A atractividade do mercado de seguros em Angola, face ao enorme potencial de crescimento que apresenta, continua a motivar os investimentos das empresas que actuam neste importante segmento financeiro. A operadora GA-Angola Seguros está de olhos postos noutros mercados do continente.

Sabemos que a GA sofreu recentemente alterações na sua estrutura accionista. Pode explicar-nos que alterações ocorreram?
A Colina Participations, empresa constituída ao abrigo das leis da Costa do Marfim e subsidiária da Sahan Finances, comprou 49,9 por cento das acções da GA-Angola Seguros, SA Com esta operação, a Sahan Finances contribuirá significativamente para o desenvolvimento do mercado segurador angolano, através da sua experiência desenvolvida e implementada em vários países africanos, onde a Saham Finances e a Colina têm trabalhado. Esta aquisição significa que a GA-Angola Seguros, SA faz parte de uma das maiores Seguradoras de África, com representação no Benim, Quénia, Ghana, Congo, Nigéria, Burkina Faso, Níger, Guiné, Costa do Marfim, Camarões, Mali, Gabão, Senegal, Togo, entre outros, e irá ampliar a sua gama de produtos, aumentar a sua capacidade de subscrição bem como fortalecer os seus serviços a clientes nacionais e internacionais.

Esta mudança motivou a saída de uns. Que os ajustamentos foram efectuados na estrutura societária?
Na sequência da alteração na estrutura accionista, o accionista fundador, o senhor Robert Lewis, renunciou à sua posição de pre-sidente de Comissão Executiva, tendo-lhe sucedido o gestor Fer-nando Dolbeth de Assunção, que tem já uma longa e bem sucedida relação com o mercado segurador angolano, que irá liderar a companhia nesta emocionante fase de desenvolvimento em que se encontra.

Que ganhos se podem reflectir na vossa actuação de mercado?
A One Alliance Limited fundou a GA Angola Seguros em 2005 e foi a primeira seguradora privada a obter uma licença desde a independência de Angola, em 1975, quando todas as companhias de seguros privadas foram nacionalizadas. Desde essa data, a GA Angola Seguros tem demonstrado um crescimento excepcional. As receitas brutas, provenientes de prémios, irão ultrapassar os 210 milhões de dólares este ano, contra os 160 milhões em 2012, cerca de 15 mil milhões de kwanzas. Ainda desde 2005, onde apenas existiam duas empresas seguradoras ambas detidas pelo Estado Angolano, até 2013, o mercado segurador angolano expandiu-se rapidamente, com um total de 15 companhias de seguros licen-ciadas para os ramos não vida e vida. Apesar de a economia estar em rápido crescimento, o sector segurador é dominado pelas três seguradoras de topo: AAA, parcialmente detida pela Sonangol, que controla 100 por cento do mercado de petróleo e gás; Ensa, a seguradora pública que integrou todas a empresas seguradoras nacionalizadas em 1974 e a GA-Angola Seguros. Entre as três seguradoras de topo, estima-se que controlem cerca de 93 por cento do mercado, o que deixa uma pequena percentagem do para as outras restantes 12 seguradoras.

O que altera com a entrada da Saham Finance no mercado?
A Saham Finances assume o compromisso de ser uma seguradora de referência no mercado, primando pela qualidade e excelência dos seus serviços e colaboradores e irá reforçar essa excelência através da oferta de novos produtos e serviços por toda a África. O objectivo da GA- -Angola Seguros, SA é e continuará a ser prestar o melhor serviço e ir ao encontro das necessidades dos seus parceiros de negócios, desenvolvendo sãs e cordiais relações entre os actuais e potenciais parceiros, contribuindo para o crescimento e desenvolvimento da economia angolana. Angola é, neste momento, uma das economias mais dinâmicas do continente africano e um grande objectivo na estratégia da Saham Finances.

Este crescimento significa mais escolha e melhor serviço para os clientes?
Houve um desenvolvimento extremamente rápido do mercado. Há 12 anos havia uma seguradora estatal que cobria todos os sectores de seguro em Angola. Hoje em dia temos 15 seguradoras registadas. O uso de intermediários tornou-se mais comum e as seguradoras estão a expandir a sua rede de agências, embora a Ensa possua, de longe, o maior número de agências. Os tomadores de seguro têm possibilidade de escolher entre diversas companhias de seguro e de produtos, incluindo seguro de vida e o médico.

