A Feira Internacional de Luanda (FILDA), considerada a maior bolsa de negócios do país, regista a sua 33ª edição, após um ano de interrupção. Com cenário diferente, o evento a decorrer de 26 a 30 do corrente, na Marginal de Luanda, é co-promovido pelo Grupo Arena e Instituto de Fomento Empresarial, órgão afecto ao Ministério da Economia, estando já confirmados 200 expositores, entre nacionais e estrangeiros e consequentemente a garantia da efectivação de parcerias que se traduzirão em negócios.Em entrevista ao JE, a presidente do Conselho de Administração do Instituto de Fomento Empresarial (IFE), Dalva Ringote Allen, aborda a organização e expectativas criadas à volta do certame.

Que expectativas foram criadas à volta da realização da Filda-2017, depois de um ano de ausência?

A Filda-2017 decorre num momento particularmente importante do desempenho da nossa economia. Como é do conhecimento geral, Angola sofre os efeitos da redução acentuada do preço do barril de petróleo nos mercados internacionais. Porém, a feira, enquanto plataforma de fomento e articulação das nossas empresas, constitui uma importante ocasião para a promoção das nossas empresas, propiciando condições de exposição de productos, serviços e geram oportunidade de negócios. Também é um lugar ideal para ampliar a rede de contactos e estreitar interesses com profissionais que estão em constante actualização. Logo, reconhecendo tal oportunidade, a classe empresarial nacional está satisfeita, quer do ponto de vista público, quer privado, há uma receptividade homogênea, e estamos a trabalhar para que o evento exceda as expectativas do mercado.

A mudança de espaço não reduz a grandiosidade do evento?

Entendemos que não, porque marcas podem estrategicamente ser posicionadas de forma diferenciada dependendo da visão estratégica que se tem no acto da sua colocação e a Filda é uma marca de reconhecimento internacional. Logo, muda o local, mas não muda o contexto.
A Filda-2017 não terá a dimensão similar das feiras anteriores, considerando o local escolhido para o efeito.
O nosso Executivo procurou propiciar condições objectivas para a recapitalização da Filda, permitindo que as nossas empresas possam identificar potenciais parceiros mundiais, tomem contacto com novos produtos e equipamentos de tecnologia e mantenham abordagens na perspectiva B2B com entidades internacionais no local.
A maior bolsa de negócios do país tem confirmado um total de 200 expositores das diversas áreas da actividade económica e 11 países como: Portugal, Brasil, África do Sul, Quénia, China, Alemanha, Uruguai, Suécia, Índia, Cuba e os EUA.

Quais são os sectores que já estão inscritos para participar na Filda-2017?

Sector do agronegócio, das bebidas, financeiro, da indústria transformadora, comércio, materiais de construção, serviços, energia e águas, máquinas e equipamentos. Ainda das pescas, saúde, petróleo e gás, tecnologia de informação, transporte logístico, entre outros. Na perspectiva sectorial, tem predominância o sector dos transportes, seguindo-se o de construção.

Quais se esperam mais representativos?

O agronegócio, financeiro, materiais de construção e serviços.

Por que razão escolheu-se o lema: “Diversificar a economia e potenciar a produção nacional, visando uma Angola auto-suficiente e exportadora”?

A escolha do lema da feira está assente na visão estratégica do nosso Executivo referente à diversificação da estrutura económica nacional, através do aumento da produção interna, com destaque para o sector alimentar e concomitantemente garantir a redução e a substituição de importações, por via do aumento da produção, incentivando a produção alimentar, com incidência para os sectores da agricultura e da indústria transformadora.
Que mensagem a organização da feira vai passar aos expositores sobre os programas virados à diversificação da economia nacional?
A crise económica que Angola hoje vive deve ser encarada pelo sector empresarial privado como uma oportunidade para o seu posicionamento estratégico, bem como para a superação da actividade comercial, conquistando vantagens competitivas e buscando soluções potencialmente transformadoras e inovadoras, pois assiste-se no sector privado, no quadro da implementação das políticas e estratégias do Executivo, um papel de relevo na produção nacional e no crescimento económico interno.

Quais os sectores da economia não mineral que acha que deviam ser alavancados, visto ser uma maior fonte para criação de empregos?

O processo de alavancagem de uma economia deve ser parte integrante da estratégia monetária de um país de tal forma que os resultados potenciais positivos ou negativos sejam aprimorados. No nosso caso mais concreto, o Executivo angolano definiu um conjunto de sectores considerados prioritários sobre os quais estão incorporados diversos programas dirigidos. Neste domínio, a priorização da alavancagem deve subscrever-se aos sectores, cuja actividade contribuí para o aumento da produção interna, o que vai permitir a substituição selectiva das importações. Por outro lado, faz-se necessário a adopção de políticas de fomento e de apoio às exportações, através da definição e concessão de incentivos fiscais, que estimulem a competitividade das empresas nacionais.

O que representa para Angola o interesse de empresários estrangeiros em investir nos sectores da economia não petrolífera?

