Angola é das 10 economias africanas, neste momento, que a Rússia vai continuar a priorizar na cooperação económica, uma vez que as condições para o aumento das trocas comerciais e áreas de desenvolvimento de mútua vantagem estão identificadas e em níveis bastantes avançados.
O ministro do Desenvolvimento Económico da Federação Russa, Maxim Oreshkin, disse, enquanto moderador de debate, quarta-feira, no painel de abertura dos dois dias de discussões no Fórum Económico Rússia – África 2019, em Sochi, que África volta a estar no centro das prioridades do seu país.
Segundo citou, há, entretanto, algumas economias cujo estágio de cooperação é já bastante acelerado entre as quais referenciou Angola, Nigéria, Guiné e Moçambique, por exemplo.
Este facto, segundo disse, reforça a visão de maior aproximação entre o continente e a Rússia que partilha uma extensa rede de influência económica com a Zona de Livre Comércio da Euro-Asia, onde está inserida.
As economias africanas estão, neste momento, esforçando-se para alcançar o crescimento inclusivo e desenvolvimento sustentável, e os mesmos devem ser apoiados por constante progresso tecnológico.
Hoje, o cenário tecnológico global está a tornar-se cada vez mais digital, o que abre novas oportunidades para superação dos desafios que África e o mundo inteiro enfrentam, casos da fome, desigualdade, analfabetismo e doenças.
As tecnologias digitais estão a mudar as abordagens de comunicação e levam a uma governação mais eficaz e a um maior acesso aos serviços institucionais.
Maxim Oreshkin afirmou, por exemplo, que ao entrar na Zona Euro-Asia, o comércio russo com os países-membros cresceu em mais de 40 por cento/ano. Tais cifras, para ele, podem ser replicadas em África, pois ao adoptar uma Zona de Livre Comércio deverá, seguramente, atrair para si mais investimentos e intenções de parcerias.
Essa posição de certa vantagem nas relações russo-africanas deve ser crucial no melhor aproveitamento das linhas de financiamento do Afreximbank, que, segundo fez constar no fórum, pôs à disposição do continente mais de cinco mil milhões de euros.
Aliás, quando interveio numa das sessões do Fórum de Sochi, o Presidente da Federação Russa, Vladmir Putin, lembrou que o seu país já perdoou cerca de 20 milhões de dólares em dívidas de alguns países africanos e pretende ser parceiro estratégico nas vantagens de um continente com um Produto Interno Bruto (PIB) de mais de 29 biliões de dólares.
A Rússia e África concordam que a educação das futuras gerações vai ser fundamental para concretizar todas as estratégias de desenvolvimento. É nessa perspectiva que na Rússia concentram-se mais de 17 mil estudantes africanos.

Negócios na banca
O presidente do VTB, Andrey Kostin, por sua vez, fez largos elogios ao Governo de Angola, que considera ser uma óptima ponte na diversificação dos negócios da banca russa em África.
Andrey Kostin falou mesmo sobre eventuais mudanças na representação bancária que está em Angola, deixando para o final do ano todos os acertos que estão em abordagem pelas partes.
Nas discussões sobre a “Descoberta de áreas de cooperação entre a Rússia e África” foi visão comum dos nove «painelistas» que as tecnologias estão a reunir soluções em vários sectores para formar projectos abrangentes, criar uma única cadeia de crescimento de valor agregado e um mecanismo integral para fortalecer o capital humano, mecanismo tido como vital para as jovens economias africanas.
A delegação de Angola ao Fórum Económico de Sochi, que decorreu nesta cidade da Rússia nos dias 23 e 24, foi encabeçada pelo Presidente da República, João Lourenço.
Além do staff de apoio, o Presidente de Angola fez-se acompanhar dos ministros dos Recursos Minerais e Petróleo (Diamantino Azevedo), da Economia e Planeamento (Manuel Neto Costa), da Agricultura (António Francisco de Assis), do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (Maria do Rosário Bragança Sambo), das Telecomunicações e Tecnologias de Informação (José Carvalho da Rocha) e das Relações Exteriores (Manuel Augusto). Empresas como Sonangol, Endiama e o grupo privado Opaia também estiveram em Sochi a efectivar contratos, receber e manifestar intenções de parcerias com firmas estrangeiras.

Cooperação
reforça sector
empresarial

No início da noite de ontem, em Sochi, os presidentes João Lourenço e Vladmir Putin mantiveram um encontro de cortesia. Na ocasião, o Chefe de Estado angolano fez-se acompanhar dos ministros Manuel Augusto, Diamantino Azevedo e José Carvalho da Rocha, sendo que os dois últimos têm nos sectores que dirigem interesses estratégicos na cooperação dos Estados.
Antes, durante a reunião de cúpula dos Chefes de Estados e de Governo africanos, o Presidente João Lourenço, na sua intervenção, pediu um modelo de cooperação que seja mutuamente vantajoso para África e para a Rússia.
“Está em curso um plano de diversificação da economia angolana, que criou um vasto espaço de negócios e condições seguras para acolher investimento estrangeiro, no sector energético, no sector mineral, na agricultura e agro-indústria, na indústria de equipamentos agrícolas, no sector das telecomunicações e outros”, disse.
De acordo com João Lourenço, os investidores russos têm toda a liberdade para fazer as melhores opções de acordo com o interesse de cada um, num leque de inúmeras e diferentes oportunidades.
Atento aos desafios da juventude, o Presidente angolano disse estar o mundo em que habitamos nos nossos dias a viver a era da revolução digital, sendo importante que a África e os jovens do continente se apetrechem dos meios e do necessário conhecimento nesta área, sem o qual não será possível assegurar-se o desenvolvimento do continente africano.
Angola e Rússia assinaram ontem, em Sochi (Rússia), um acordo empresarial privado no domínio do fornecimento de gás.  O ministro dos Recursos Minerais e Petróleos, Diamantino Azevedo, adiantou que, apesar de ser privado, o projecto contará com o apoio das autoridades governamentais angolanas.