O que espera do programa de reestruturação em curso no sector?

Na nossa opinião, o mercado vai crescer ainda mais e, nos próxi-mos anos, as seguradoras terão de diversificar os seus produtos e oferecer produtos mais especializados, como seguro com cobertura para actos jurídicos, seguro apenas para mulheres, etc. A entidade reguladora de seguros também evoluiu rapidamente e terá uma influência consideravelmente maior no mercado à medida que estes produtos se forem desenvolvendo. Os seguros obrigatórios serão reforçados e as entidades patronais terão de prestar uma atenção especial aos requisitos relacionados com a responsabilidade civil dos empregados, automóvel e por danos patrimoniais.

Em que medida a estratégia definida pelo sector dos seguros está em consonância com as expectativas do mercado?
O crescimento do volume de negócios tem sido fenomenal, situação que pode ser atribuída a um conjunto de factores. Em primeiro lugar, no passado, várias companhias colocaram os seus seguros ilegalmente, junto de seguradoras offshore, uma vez que era mais barato devido à ausência de concorrência; era mais seguro (apesar do facto de o cliente ter, na realidade, perdido todos os seus direitos legais); o número de efectivos da entidade reguladora não era suficiente anteriormente e tinha recursos limitados. Embora o número de companhias de seguros tenha aumentado, também aumentou o número de pessoas que subscrevem seguros. Do ponto de vista da GA, estamos muito entusiasmados com o crescimento do mercado e, em particular, com o dos seguros relativos aos riscos das grandes empresas e orientados para o cidadão comum.

Pensa que Angola possui um mercado suficiente para satisfazer as necessidades dos diversos segmentos sociais?
Sim, existem produtos de que o mercado precisa sob a forma de seguro médico, benefícios dos empregados, responsabilidade civil automóvel, responsabilidade civil ambiental, aviação, seguro marítimo, seguro de construção e engenharia, que cobre igual-mente mineração, seguro industrial, indemnização de acidentes de trabalho, obrigações e garantias, pensões e seguro de viagem nacional e internacional. Virtualmente, todos os tipos de riscos de seguro podem ser cobertos no mercado mas, se houver algum que não o possa ser, poderá ser subscrito internacionalmente e a companhia de seguros angolana poderá depois ressegurar esse risco.

Estamos a avançar para uma verdadeira cultura de seguros?
No nosso entender, uma grande percentagem da população já começou a beneficiar da cultura de seguros. Qualquer empregado que trabalhe em Angola tem seguro obrigatório para acidentes de trabalho que a empresa é obrigada a contratar. Além disso, qualquer pessoa que possua um automóvel que circule nas estradas de Angola é obrigada a contratar o seguro automóvel contra terceiros. A penetração total continua a ser muito reduzida por oposição a outros mercados comparáveis. Como percentagem do PIB, a penetração dos seguros de vida situa-se em 0,06 por cento, da população, por oposição a 2,5 e 5 no Botswana e na Namíbia, respectivamente. A penetração dos seguros não vida é de 0,65 por cento em Angola por oposição a 1,15 e 1,74 no Botswana e na Namíbia, respectivamente.

Que contribuição a GA Angola Seguros, SA fez para melhorar a gestão de risco e participar no desenvolvimento económico e social de Angola?
O seguro não vida esteve na base dos sinistros durante vários anos. No caso da GA-Angola Seguros, pagámos três sinistros enormes (acima de 20 milhões de dólares). As companhias que não tivessem o apoio que nós temos, ter-se-iam, sem dúvida, retirado do mercado. Não temos dúvidas que a GA não é a única seguradora a ter pago grandes sinistros. O sector dos fundos de pensões ainda se encontra numa fase inicial e só na próxima década, quando parte da população se começar a reformar, é que veremos os benefícios. Angola possui uma população muito jovem, pelo que o sector dos fundos de pensões constitui uma área de grande crescimento. O sector dos seguros de saúde está em rápido crescimento e há diversos concorrentes. Na realidade, os prémios de seguros de saúde em Angola são uma das poucas coisas mais baratas do que em qualquer outra parte do mundo. Estes baixos preços não vão durar para sempre mas a procura e a concorrência criaram um ambiente saudável para o consumidor.

