O município do Quipungo é potencialmente agro-pecuário. Tem ainda como recurso mineral o granito negro, nas comunas de Chikungo e Chikonko. É abundante na fauna e flora em toda a sua extensão, tendo como referência a reserva do Parque Nacional do Bicuar. Em entrevista ao JE, a administradora municipal, Fernanda Cândida Ukali, disse que as acções em curso no parque podem tornar a região numa placa giratória obrigatória para muitos turistas na província e com isso arrecadar-se muitas receitas para os cofres do Estado.

Qual é o aproveitamento que se pode fazer do potencial existente no Quipungo a fim de contribuir-se mais para a economia local e nacional?
Primeiro dizer que o Quipungo está situado a 120 quilómetros a Leste da cidade do Lubango, província da Huíla. Ocupa uma extensão territorial de aproximadamente 5.675 quilómetros quadrados e uma população estimada em 146.914 habitantes, de acordo com os resultados do último censo populacional. Está limitado a Norte com o município de Caluquembe, Cacula e Chicomba. A Este, faz fronteira com o município da Matala, a Sul com os Gambos e a Oeste com Lubango, Cacula e Chibia.

O Parque Nacional do Bicuar está localizado no Quipungo. A preservação da flora e da fauna satisfaz?
Como é do conhecimento de muitos, Quipungo, dispõe do Parque Nacional do Bicuar. Há avanços significativos. Actualmente, a acalmia e o processo de requalificação em curso no Parque Nacional do Bicuar, na Huíla, motivaram o regresso e a multiplicação massiva de animais de diferentes espécies. Quero dizer que divisar palancas vermelhas, coelhos, olongos e búfalos em lagoas da Matemba e Bicuar 1 e 2 é regular, apesar do ambiente que às vezes demonstram. O mesmo ambiente é divisado em aves de diferentes espécies como abutres, rolas e perdizes, entre outros que povoam o ambiente calmo do parque, com uma superfície estimada em 7.900 quilómetros quadrados. O governo provincial e o órgão de tutela desenvolvem um trabalho de investigação científica para o ambiente e biodiversidade da província da Huíla, com a criação de uma equipa multissectorial que trabalha na investigação das espécies no interior do parque.

Muitos animais estão a regressar?
Os trabalhos de investigação começaram em Setembro de 2004 e já foram localizados a chita, leopardo caçador, hiena malhiada, leões, elefantes e um tipo de porco chamado facocheiro. A zebra da planície, olongo, oribi, bambis e aves de rapina que geralmente aparecem das 15 às 17 horas, junto aos lagos foram também identificados. O animal típico da reserva do Bicuar é o búfalo preto que ainda não foi visualizado. Os trabalhos continuam para a sua localização. Como é sabido, o objectivo dos parques é proteger áreas naturais de significado nacional e internacional para fins espirituais, científicos, educacionais, recreativos e turísticos. O Executivo também está a trabalhar para que haja recreação dentro dos parâmetros estabelecidos internacionalmente, de ver animais e apreciar paisagem. O parque faz limite com os municípios do Quipungo, Matala e Gambos.

Os postos de fiscalização estão intactos?
Sem dúvida. Em várias ocasiões, visitámos os postos de fiscalização de Tchimbolelo e outros e verificámos que foi feita, com acções do Executivo, a abertura de picadas entre Tchimbolelo até a lagoa Tchimpampaina, numa distância de 42 quilómetros. Fez-se ainda a abertura de outras picadas do lado do Quipungo. Como sabe, a reserva está ligada ao território da Matala e nas visitas verificámos que os trabalhos são abrangentes, até ao posto de fiscalização da Tunda dos Gambos, Mulondo, acampamento central, Capelongo, lagoa do Malipi, Matemba, Bicuar 1 e 2, Vicussuque, posto de fiscalização de Hombo, Nongalafa e a respectiva vedação de Hombo.

Com isso está-nos a dizer que há segurança nesta importante reserva?
Em várias visitas, seguimos também o nosso governador provincial, que continua preocupado com aquela reserva natural, onde integram sempre o director provincial da Agricultura, Desenvolvimento Rural, Pescas e Ambiente, Lutero Campos, e membros do governo provincial. O Bicuar apresenta uma média anual de 18,7 graus Celsius. Junho é o mês mais frio. Setembro e Outubro são os mais quentes. A precipitação anual média atinge 960 milímetros cúbicos e a humidade média anual é de 50 por cento. O clima é tropical húmido a Norte do parque e seco a Sul, na zona dos Gambos, o que faz com que os animais estejam em circulação contínua dentro do parque, o que lhes favorece. Manter os atributos ecológicos, geomorfológicos sagrados e estéticos que garantiram a designação, eliminar e prevenir a exploração e ocupação contra os objectivos da indicação são factores defendidos pelo Executivo.

Já se pode falar na reprodução de animais em maior escala?
De facto sim. Os animais estão em reprodução. As matrizes continuam a aumentar com o processo de reprodução.

