O Banco de Investimento Rural (BIR), uma das últimas instituições autorizadas a operar no mercado nacional, tem um plano traçado que consiste em apoiar iniciativas ligadas ao sector agro-industrial do país. Em entrevista ao JE, a administratora executiva, Fernanda da Silva Santos, disse que, neste momento, decorre a análise de projectos em carteira para que se iniciem com os financiamentos. O BIR tem um capital inicial de 12,5 milhões de dólares.

Por que razão se escolheu Malange para a abertura da primeira agência do Banco de Investimento Rural (BIR)?
Deveu-se ao facto de a província oferecer condições climatéricas e geográficas adequadas. É uma decisão resultante dos nossos estudos de viabilidade económico-financeira realizados. Nós achamos que Malange possui um clima e solos adequados que permitem o crescimento rápido do agro-negócio e pelas facilidades que possui geograficamente para permitir o acesso rápido a outras regiões do país. As províncias do Norte oferecem mais comodidade e solos tipicamente aráveis que se tornam uma combinação bastante positiva na implementação de projectos agrícolas.

Quais são as instituições que já solicitaram os vossos serviços?
Os camponeses e cooperativas agrícolas, apesar de nos encontrarmos ainda numa fase de organização interna e de análise em termos de procedimentos. Além de Malange, nós temos também recebido solicitações de empreendedores das províncias de Luanda, Benguela, Uíge e Huíla, o que demonstra confiança e espírito de progresso do banco.

Que importância tem a colaboração entre o BIR e o Inapem?
Há uma enorme colaboração entre nós, pois eles direccionam os investidores que estejam interessados em apostar no agro-negócio a procurarem directamente o BIR, uma tarefa que ajuda muito para o normal funcionamento do Inapem.

Como é que o BIR pretende ajudar as cooperativas locais?
Pretendemos trabalhar no apoio à organização interna das mesmas, que inclui a formação do pessoal através de seminários ligados ao cooperativismo e posteriormente começarmos a pensar na cedência de crédito. O apoio a ser concedido às cooperativas vai permitir com que elas sejam facilmente integradas no processo de diversificação da economia nacional. Apesar de o cooperativismo em Angola ter começado há bastante tempo, penso que ainda é um processo com um desenvolvimento lento, pois necessita de um maior engajamento de várias sensibilidades público-privadas. Com a aprovação final da lei das cooperativas, julgo que o nosso trabalho vai ficar mais facilitado, na medida em que o banco para dar um crédito a qualquer instituição deve fazê-lo com base num diploma legal. Temos experiências do Brasil, onde as cooperativas contribuem com mais de 35 por cento para o produto interno bruto (PIB), sobretudo no sector do agro-negócio.

Então querem trazer esta experiência para Angola?
Exactamente. Nós possuimos condições favoráveis e resta-nos apenas explorá-las no sentido de apostar-se nas cooperativas e começar a gerar riqueza. Nesta ordem de ideia, queremos incentivar também as cooperativas a despertarem as atenções no sector industrial, no fornecimento de matéria-prima, criação de gado e noutras áreas afins, para posteriormente contribuírem para a diversificação da economia nacional.

Será que o banco pode também conceder crédito às grandes empresas que actuam no sector do agro-negócio, sobretudo as que funcionam nos pólos agro-industriais existentes no país?
Ainda não pretendemos virar a nossa atenção para esta vertente ou financiar grandes projectos que exigem quantias muito elevadas. Mas, garanto-lhe que temos verbas suficientes para priorizar as pequenas e médias empresas, que actuam em diferentes ramos do agro-negócio, desde a comercialização de productos agrícolas, instalação de fábricas para a produção de conservas à criação de gado.

A seguir a Malange, quais são as províncias onde o banco pretende abrir novas agências?
Vamos para as que oferecem maiores oportunidades de implementação de projectos agrícolas, no caso de Cuanza Norte, Cuanza Sul, Huambo, Benguela e outras onde há um potencial bastante expressivo para se desenvolver o agro-negócio.

Apoiar o sector agro-industrial é a forma encontrada pelos accionistas do BIR, a fim de responder ao apelo do Executivo para a diversificação da economia nacional?
Naturalmente. Nós somos um banco de capitais inteiramente nacionais. Queremos incentivar mais os investidores a apostarem no agro-negócio, razão pela qual estamos a trabalhar ainda na formação profissional. Vamos ainda responder ao apelo do Executivo na geração de emprego. Prova disso, foi a abertura deste banco, tendo proporcionado emprego a seis jovens da província de Malange, recrutados localmente e que foram treinados em assuntos ligados ao investimento rural. Um dos nossos grandes objectivos é ajudar a diversificar a economia nacional a partir do agro-negócio. O nosso banco surge numa altura em que o país está a fazer uma verdadeira aposta no sector agrário, o que coincide com a actividade primordial do banco, que é o agro-negócio, no qual está enquadrada a agricultura. Com uma aposta verdadeira no agro- -negócio, poderemos também evitar o êxodo rural, porque muitas populações não vão ter de fugir das suas zonas para ir à procura de emprego ou melhores condições de vida nas localidades mais desenvolvidas, por isso nós pretendemos alargar-nos para as zonas rurais.