A Associação Empresarial de Portugal (AEP) chega esta segunda-feira a Angola com uma comitiva de 17 empresas portuguesas de diversos sectores para participarem no II Fórum Empresarial Angola-Portugal, que se realiza no dia 24 de Janeiro, na cidade de Luanda.
Organizado pela AEP, em parceria com a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e a Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Angola, o II Fórum vai contar com a presença do director da Unidade Técnica de Apoio ao Investimento Privado do Ministério da Indústria de Angola, José Sala, o presidente da Comunidade de Empresas Exportadoras e Internacionalizadas de Angola, Agostinho Kapaia, o presidente do Conselho de Administração do Banco BIC, Fernando Teles, entre outras entidades locais.
Tendo em conta que das 17 empresas que integram a comitiva, 70 por cento já estão a desenvolver operações no mercado angolano, o fórum terá como foco principal as parcerias entre as empresas angolanas e portuguesas na diversificação da economia do país.
Além da participação no II Fórum Empresarial Angola-Portugal, as empresas vão ter ainda a oportunidade de integrarem uma exposição para apresentarem os seus produtos e serviços – e participarem em encontros de trabalho. Além da exposição, vários intervenientes poderão abordar temas como “O valor económico da Língua Portuguesa” e “Parcerias entre as empresas angolanas e portuguesas na diversificação da economia angolana”.
Segundo a AEP, “Angola é um importante parceiro comercial de Portugal, designadamente enquanto destino das exportações portuguesas. No período 2011-2015, os valores das exportações de bens e serviços de Portugal para Angola registaram um decréscimo médio anual de 0,3 por cento, em virtude do forte declínio verificado em 2015”.
Do lado das importações verificou-se uma subida, com a taxa de variação média anual ao longo do período em análise a atingir 7,7 por cento. Nos primeiros sete meses do ano passado, o comércio de bens e serviços entre os dois países evoluiu de modo negativo, com as exportações a decrescer 40,3 por cento e as importações a contabilizar uma quebra de 48 por cento.
O fórum é organizado, pela primeira vez, pela AEP, mas foi há 27 anos que a AEP levou a primeira missão de empresas até Angola. Desde então já têm sido organizadas inúmeras participações em feiras e missões.

Aumento nas trocas
Entretanto, Portugal voltou a ser o país que mais vende a Angola, no III trimestre de 2016, após vários meses de liderança da China, que por sua vez comprou mais petróleo angolano no mesmo período, face ao anterior.
De acordo com o documento estatístico do comércio externo do III trimestre, do Instituto Nacional de Estatística (INE), Portugal vendeu a Angola, entre Julho e Setembro de 2016, mais de 74.394 milhões de kwanzas em bens e serviços.
Trata-se de um aumento de 21,4 por cento face ao trimestre anterior, mas um registo que ainda fica 12,5 por cento abaixo tendo em conta as vendas feitas por Portugal no mesmo período, mas de 2015, ano que marcou o agravamento da crise angolana devido à quebra nas receitas com a venda de petróleo.
A quota de Portugal nas importações totais angolanas subiu desta forma para 14,8 por cento, logo seguido pelos Estados Unidos, com uma quota de 12,6 e vendas, no mesmo período, de 63.200 milhões de kwanzas, e da China, com um quota de 12,4 por cento e 62.362 milhões de kwanzas.
Portugal volta no III trimestre a figurar entre os 10 principais destinos das exportações de Angola, com compras no valor de 59,1 mil milhões de kwanzas e um quota de 4,2 por cento, tal como a França.

Aumento de vistos
Os angolanos continuam a viajar para Portugal “para turismo, mas sobretudo para visitar familiares, fazer negócios, ou também por motivos de saúde”.
O Consulado-Geral de Portugal em Luanda emitiu em 2016 mais de 55 mil vistos em passaportes, um aumento de cerca de dez por cento face a 2015.
Segundo números avançados por aquele consulado, deram entrada em Luanda, entre 1 de Janeiro e 10 de Dezembro de 2016, 63.304 pedidos de visto, um aumento de 12 por cento em termos homólogos, tendo sido atribuídos 55.378 (entre Espaço Schengen e apenas para território nacional português).
Trata-se de um aumento de quase 5 mil vistos atribuídos num ano (+9,8 por cento), com Luanda a voltar a apresentar, em 2016, o maior movimento na rede consular portuguesa, contando actualmente com 45 trabalhadores, entre funcionários do Estado português e de uma empresa de prestação de serviços.
“Como o comprovam os números, a crise não veio alterar a tendência crescente dos pedidos de visto Schengen no Consulado-Geral de Portugal em Luanda. Apesar das dificuldades que se vivem no país, o constante aumento dos pedidos de vistos vem comprovar que Portugal não é um mero destino turístico para os angolanos, cujo fluxo varia ao sabor das crises”, afirmou a cônsul-geral, Alexandra Bilreiro.
De acordo com a diplomata, os angolanos continuam a viajar para Portugal “para turismo, mas sobretudo para visitar familiares, fazer negócios, ou também por motivos de saúde”.
“Muitos têm familiares a viver, estudar ou trabalhar em Portugal, o que lhes permite algumas poupanças no alojamento, e Portugal permanece um destino relativamente barato, comparado com outros destinos europeus ou outros destinos de férias”, refere a cônsul em Luanda.
Acrescenta que as campanhas promocionais de algumas companhias aéreas “também têm contribuído para este fluxo”, embora as rotas escolhidas por vezes não sejam as directas, “por motivos financeiros”.
Além do Consulado-Geral, em Luanda funciona ainda, desde Julho deste ano, um Centro de Vistos, assegurado por uma empresa externa, com cerca de 40 trabalhadores, que trata especificamente dos pedidos de visto.