumidores. Nós criamos riqueza ao fim e ao cabo.

Inovar também é uma constante?
Evidentemente. É notável que nos últimos tempos as empresas nacionais melhoraram substancialmente na comunicação. Tudo isso é ganho de inovação e dos 40 anos da nossa independência nacional. A fábrica inverteu o relançamento de marcas como a Túbia, de forma dinâmica. Isso tudo são inovações.

A Huíla tem vivido crise na época seca onde os lençóis freáticos têm baixado e consequentemente os níveis de distribuição de água também. O facto tem provocado repercussões negativas nos níveis de produção?
Em 2003, tivemos problemas de falta de água que afectaram grandemente o nível de produção. Para contrapor tal situação, temos contribuído com vários programas a nível interno numa perspectiva de redução do consumo e uso de água de forma irregular. A água é para todos e o seu consumo deve ser racional. Temos tido um forte empenho e bastantes incentivos neste sentido.

Sabemos que em Angola existem várias marcas. A concorrência é favorável?
Realmente que existe concorrência positiva. Se a cerveja N’gola não tiver concorrência, não vai conseguir melhorar ou debater-se com as dificuldades. É bom que haja concorrência, porque isso faz-nos ficar mais fortes, mais combativos, perspicazes e mais atentos. Andamos com dinâmica porque nos sentimos ameaçados. Temos que combater esta ameaça, inovando cada vez mais.