O presidente da Anavi, Rui Santos, disse em entrevista ao JE que, apesar de se registar uma gritante falta de ração para a criação de aves e consequentemente ovos, por falta de divisas, nos últimos meses não se registou a subida no preço. Ainda assim, o produtor recomenda um conjunto de acções que poderão concorrer para que os níveis de produção interna possam ajudar a alavancar ainda mais este importante sector produtivo.

Como presidente da Associação Nacional de Avicultores de Angola (ANAVI), que avaliação faz da produção de ovos no mercado nacional?
A produção de ovos no mercado nacional regista uma variação constante que conheceu uma certa estabilidade nos últimos meses. Porém, sempre que é final do ano, a procura aumenta, dado o contexto festivo obrigando os produtores a um exercício mais aturado, mas temos sabido dar resposta às necessidades do mercado nacional, pois, nos últimos anos, os ovos não registaram muita variação em termos de preço.

Actualmente existem quotas definidas entre a produção nacional e a importação do ovo no mercado nacional?
Desde de 2016 que a Anavi negociou vantagens em relação ao fim da importação de ovos, pelo que têm sido assegurados pela produção nacional embora cada vez mais diminuta pelas dificuldades acima apresentadas.

Quais são os principais desafios desta cadeia produtiva?
Os desafios para tornar o mercado de produção de ovos cada vez mais sustentável passam justamente, pela melhoria da interação com o Executivo e o aumento da interação com os agricultores, pois são estes que produzem a ração para o consumo animal, sobretudo o milho e soja para as aves, o repovoamento da capacidade cada vez mais ociosa, dar início a produção de carne de frango e melhorar as infra-estruturas, que vão desde pavilhões, matadouros, reprodução a encubação.

Quais são os principais desafios do sector da avicultura nesta altura?
Os principais desafios passam justamente pela obtenção de divisas para a importação de insumos a fim de garantir a dieta alimentar das aves, de modo a assegurar o seu bem-estar e vitalidade suficiente para a produção de ovos.

Que soluções podem ser apontadas para se dinamizar a produção da ração no mercado nacional?
Enquanto produtores entendemos nós que as soluções passam pelo aumento da produção dos grãos de soja e milho, em primeiro lugar, potenciar a produção da ração no mercado nacional, produzir o zinco e calcários de modo a potenciar a produção interna. De recordar que de algum um tempo a esta parte, Israel apresentou a proposta de instalar uma indústria para a produção de adubos, fertilizantes e derivados que poderiam dar valor acrescentado à produção de ração animal a nível nacional.

Há muitas empresas a fechar neste segmento em virtude da conjuntura económica?
Sim! O último balanço do sector mostra que perto de 70 por cento das pequenas e médias empresas do sector estavam paralisadas, e decorrem esforços para se manterem no mercado.

O que está a ser feito para se melhorar a produção interna de aves?
Há um conjunto de esforços que estão a ser feitos para fomentar a produção nacional e assegurar as poucas fazendas com pintos em crescimento. Quanto à ração avicola, está em curso uma campanha de identificação de focos de produção de milho a nível nacional. As províncias do Huambo e Bié estão melhor posicionadas em termos de produção do grão, pelo que a meta é fomentar a aquisição do milho e transformá-lo para assegurar a dieta alimentar das aves nas diferentes fazendas um pouco por todo o país.

O milho constitui o principal elemento para a produção da ração, o que lhe oferece dizer sobre os indicadores na produção do milho nas províncias do Huambo, Bié e Huíla?
Os levantamentos feitos indicam que o país de modo particular as províncias do Huambo e Bié, os níveis de produção anual rondam aproximadamente a 100 toneladas de milho , muito longe ainda em termos de produção da soja. Esperamos que as autoridades, representados pelo Ministério da Agricultura e Florestas, apostem neste segmento para que possamos ter milho e soja suficientes para assegurar o mercado interno. Por outro, os produtores perdem comprar o milho e dar directamente as aves. Seria bom que se criasse uma cadeia efectiva que transformasse o milho. Retira o lúpulo para produção da cerveja, o trigo para o consumo e o farelo para o consumo animal.

Que saída pode apontar para potenciar os recursos humanos no sector?
O mercado não oferece condições para a formação de quadros no sector. Os poucos formados um pouco pelas escolas agrárias são a nível médio e superior, longe de atingir e assegurar a demanda e as necessidades internas. Temos recorrido sobretudo à formação “one job” (formação no local), para encaminhar os trabalhos. Todavia, a associação está a envidar esforços para a construção de uma escola técnica com o objectivo de apoiar o crescimento do sector.

Pode indicar as principais unidades que asseguram a produção de ovo no mercado nacional?
Na lista dos principais produtores do ovo a nível nacional, consta empresas como a Kikovo e Avinova.

O país já explora de forma efectiva as várias utilidades do ovo?
O país ainda não começou a explorar de forma efectiva os benefícios do ovo. Existem intenções para a instalação de indústrias que podem utilizar o ovo para a indústria de cosméticos, molhos e temperos, pelo que, continuamos a aguardar pela implementação efectiva destas iniciativas empresariais.

Que avaliação faz das políticas de importação em vigor e de modo particular para o sector que participa?
A política de importação em vigor no país não está ajustada às políticas de asseguramento das micro, pequenas e médias empresas, pois estas conseguem retirar mais dividendos desta pauta aduaneira.
As micro, pequenas e médias empresas são sempre as mais prejudicadas.

Quantos membros integram associação de Avicultores de Angola?
Actualmente, a Associação controla um total de 120 produtores, mas estamos a crescer cada dia que passa. O nosso objectivo é congregar todos numa única plataforma.