Qual é a estratégia definida pela companhia para aumentar a sua carteira de negócios, capitalizar os activos e aumentar o valor para os accionistas?
O ponto mais forte da GA-Angola Seguros é a sua capacidade para lidar com riscos de seguros complexos e volumosos. Isto foi con-seguido reforçando-se as sólidas competências de subscrição e de pessoal altamente qualificado em Angola. Temos uma vantagem competitiva devido ao facto de determinarmos os preços no que diz respeito à maioria dos riscos em vez de recebermos os preços das resseguradoras. Pre-tendemos aproveitar essas competências e continuar a criar oportunidades para que os nossos clientes minimizem os riscos e a imprevisibilidade através da colocação de seguros. Além disso, aumentámos a nossa rede de agências para 6 com o objectivo de vender mais seguros ao cidadão comum e temos diversas parcerias bancárias que nos ajudam a vender seguros. Temos igualmente 14 pontos de venda em centros comerciais, supermercados e concessionárias de automóveis. O mercado dos seguros automóveis e dos seguros de acidentes de trabalho é cada vez mais competitivo, mas expan-dimos a actividade sobretudo oferecendo um acesso fácil ao cliente. Nutrimos um respeito saudável pelos nossos concorrentes. Embora concorramos uns com os outros, podemos igualmente ajudar-nos mutuamente a expandir o mercado dos seguros em Angola através da cooperação em organizações como a ASAN (Associação de Seguradoras de Angola).

A companhia oferece uma excelente gestão dos recursos financeiros e optimiza a sua rentabilidade?
O maior desafio das seguradoras é encontrar os activos apropriados onde colocar os seus investimentos. O mercado imobiliário continua a ser complexo e é difícil determinar a posse da terra, o que torna complicada a nossa aquisição de propriedade utilizando fundos dos tomadores de seguros. A bolsa de valores ainda não abriu, embora essa situação esteja em vias de mudar, e abriu um mercado de obrigações de empresas para adicionar ao actrativo mercado de Títulos do Tesouro. A abertura da bolsa de valores será um importante evento no desenvolvimento dos mercados financeiros em Angola.

Que tipo de seguros regista o maior volume de cobertura?
No caso da GA-Angola Seguros, os maiores são o seguro de res-ponsabilidade civil, seguido do seguro automóvel e acidentes de trabalho. No mercado em geral, diria que é o seguro de responsabilidade civil, seguido do seguro automóvel. No entanto, nos próximos anos, à medida que abrandarem alguns dos projectos infra-estruturais e as novas explorações petrolíferas estabilizarem, o seguro automóvel tornar-se-á o maior ramo de actividade.

O que já gastaram com pagamento de indemnizações?
Desde que a licença da companhia foi aprovada, em 2005, pagámos mais de 13 mil milhões de kwanzas em sinistros.

O seguro obrigatório de responsabilidade civil automóvel correspondeu às expectativas criadas?
O seguro de responsabilidade civil automóvel está a ser introduzido gradualmente. O processo está a efetuar-se a um ritmo lento a fim de permitir às seguradoras e ao público adaptarem-se ao novo sistema. Inicialmente, esperávamos que a procura continuasse e, após termos assistido ao aumento súbito da procura, associado às limitadas instalações de todas as seguradoras, expandimos consideravelmente os nossos pontos de venda. Não somos os únicos a envidar estes esforços. Todas as seguradoras aumentaram a sua presença e abriram pontos de venda na maioria das principais cidades em Agola.

Há muitas pessoas a comprarem seguro de responsabilidade civil automóvel?
Registámos um enorme aumento desde que o seguro se tornou obrigatório. Ao mesmo tempo, registámos igualmente um enorme aumento do número de funcionários que tratam dos sinistros na companhia. No passado, os nossos sinistros eram caracterizados pelo seu baixo número mas, quando nos era apresentado um sinistro, este tinha um valor muito elevado em proporção ao tamanho da nossa carteira. Estamos agora a assistir a sinistros com maior frequência, embora com um valor mais baixo por sinistro.
Tal como acontece com outras companhias de seguro, a vossa está igualmente relutante em proporcionar seguros agrícolas. Porquê?
A GA está interessada em subscrever seguros agrícolas mas não temos assistido a muita procura destes seguros. Temos várias resseguradoras que estão muito interessadas em estudar este tipo de seguros.

Qual é o prémio anual da GA Angola Seguros?
Em 2012, alcançámos um volume de negócios total de 15 mil milhões de kwanzas.