O processo de industrialização nacional prossegue de forma célere e com bases sólidas, numa clara demonstração de comprometimento com a realização dos programas de governação definidos para até 2025. O gestor e consultor Nsingui Malongui advoga estarem a ser dados passos concretos que visam a reindustrialização do país.

Como avalia o programa de diversificação da economia nacional?
O programa de diversificação económica era necessário e chegou em tempo oportuno de modo a reduzir o peso excessivo do sector petrolífero na economia nacional, pois todos sabemos que a volatilidade destas commodities a deixa altamente vulnerável a choques externos a nossa economia.

Será que o programa está a ser encaminhado da melhor maneira?
Muitas questões têm-se levantado sobre a forma como está a ser encaminhado esse processo. Na minha modesta opinião, acho que ele está a ser bem encaminhado. Seguramente, a médio longo prazo produzirá bons resultados.

Quais os sectores em que acha que se devia prestar maior atenção, visto que este segmento da economia não mineral ajuda sempre na criação de novos empregos?
O programa “Angola Investe” abarca aqueles que são os sectores a que se devia dar atenção, designadamente, o sector primário e secundário, quer para o processo de diversificação da economia nacional, quer para a criação de mais postos de trabalho.

Qual a sua opinião sobre o programa de industrialização em curso no país?
Depois de um processo violento de desindustrialização conhecido com o alcance da independência em 1975, o Executivo tem estado a levar a cabo acções para a industrialização do país, programa traçado para até 2025. É um processo de reindustrialização muito ambicioso, que acredito que vai produzir bons resultados.

O que representa para Angola o interesse de empresários estrangeiros, sobretudo espanhóis em investirem no sector agro-industrial?
O interesse de empresários estrangeiros em investir em Angola no sector agro-industrial e sobretudo espanhóis que possuem já uma relação de amizade e cooperação de longa data vem reafirmar que Angola é um mercado onde há grandes oportunidades, conseguido grandemente com a estabilização macroeconómica alcançada pelo país e a abundância de recursos naturais, que têm impacto no aumento da produção nacional, bem como a criação de novos postos de trabalho.

E o sector das pescas é o caminho para potenciar a economia?
Sim, o sector das pescas também é um dos caminhos para potenciar a economia e tem merecido atenção do Executivo, tanto que no plano nacional para o quinquénio 2013/2017 constam projectos de apoio às pescas.

Mais de 200 empresas entraram para o sector petrolífero. Será que o processo de angolanização vai ser concretizado em pleno?
O processo de angolanização surge pela necessidade de se garantir a protecção e a defesa do mercado de trabalho nacional, a par da sua evolução técnica especializada em função do elevado grau científico e tecnológico da indústria, propenso à penetração de mão-de-obra estrangeira em detrimento da nacional, criado o decreto 20/82 que regula tal matéria. Outra não menos importante questão que se coloca é o cumprimento. Se as empresas cumprirem certamente este processo se concretizará.
 
Qual é sua opinião sobre a entrada do novo regime cambial para o sector petrolífero?
A entrada do novo regime cambial para o sector petrolífero vai uniformizar as práticas cambiais, assegurando o uso do kwanza nas transacções internas, concorrendo para uma acção mais eficaz do Banco Nacional de Angola.

Será que os bancos estão preparados para este desafio?
Acredito que sim, porque têm sido promovidos pelo Banco Nacional de Angola encontros entre bancários e empresários e outros actores a nível do país sobre a lei do regime cambial aplicável ao sector petrolífero. E  acho que a banca está lançada para os desafios.

O que representa a criação de um fundo soberano em Angola?
O FSDEA foi estabelecido com o objectivo de promover o desenvolvimento socioeconómico de Angola e atingir rendimentos sustentáveis a longo prazo que venham a favorecer o povo angolano.

Que ganhos a economia terá com o funcionamento em pleno do Fundo Soberano?
O fundo está actualmente no processo de criação da carta social, que será um compromisso de promover o desenvolvimento social e económico. Isto se reflectirá positivamente na vida de todos os angolanos.

Será que Tesouro Nacional está bem servido com a nomeação de Leonel Silva?
Por acaso a Direcção Nacional do Tesouro esta bem servida, por se tratar de um quadro da casa e com qualidades técnicas reconhecidas.
 
Qual a sua opinião sobre a autorização para licitação de mais blocos petrolíferos na bacia do Kwanza?
Contribuirá para o aumento da produção de petróleo e promoção do empresariado nacional a inserção no sector petrolífero, atrair o investimento nacional e internacional e novos participantes para a indústria petrolífera em Angola.

Já agora, Angola vai ultrapassar a Nigéria na produção petrolífera em 2014?
Angola em 2014 poderá ultrapassar a Nigéria e passa a ser o primeiro produtor africano de petróleo, tudo devido às dificuldades internas naquele país; a produção tem estado a cair e Angola vai aumentar a produção de forma significativa no próximo ano.

A Filda já é um barómetro para avaliar o crescimento da economia nacional?
A Filda é um indicador, mas há ainda outras variantes que se devem determinar para se avaliar o crescimento da economia nacional.

O volume de participação de empresas estrangeiras é sinal de que Angola é vista com bons olhos?
Angola surge como o sétimo destino do Investimento Directo Estrangeiro (IDE) em África e o terceiro na zona subsahariana, para notar que não é por acaso que cresce o número de empresas a cada edição e dizer mesmo que todos os olhos estão voltados para o nosso país, o que representa uma conquista.