Já na qualidade de Presidente da República, João Lourenço encontrou-se com a Chanceler alemã, Angela Merkel em Agosto de 2018, numa altura em que o Chefe de Estado angolano se preparava para completar o seu primeiro ano de mandato. Os dois voltaram a encontrar-se em Nova Iorque, em Setembro do ano passado, à margem da Assembleia-Geral das Nações Unidas. Numa recente entrevista à DW, a propósito da visita de Angela Merkel a Angola, o Presidente João Lourenço considerou o investimento alemão bem-vindo ao país, na medida em que “as relações entre os dois países sempre foram boas”. E os “importantes instrumentos de cooperação” assinados mostraram isto mesmo: a sustentação desta boa relação entre ambos os países. A certeza ficou agora demonstrada na recente visita que a Chanceler fez a Angola. Por algumas horas, sexta-feira última, Angela Merkel esteve em Luanda. Foi numa manhã de sol ardente, a destoar com o clima de Berlim.

Berlim por dentro
Na capital alemã, o período mais frio é de Novembro a Fevereiro e pode chegar a -1,5 de mínima e 4.2 de máxima. Muito frio. E se, por sorte, o “sol” deles desafiar o nosso, deles é enganador. Brilha mas não esquenta, qual lâmpada de um frigorífico cheio de gelo.
Entretanto quanto à visitante, não deixou de saltar à vista o seu permanente look, traduzido em simplicidade na sua forma de estar e se apresentar. No vestuário, pelo que tudo indica, o modelo parece ser sempre idêntico, mas com variações nas cores.

África do Sul antes
Aterrou naquela manhã enquadrada numa agenda que a levou antes à África do Sul. Em Pretória, reuniu-se com o Presidente Cyril Ramaphosa. Os dois discutiram como aumentar a presença das empresas alemãs neste país vizinho e de boas relações
comerciais com Angola.
Esta visita ocorreu após a conferência económica “Compacto por África” que foi em Novembro passado, organizada pelo governo alemão em Berlim. Em conferência de imprensa com Ramaphosa, a chanceler disse que a África do Sul é “um parceiro estratégico da Alemanha”. Com Angola não seria diferente. Aguardava a Chanceler o Presidente João Lourenço e os “homens de negócio” para um Fórum Económico
angolano-alemão.
Escreve-se que Angela Merkel, conhecida pelos seus fatos de calça e casaco, tem sido muitas vezes referenciada pela forma como se veste em eventos mais formais. Uma mescla que parece combinar o formal com algum informalismo. Basta contemplar os colares que usa.
Diz-se já ter sido motivo de atracção em debates políticos na televisão e no Twitter. Geralmente são adornos, com fios entrelaçados e missangas ou pedras preciosas. Destes que provavelmente podem ser desafiados pelos nossos artesãos, agora confinados
no Museu da Escravatura.

Instabilidade
Depois do sucesso do fórum em Luanda, entretanto, aguardava à Chanceler uma iminente crise política, com a renúncia de Kramp-Karrenbauer à sua candidatura como futura chanceler, deixando aberta a corrida pela sucessão sem que haja no momento um
claro candidato alternativo.
AKK, como é conhecida na Alemanha, assumiu também a renúncia à presidência do partido assim que os conservadores escolherem um novo candidato, ao longo deste ano, mas continuará a ser ministra da Defesa até o final da legislatura, em 2021.
Segundo opiniões, a renúncia da líder da centro-direita alemã abre um período de instabilidade política na maior economia europeia, coincidindo com a recta final da era Merkel. O plano de sucessão ordenado e sem sobressaltos desenhado pela chanceler, cujo quarto e último mandato está previsto para terminar em 2021, agora à beira de
conhecer outros contornos.
Claro que um assunto interno, mas o facto de ser a potência económica que é, a preocupação estende-se para além do território Alemão e Europeu, já que o país é membro da União Europeia. Com Angola, como lembrou o Presidente João Lourenço, as relações sempre foram boas e estas vêm-se reforçadas com os protocolos de cooperação assinados em Luanda, entre outros, nos ramos dos Transportes, Energia e dos Recursos
minerais e Petróleos.
Sobre os “negócios” tratados rubricados, o Presidente da República garantiu que tem segurança e garantias de retorno. “Nós estamos a fazer a nossa parte, ou seja, a criar, dia após dia, a melhoria do ambiente de negócios em Angola”.
“Permita-me senhora Chanceler, que faça referência à nossa apreciação bastante positiva sobre esta visita que, apesar de curta, consideramos altamente produtiva”, concluiu João Lourenço.
Em resposta, Angela Merkel manifestou o desejo do seu país continuar a contribuir para o desenvolvimento de Angola.