A República Centro Africana (RCA) angariou 2,9 mil milhões de dólares na conferência de doadores, realizada em Bruxelas, para o financiamento do seu programa de desenvolvimento.
O ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, que participou nesta conferência, disse esta semana que o dinheiro arrecadado vai permitir o financiamento de vários projectos para desmobilização, desarmamento, reinserção social, processos judiciais e outros ligados aos direitos humanos.
Georges Chikoti, que já regressou ao país, deu a conhecer que o Banco Mundial e o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) foram os principais doadores, tendo havido também o engajamento de vários países da União Europeia (UE) e Angola, como quem a RCA vai cooperar na área da formação de polícias e na implementação de outros projectos.
O ministro das Relações Exteriores afirmou nesta quarta-feira, em Luanda, que Angola vai continuar a apoiar o processo de consolidação da paz e de estabilidade da RCA. “A República de Angola assumiu o compromisso de ajudar a RCA e iremos trabalhar com este país na formação do seu pessoal,
da Polícia eventualmente e outras unidades”, expressou.
Em declarações à imprensa, no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, disse que têm um acordo de cooperação de Governo, que vai permitir alguma participação em alguns projectos económicos neste país”.
De acordo com o governante, durante o evento a RCA propôs à comunidade internacional, particularmente aos doadores, no sentido de financiarem o seu programa de desenvolvimento.
O presidente Faust in-Archange Touadéra apresentou vários projectos com o apoio da União Europeia e esta conferência permitiu angariar 2.9
biliões de dólares que vão ser financiados para vários projectos na República Centro-Africana.
Os principais doadores são os bancos Mundial e Africano que são as organizações com maior peso”, salientou.
Georges Chikoti participou no encontro em representação do Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, na qualidade de Presidente da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos (CIRGL) e de “país amigo” da República Centro Africana.
Entretanto, no passado mês de Outubro, o Chefe de Estado eleito Angola mantém apoio a RCA A República Centro Africana (RCA) angariou 2,9 mil milhões de dólares na conferência de doadores para financiamento do seu programa de desenvolvimento que está ser apoiado por vários parceiros
da RCA, Faustin Touadéra, efectuou a sua primeira visita oficial a Angola, desde que assumiu a presidência, em Fevereiro último.
O encontro teve como objectivo reforçar a cooperação bilateral.
O Presidente da República Centro-Africana esteve em Angola para uma visita de 48 horas destinada ao reforço da cooperação entre os dois países membros da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos.
Na ocasião, o Chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, afirmou que o país exprimiu já o seu desejo de apoiar a República Centro-Africana na elaboração e execução de um programa conducente a um consenso e à reorganização e reforço das Forças Armadas e da Polícia Nacional neste Estado da região dos Grandes Lagos.
Esta intenção, de acordo com o Presidente angolano, que discursava por ocasião da visita a Angola do seu homólogo da República Centro-Africana, Faustin Touadéra, também foi exprimida pela Comissão dos Estados da África Central e pela União Africana.
José Eduardo dos Santos defendeu que o processo de desarmamento, desmobilização e reinserção na RCA deve ser um facto, que a união e a
reconciliação nacional se tornem efectivas e sejam o pólo de convergência de todos os actores políticos, visando consolidar a plataforma democrática, na qual todos poderão livremente expressar as suas ideias e defender os seus legítimos interesses.
A República Centro Africana vive um novo ciclo político cuja visão estratégica, espelhada no Plano Nacional de Paz e Reconstrução apresentado, coloca o enfoque no fortalecimento do Estado, normalização da vida pública, garantia da estabilidade social, reconstrução económica e combate à pobreza.
Os ganhos alcançados, mesmo importantes, são ainda relativos.
O processo de desarmamento, desmobilização e reinserção deve ser um facto para que a união e a reconciliação nacional se tornem efectivas e sejam o pólo de convergência de todos os actores políticos, para consolidar a plataforma democrática, na qual todos podem livremente expressar as suas ideias e defender os seus legítimos interesses.

Cimeira
O ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, participou também terça e quarta-feira em Malabo, Guiné Equatorial, na Cimeira África-Países Árabes, em representação do Presidente da República, José Eduardo dos Santos.
A Cimeira ficou marcada pela divisão de posições entre os participantes devido à presença da República Árabe Saharaui Democrática (RASD). De acordo com o chefe da diplomacia angolana, Marrocos opôs-se à participação na reunião da República Árabe Saharaui Democrática, o que causou grande impasse porque a União Africana apoiou a sua permanência, ao contrário de alguns países da Liga Árabe, como a Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Qatar, que abandonaram a Cimeira.
Georges Chikoti disse que os países da União Africana apoiaram a permanência da República Saharaui na reunião porque reconhecem a sua autodeterminação, tal como as Nações Unidas.
“Os africanos preferiram que a reunião continuasse porque a Liga Árabe não pode impor a sua opinião e tem que respeitar as decisões da União Africana”, disse, adiantando que as duas organizações vão a partir de agora definir como e quem deve participar nesta reunião.
O Koweit disponibilizou dois mil milhões de dólares para financiar projectos dos Estados-membros da União Africana e da Liga Árabe.
Angola não apresentou nenhum projecto, mas o ministro das Relações Exteriores considera uma oportunidade que deve ser aproveitada, desde que o
financiamento não tenha outras implicações para o país.