O jornalismo de especialização em Angola tem na Associação dos Jornalistas Económicos (AJECO) e no Ministério das FInanças dois pontos de referência nos desafios que se desenham para o futuro.
A formação dos profissionais é o caminhio apontado para ambos os organismos, cada um ao seu nível.
Através do extinto Instituto Nacional de Finanças Públicas (INFORFIP), o Ministério das Finanças lideu, nos últimos quatro a cinco anos, a formação dos jornalistas com seminários intensivos, numa promoção do seu gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa.
A AJECO arrancou já no ano passado, deopois de um período em certa letargia.
Com isso, a Associação de Jornalistas Económicos de Angola (Ajeco) pretende retomar a concessão do “Prémio Kianda”, como forma de reconhecimento do empenho dos profissionais que actuam nesse domínio, anunciou quarta-feira, em Luanda, o secretário-geral da associação.
João Joaquim falava no seminário sobre “O papel do jornalismo económico como instrumento de transformação social”, realizado no Centro de Formação de Jornalistas (Cefojor), sob os auspícios da Ajeco, com objectivo de capacitar os jornalistas económicos a desenvolverem e solidificar os seus conhecimentos.
O responsável declarou que o aumento de publicações a circular no mercado, traz um número mais considerável de profissionais a prestarem o seu contributo para o desenvolvimento do jornalismo económico, o que necessita de ser reconhecido.
João Joaquim considerou que o jornalismo económico angolano tem registado progressos, o que pode ser verificado pelo número e qualidade das publicações, bem como pelo empenho dedicado nas abordagens.
Acrescentou que, apesar do progresso registado, os jornalistas económicos precisam de investigar mais os fenómenos como a corrupção, branqueamento de capitais, fraudes fiscais e outros males que atentam contra as liberdades fundamentais dos cidadãos.

Redacções estão mais atentas

Os jornalistas que lidam no dia-a-dia com as matérias económicas em vários órgãos nacionais entendem que os actuais desafios da economia angolana também mudaram as suas abordagens.
Atento ao crescimento profissional, o jornalista Romão Ferreira da Rádio Nacional de Angola disse estar satisfeito com os actuais níveis. Contudo, segundo o próprio, os desafios prosseguem e faz-lhe feliz o facto de ver surgir no mercado, cada vez mais, jornais dedicados ao desenvolvimento da economia.
Para ele, a especialização é exactamente o caminho que se deve seguir.
“Nos dias de hoje, andam no nosso mercado a volta de cinco jornais que se ocupam na abordagem de assuntos económicos e com grande dedicação, embora entendo que haja ainda um caminho por fazermos até chegarmos ao desejado”, disse.
Para um dos rostos e nomes das coberturas económicas pela RNA, as abordagens feitas nos jornais satisfazem-no do ponto de vista da informação, mas acredita que podem haver melhorias desde que as fontes se abram.
Como afirma, acredita que estes jornais têm ajudado o Governo a alinhar melhor a sua política macroeconómica, pelo que advoga melhoria contínua da qualidade da informação que se põe à disposição dos leitores; pois também entende que os jornais continuem a servir de fiscais às acções dos governantes ante aos governados.
Já Edjail dos Santos, jornalista do jornal Mercado, é de opinião que o recente acordo do Governo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Entende que este compromisso foi fulcral para que as redacções formassem editoriais mais capazes de compreender os números envolvidos no financiamento.
Edjail faz, na sua análise, um resumo positivo de um mercado  onde o jornalismo de especialidade começou a ganhar força com o surgimento da primeira revista de especialidade, no caso a Economia & Mercado, publicada em 1998, ao ques e seguiu o Novo Jornal com um caderno escializado em economia.
Todo este ambiente de especialização no jornalismo económico foi acelerado pelo investimento público que valorizou o segmento ao fazer circular o Economia & Finanças, em 2008, ao que se seguiu o Semanário Económico, o Expansão, Mercado e, por último, o Valor Económico. Essa trajectória da impressa especializada é para o redactor um facto inconrtonável e de merecida relevância no jornalismo angolano. I