O economista, Augusto Fernandes, considera a Alemanha um parceiro estratégico importante nesta altura de reformas económicas em curso no país, mas defende que o Executivo angolano tem de ter a capacidade e coragem de importar daquela que é considerada a maior economia da União Europeia (UE) fábricas locais. “Não podemos continuar a importar destes países produtos acabados e exportar sempre o petróleo e diamantes, é preciso inverter a relação comercial entre os dois Estados”, declarou o responsável. Adiantou ainda que a relação entre os dois países deve ser medida pela balança de pagamento. Em entrevista ao JE, referiu que contrair dívida pública para construção do Metro de Superfície precisa de um bom plano de negócios. Na sua visão, “se o que se pretende é desenvolver a economia angolana precisamos de aumentar o rácio stock da dívida pública sobre o Produto Interno Bruto (PIB)”. Já o economista, Yuri Quixina, entende que nenhuma economia desenvolve de forma isolada, acrescentando que os mercados que mais cresceram nos últimos 20/60 anos foram os que abriram a sua economia ao resto mundo. “Angola não pode fugir essa realidade se quiser desenvolver”, disse em entrevista ao Especial Zimbo.

Capacidade de aproveitar
Assegurou que Alemanha é hoje o centro da UE e Angola só ganha com o reforço desta parceria tendo em conta a educação tecnológica alemã que contribuiu muito para que países do sul da Europa se desenvolvessem. “Mas preocupa-me o facto de até hoje, não termos a capacidade de aproveitar parcerias com as grandes economias mundiais”, enfatizou.
Considera que a abertura da Lei de Investimento Privado, tentativa de liberalização do mercado cambial, assim como abertura parcial da conta capital vai atrair seguramente investidores alemães a investir em Angola. “Resta-nos apenas tomar partido dessas facilidades que possam criar mais-valia
na vida das populações”.
Yuri Quixina acrescentou ainda que Alemanha está consciente que só dependendo dos parceiros da região não vai atingir os objectivos, daí a aposta em mercados africanos como Angola, Rwanda e outros. Lembrou que o ano passado a economia alemã cresceu apenas 0,5 por cento e em 2020
a previsão é de 1,1 por cento.
Para o economista, a atracção de investimento directo estrangeiro também está competitiva e não é só exportação a julgar que muitos países estão a melhorar o seu ambiente de negócios e Angola deve fazer um esforço para ser o berço dos investimentos provenientes da Alemanha.
Sobre a linha de crédito avaliado em um mil milhão de dólares disponibilizado pelo Deutsche Bank da Alemanha para o fomento da agro-indústria em Angola, disse que o sucesso deste financiamento dependerá dos custos de produção local que vai definir o efeito multiplicador do crédito e permitir que as empresas tenham resultados positivos.

Sectores prioritários
Por seu turno, a socióloga Tânia de Carvalho realçou que a cooperação com Alemanha tem dado sinais positivos desde que o Presidente João Lourenço assumiu o poder e que o Governo alemão sabe o peso que Angola pode representar para sua economia.
“Devemos aproveitar também o potencial educacional, tecnológico e industrial para formar mais quadros na Alemanha”, sublinhou durante o programa “Política no Feminino”
transmitido pela TPA.
Os sectores da agricultura, pecuária e electrificação que Alemanha quer cooperar com Angola são prioritários olhando para o plano de governação actual, no entender na economista Dalva Ringote. Afirmou que a classe empresarial deve aproveitar essas oportunidades da relação bilateral entre os dois Estados a julgar que são eles responsáveis para o crescimento da economia.
“Os nossos empresários devem estar preparados para enfrentar as geografias mundiais tendo em atenção aos vários critérios de acesso nos diferentes mercados”, indicou, tendo acrescentando que o empresariado local enfrenta ainda problemas que carecem do apoio do Estado.
Em Luanda, empresários alemães de sectores como electrónica, telefonia, mecânica e energia solar aproveitaram para fazer contactos com representantes do Executivo angolano.