O presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), José Severino, defendeu na cidade do Lubango, a importância de se promover maior apoio aos produtores da zona do triângulo do milho da província da Huíla e Huambo, para contribuir de forma efectiva no término da importação de fuba, um dos elementos essenciais da cesta básica.
Falando à margem da da 2ª edição do “Invest Huíla”, referiu que na região, o triângulo do milho que, inicia no município da Cacula, passando pelo Caluquembe, Caconda (Huíla), e Culmina na província do Huambo, tem uma importância enorme na produção de cereais para a região Centro e Sul e do país.
Informou que a AIA está a trabalhar com o Ministério da Agricultura e Floresta bem como com o Instituto Nacional de Cereais para se acabar com a importação de cereais de milho e consequentemente da fuba.
José Severino afirmou que “o petróleo acaba e a tendência do milho é de
crescer sempre sem fim”.
O presidente da AIA defendeu a redinamização da instalação da industrialização do milho na província, porque segundo ele, fazendo isso, há também a possibilidade de aumentar a criação de avicultura e suinicultura.
“Sei que na Huíla há falta de áves. A província está a pedir áves de Benguela, Luanda e muito mais. Então se há milho e massambala, pode-se fazer o desenvolvimento localmente”, disse.
Referiu que na província, existe a Cooperativa dos Criadores de Gado do Sul de Angola (CCGSA), que já é uma referência internacional. Contudo, é preciso dar mais apoios
ao pecuarista nacional.
A Huíla também tem potencial para fazer a construção civil porque tem cerâmicas. Havendo cimento e tijolos, constrói-se casas para a juventude.
Informou que a AIA fez uma proposta e está a discutir com o BNA, um sistema de ir buscar mais 2% das reservas dos bancos, para fazer crédito a habitação aos jovens e poderem comprar as suas casas em sistema de renda resolúvel, também existem quotas por províncias, através dos municípios, para que aqueles trabalhadores, sobretudo médicos, professores, empresários que pretendem estabelecer-se num município, possa ter a sua casa.
“Entendemos que a plataforma sul tem grandes recursos para responder os desafios, um dos quais, a integração na zona do comércio
livre da SADC”, frisou.
A Huíla, reconheceu José Severino, tem potencial extraordinário, já que a região que começa no mar com cerca de 300 km e cerca de 300 mil quilómetros quadrados, temos população activa ligada à agricultura, recursos minerais, turísticos, mas a potência é a industrialização e a montante existe
matéria-prima”, assegurou.

Fruticultura
Na ocasião, desafiou a classe empresarial para se dedicar também à fruticultura, porque não basta só o pirão, pois “é preciso proteínas”.
“A região vive períodos de seca cíclica e é importante restabelecer a hidrómina, como empresa que faz todo trabalho de apoio às águas subterrânea, como acontecia
no passado”, lembrou.
Defendeu ser imperioso fazer uma reflorestação massiva e recuperar aquilo que foi o mal feito com a exploração massiva na província
do Cuando Cubango.
“É preciso que haja mais florestas e ter cortinas que dêem benefícios não só ao país, mas também à vizinha República da Namíbia que merece todo nosso apoio”, frisou, depois de acrescentar que é imperioso desenvolver as frutas silvestres, já que existe agricultura ecológica com excelente mercado.