O medo dos animais ainda prevalece?
Já há melhorias significativas. O medo ainda pode prevalecer nos animais, mas, com o tempo, a realidade vai ser diferente. Quero dizer que quem se desloca, para interior da reserva, consegue ver algumas manadas. Dentro de 1 a 2 anos a divisão de animais vai ser ainda maior. Foram criadas lagoas que estão a permitir que o abeberamento seja efectivo no interior do parque e a recuperação de infra- -estruturas de apoio aos fiscais consta ainda do programa a ser desenvolvido pelo Ministério do Ambiente e o governo provincial da Huíla. No quadro do programa de requalificação e fiscalização, já estão em curso obras de abertura de novas picadas para facilitar a administração e o patrulhamento de caçadores furtivos.

As várias acções podem facilitar com que o turismo seja uma fonte de rendimento para as receitas do Estado?
Sem dúvida. Quipungo pode ser uma referência giratória para os turistas que se deslocam à província e não só, tendo como referencia o Parque Nacional do Bicuar. O que nos falta para fazer do Bicuar um ponto de referência para visitas é mesmo a recuperação da estrada que liga a sede municipal até ao centro do Bicuar. Teremos pelo menos uma mais-valia para o município, num percurso
de mais de 35 quilómetros.

O número de fiscais satisfaz?
O número de fiscais destacados pelo Ministério do Ambiente em conjunto com o governo provincial da Huíla é suficiente, o que tem ajudado o manter a tranquilidade dos animais. A única preocupação que tem sido manifestada pela administração daquele parque prende-se com meios rolantes, tais como motorizadas, carros e meios de comunicações. A aquisição de mais equipamentos como botas e uniformes, sistemas de comunicação interna com GPS e rádios VHD são prioridades da direcção do parque. O parque nacional de hoje não tem nada a ver com o de ontem. Hoje, o parque vive um clima de tranquilidade, o que está a motivar o regresso e a multiplicação dos animais, o que responde aos objectivos da sua criação.

Qual é o actual grau de desenvolvimento do Quipungo?
O município do Quipungo não está alheio à realidade de outros municípios. Os projectos desenvolvidos pelo Executivo e o governo provincial conferem-nos, actualmente, um contexto completamente diferente. O crescimento é abrangente na área da economia social, desportiva e cultural. A circunscrição é um potencial na produção de cereais como milho, massango e massambala. É forte na produção de tubérculos como batata-doce e mandioca, leguminosas como feijão, amendoim ou ginguba, citrinos como mangueiras, limoeiros, laranjeiras e outros. O nosso município é, igualmente, potencial na criação de gado bovino, caprino, suíno e galináceos e tem ainda como recurso mineral o granito negro, que é explorado nas comunas de Chikungo e Chikonkho e ainda com abundância da fauna e a flora em toda a sua extensão, tendo como referência a reserva do Parque Nacional do Bicuar.

Quais são as construções feitas de vulto na região?
Antes, quero dizer que o município, como outros pontos do país, após a independência e no período da guerra era desprovido de infra-estruturas que fossem de encontro à actual demanda, tendo em conta o crescimento demográfico e da localidade. Com a paz, o Executivo acelerou o processo para erradicar também o analfabetismo e começaram a surgir quadros capazes de fazer crescer o município. Com os programas previamente elaborados, primou-se pela formação de quadros locais nas áreas da educação com o envio de quadros em regime de bolseiros ao Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED) -Huíla, técnicos veterinários, carpinteiros e mecânicos. Com a paz, a partir deste período, a par do país e outras localidades da província, Quipungo continua a registar
avanços significativos.

Quipungo é um município potencialmente agrícola. Qual é o estado actual no sector da agricultura?
Gostaria de particularizar que para a nova campanha agrícola 2015/2016, o município do Quipungo tem preparados 65.250 hectares de terra que estão a ser trabalhados. Caso as chuvas caiam com regularidade e é o que nós esperamos, a previsão é colhermos 1.500 quilogramas por hectare, o que perfaz 97.875 toneladas de cereais diversos, tais como milho, massango e massambala. Para a nova campanha agrícola, a par das anteriores, os agricultores e famílias camponesas foram potenciados com imputs agrícolas, como sementes, fertilizantes e instrumentos de trabalho, tais como enxadas europeias, catanas, charruas, correntes e lima.

Como tem sido a participação directa da população na produção agrícola?
A população camponesa tem estado a participar de forma salutar no processo produtivo do município e a distribuição de sementes tem sido bem correspondida, pelo que continua a aumentar os níveis de colheita e a diversificação da economia. Quipungo tem organizadas mais de 20 associações de camponeses.

O município é atravessado pelos Caminhos-de-Ferro de Moçâmedes. Qual é o ganho que o comboio está a trazer para a localidade?
O ganho que se tem com a reabilitação e, consequentemente, a circulação regular dos comboios é enorme. O comboio é um meio de transporte mais barato. Sendo o Quipungo um município potencialmente agro- -pecuário, neste momento, a população tem a vida mais facilitada na transportação dos seus bens para fins comerciais e não só. A transportação das populações e dos bens que são produzidos no município para as cidades do Namibe e Menongue, província do Cuando Cubango, é efectiva. O caminho-de-ferro é um bem indescritível. No município, realmente reabilitou-se o caminho--de-ferro e as estações. Hoje, já se tem muita movimentação da população. Quipungo é também atravessado pela estrada nacional 280, completamente reabilitada e faz com que a população se sinta à vontade nas suas múltiplas deslocações.

