O presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, participou da décima segunda cimeira dos chefes de estados e de governos da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP) que se realizou na ilha do sal em Cabo Verde, e que registou vários dias de trabalho intenso, realizado ao nível técnico e do Conselho de Ministros da organização, durante os quais foram preparados os documentos apreciados e aprovados pelos Chefes de Estado e de Governo membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
O Presidente angolano defendeu que as nações lusófonas devem definir um “escopo de colaboração realista” no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e pediu “uma reflexão ” sobre o futuro da organização.
“Apesar de os nossos países poderem colaborar com outras organizações, é importante que a CPLP defina um escopo de colaboração realista, de modo a não alargar o âmbito da sua acção, devendo sempre agir no estrito respeito das regras internas de funcionamento dos Estados que a integram”, afirmou o chefe de Estado angolano, intervindo na abertura da XII conferência.
João Lourenço referiu, por outro lado, que a organização tem “vindo a registar um crescente interesse por parte de muitos países em aderir à CPLP como membros efectivos ou observadores”.
“Se por um lado isso traduz o reconhecimento da importância e projecção da nossa organização, por outro, leva-nos a fazer uma reflexão profunda sobre o que pretendemos para o seu futuro”, comentou.
No seu discurso por altura do encerramento, o Presidente angolano defendeu ainda que os países lusófonos devem debruçar-se “com atenção e até com alguma urgência para que a CPLP seja uma organização em que não só a língua e a cultura sejam factores de aproximação, como, fundamentalmente, a circulação dos cidadãos entre os Estados-membros”.
“Os nossos cidadãos devem perceber que vale a pena fazer parte da comunidade, não só pelos actos de cooperação que vamos realizando aqui e ali, mas principalmente pelas vantagens directas e até pessoais que poderão obter do facto de estarem inseridos nesta comunidade”, salientou o chefe de estado angolano, ao mesmo tempo que se mostrou regozijado pelas alocuções feitas durante os trabalhos que disse serem animadoras e encorajadoras com vista a manter os esforços que se tem envidado para que a CPLP seja um espaço consolidado de democracia, de diálogo, de paz, de respeito pelos Direitos Humanos e de cooperação entre todos, para promover conjuntamente esses valores em todos os pontos do planeta onde for possível prestar ajuda para a consecução desses objectivos.

Comunidade lusófona conta vinte
e dois anos de história

Organização persegue a defesa dos direitos da pessoa humana e cooperação entre estados .
A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) foi criada há 22 anos - 17 de Julho de 1996 - por sete Estados-membros, número que aumentou para nove após as adesões de Timor-Leste (2002) e Guiné Equatorial (2014)

Tudo começa em 1983 quando no decurso de uma visita oficial a Cabo Verde, o então ministro dos Negócios Estrangeiros português, Jaime Gama, propõe a realização de cimeiras rotativas bienais de chefes de Estado e de Governo dos então sete Estados lusófonos, bem como reuniões anuais dos chefes da diplomacia e consultas frequentes entre directores políticos e de representantes na ONU e noutras organizações internacionais.
Em 1989, graças ao empenho do então embaixador do Brasil em Portugal, José Aparecido de Oliveira, é dado em São Luís do Maranhão (Brasil) o primeiro passo concreto para a criação da (CPLP), na sequência da realização de um encontro de chefes de Estado e de Governo dos Estados lusófonos, a convite do então Presidente brasileiro José Sarney.
Na mesma reunião, decide-se criar o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), que visava promover e difundir o idioma comum da comunidade.
No dia 17 de Julho de 1996, em Lisboa realiza-se a Cimeira de Chefes de Estado e de Governo que marcou a criação da CPLP.
Na cerimónia constitutiva participaram os presidentes de Angola, José Eduardo dos Santos, Brasil, Fernando Henrique Cardoso, Cabo Verde, António Mascarenhas Monteiro, Guiné-Bissau, João Bernardo “Nino” Vieira, Portugal, Jorge Sampaio, Moçambique, Joaquim Chissano, bem como os primeiros-ministros de São Tomé e Príncipe, Armindo Vaz de Almeida, e português, António Guterres.

Angola à espera do testemunho

Angola assumirá a presidência da Comunidade dos países de Língua Portuguesa (CPLP) no biénio 2020/2022 em substituição de Cabo Verde, o líder actual da organização. A decisão foi tomada na manhã de quarta feira por unanimidade dos chefes de estado e de governo dos países membros. Na corrida à liderança estava a República da Guiné Equatorial representada no evento ao mais alto nível por  Teodoro Obiang, presidente da república. Não há regras estatutárias que definam a rotação das presidências. Nos 22 anos da CPLP, Portugal presidiu duas vezes (2008 e 1996), o Brasil outras duas (2016 e 2002) e Moçambique também duas (2012 e 2000). Angola  só tinha cumprido um mandato.