Angola constitui um importante mercado regional, com potencial para o florescimento de projectos de iniciativa empresarial privada, reservando a este o papel decisivo na aceleração e diversificação da economia. Grande parte dos investidores tem apetência pelos mercados emergentes, por serem terrenos mais férteispara encontrar valor do que os mercados desenvolvidos. Na perspectiva do fomento empresarial, investimento no sector não petrolífero, é particularmente importante para o crescimento e desenvolvimento sustentável da nossa economia, sendo que contribuí para a alta taxa de emprego, a formação de capital de produtividade, a melhoria da tecnologia e a redução da pobreza. Na prossecução dos objectivos programáticos previstos no Plano Nacional de Desenvolvimento, o Executivo angolano implementou políticas voltadas ao investimento estrangeiro e nacional nos sectores públicos e privado, tendo aprovado um conjunto de instrumentos de políticas como a Lei do Investimento Privado, consubstanciada num conjunto de incentivos de forma a tornar o mercado angolano mais apetecível aos financiadores externos, as linhas mestras nacionais para o investimento
privado, entre outros.

A Filda já é um barómetro para avaliar o crescimento da economia nacional?

Na generalidade, os barómetros de mercados são dados que representam tendências e podem fornecer informações sobre o desenvolvimento, sobretudo em indústrias específicas, que podem ser indicadores de tendências para a economia e o comportamento do consumidor no mercado ou economia em geral. Na perspectiva de crescimento económico, a Filda já pode servir de um barómetro para medir o desempenho do sector empresarial.

Será que o empreendedorismo juvenil é o caminho para potenciar a economia?

As acções de empreendedorismo constituem parte integrante dos programas de acção fundamentais aprovados pelo Executivo, onde as instituições responsáveis pelo fomento empresarial devem de forma concertada e interligada, apoiar os esforços dos agentes económicos na criação de valor para a economia, através da criação de novas empresas ou do desenvolvimento de novas oportunidades de negócio.

Que espaço está reservado aos jovens empreendedores?

A feira é uma importante plataforma de oportunidade para os empreendedores que desejam expandir e aumentar o facturamento dos seus negócios.

Qual o volume de negócios esperado na Filda-2017?

As feiras são uma plataforma onde as entidades participantes como expositor ou visitante tomam contacto com muitos compradores ou fornecedores num curto período de tempo e em um só lugar. Em função das articulações comerciais mantidas no local, no curto, médio ou longo prazo, consolidam-se as relações e são feitas as grandes transacções.
Nas feiras maiores as taxas de retorno sobre o investimento são alcançadas através de marketing directo e publicidade feita. Isto é principalmente bem-sucedida quando se trata de negócios médios ou pequenos.
Os expositores trazem consigo produtos em escala menor, os quais beneficiam de um estatuto próprio ao abrigo do código aduaneiro. Na eventualidade de se concretizar uma transacção, as estatísticas daí resultantes da feira são reportadas num período a posteriori.

Mulher desafiadora

Nome:
Dalva Maurícia Ringote Allen
Naturalidade: Lobito
Estado civil: Casada
Idade: 42
Filhos: 4
Formação académica: É Licenciada em Gestão e  mestranda em Administração Pública e Finanças pela Universidade Estadual de Colorado (EUA)
Ídolo: Oprah Winfrey
Música: ACDC
Hobby: Estar em companhia da família, leitura e exercícios físicos
Livros: O Mundo é Plano de Thomas Friedeman
Desporto: Ténis
Virtude: Generosidade, dignidade e lealdade
Países para férias: Botswana
Sente-se realizada?
O sentimento de realização é uma manifestação de uma alma alimentada. Quando olhamos para as metas que nos propomos a atingir, e quantificamos as nossas realizações, faz com que nos sintamos satisfeitos e experimentemos felicidade genuína, podemos notar que coisas, experiências e outras pessoas não possuem ingredientes isolados e independentes de felicidade dentro delas. Podemos ter um grande prazer em consumir ou mesmo participar de um belo evento da nossa vida, no entanto, quanto mais cedo percebemos a diferença entre prazer e felicidade genuína, mais cedo começamos a direccionar as nossas energias para causas de sentido de realização que resultam em maior harmonia e paz. Não perceber os recursos internos da felicidade nos faz procurar em outro lugar para satisfazer a sede de ser feliz e, eventualmente, nos podemos desapontar. Se entendermos a realização na perspectiva espiritual em harmonia com a física, eu direi que sim me sinto realizada.
De que forma olha para o contexto económico actual de Angola?
Um contexto bastante desafiante. Porém, os eventos de desaceleração da economia que Angola hoje vive, devem ser encarados como uma oportunidade para  buscar soluções potencialmente transformadoras e inovadoras. O IFE, no exercício das suas funções de fomento empresarial, continuará a trabalhar na identificação de oportunidades e mecanismos que permitam a competitividade das nossas empresas.
Que Angola gostaria de ter no futuro?
Uma economia mais forte e mais competitiva, que não dependa excessivamente do petróleo.