A mesma circulação é abrangente nas áreas rurais?
Devo dizer que apesar de não ser completa, as acções continuam. Existe um programa de reabilitação de pontes que ganhou muita dinâmica na nossa região. Hoje, apesar de não ser ainda conforme gostaríamos, os ganhos já são visíveis, porque as populações que vivem nas comunas e aldeias já podem circular de uma região para outra, mesmo na época chuvosa. Para facilitar o escoamento dos produtos do campo para a vila de Quipungo, estava, prevista ainda este ano, a recuperação da estrada que liga a estrada nacional 280 até à Missão Católica do Sendi. Infelizmente, devido à actual conjuntura, a acção está reprogramada para o próximo ano. Mas ainda assim, a circulação é feita com naturalidade.

Quais são as outras construções feitas no município ao longo dos tempos?
Como é sabido, a saúde é vida. Nesta conformidade, com vários programas desenvolvidos pelo Executivo, governo provincial e a própria administração municipal, no quadro dos programas de investimentos públicos (PIP), municipal de desenvolvimento Local (PMDL) e do grandioso de combate à fome e à pobreza (PMDRCFP), foram construídos um novo centro municipal de saúde e de postos médicos nas comunas de Chikonko, Cainda, Hombo e Chicungo. A reabilitação do actual centro de saúde e a colocação de médicos fizeram com que os serviços de assistência médica e medicamentosa às populações locais melhorassem significativamente. Quero ainda particularizar que, nos últimos tempos, a assistência sanitária à população do município do Quipungo, estimada em 146.914 habitantes, melhorou significativamente com a funcionalidade do centro municipal de saúde na sede do município e de outros postos de saúde
erguidos nas comunas.

Foram apenas estas as realizações aqui no município?
Foram construídas escolas, hospitais, repartições municipais da Educação e da Saúde, aumentámos também a capacidade de atendimento às mulheres grávidas e elevou-se o numero de pontes a nível das localidades, o que faz com que a qualidade de vida das famílias mudasse substancialmente. A ampliação da maternidade da comuna do Sendi está a permitir que as mulheres da região passem a efectuar partos com mais dignidade. Foram apetrechados o novo centro municipal moderno e os postos médicos novos. O ganho fez com que a assistência sanitária fosse mais abrangente”. Na área da saúde não é tudo. Construímos ainda a morgue no hospital municipal, adquirimos seis ambulâncias para evacuação dos doentes da sede à cidade do Lubango, para casos graves e a aquisição de 8 viaturas para serviços administrativos, transporte do pessoal e medicamentos. Graças aos 13 anos de paz, o nosso município continua a crescer de forma salutar. Com vários programs, o município ganhou ainda uma escola de seis salas de aula para atender o ensino secundário do II ciclo, a reabilitação da residência oficial, ampliação da administração municipal e a abertura de 4 furos de água nas
4 comunas, excepto na sede.

E no sector da educação?
Construímos, recentemente, uma escola de seis salas de aula na comuna do Chicungo-Eyó, Chikonko-Maputika, Hombo-Chingoli. Estamos também a erguer a repartição escolar na comuna sede. A vedação do cemitério municipal e a construção de um posto de saúde na Cainda-Tchonga, na localidade de Vitengue, de uma ponte sobre o rio Maputica e da Estação de Tratamento de Água (ETA) são outros ganhos que orgulham os habitantes. O crescimento na área da educação continua. Reabilitou-se e vedou-se duas escolas na sede municipal, construíram -se de 20 latrinas na sede municipal, uma fábrica de blocos na comuna sede, construiu-se e apetrechou-se a cozinha comunitária e 4 farmácias na sede comunal de Chiconko, Hombo e Sendi. Construímos ainda com fundos do programa de combate à fome e à pobreza, um jango comunitário, colocou-se uma rádio comunitária, construiu-se de uma manga de vacinação, instalou-se uma fábrica de blocos, comprou-se e colocou-se de uma banda larga da internet na sede municipal do Quipungo.

O comércio é efectivo?
Sem dúvidas. Quero informar que antes os vendedores procediam à venda numa zona muito arriscada. A única e o antigo mercado informal estavam localizadas ao longo da estrada nacional 280. No quadro do programa de combate à fome e à pobreza, foi construído um novo mercado que está a permitir que os vendedores da sede municipal de Quipungo tenham melhores condições. Com o funcionamento do mercado, os vendedores e os clientes participam do processo com mais segurança. Ainda no quadro do mesmo programa, construímos e reabilitámos a administração municipal, a casa de função, nove casas evolutivas, passeios na orla da administração e construiu-se e apetrechou-se o Comando municipal da Polícia Nacional. Quero ainda dizer que, ao longo do ano passado, foram ainda construídas 2 casas de função, uma ponte sobre o rio Kayumbua, abertos quatro furos de água e comprados geradores
para a residência oficial.