Ressaca e estradas sem o tradicional “engarrafamento” eram os sinais até às 8h35 de ontem de um dia pouco produtivo e quase sem restaurantes na baixa de Luanda. Também não se viu nem ouviu as sirenes dos carros prioritários que, normalmente, às horas do início da jornada de trabalho passam e inrrompem o silêncio na sua pressa de chegar e não suportar as filas do trânsito. Pelo google maps corremos no interior do táxi, onde a cor laranja (do trânsito ligeiro) no visor do telefone, às vezes, aparece, mas é dominado pala azul em sinal de estrada livre. Do vermelho, (trânsito parado) não se vê. Na hora de virar à direita ou esquerda, o indicador do google até parece falar com satisfação de quem também sente um dia com menos pressão. Os bancos na baixa da cidade estavam abertos tal como algumas lojas. Pouco se vê aquela placa de “fechados para balanço”. Parece, desde logo, que o país ou ao menos os empresários têm calculadoras às mãos e querem mais cedo facturar e ter as contas em dia para aguentar os longos 366 dias. Afinal este é um ano bissexto (o mês de Fevereiro terá 29 dias). O ano de 2020 será daqueles em que o país poderá celebrar o maior número de finais de semana prolongados. Vão ser no total, 23 dias de fins-de-semana prolongados, fruto dos feriados, que muitos dos quais em vésperas de fins-de-semana. Do lado do ente público, uma mensagem agrada: o Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social (MAPTSS) faz campanha publicitária pelas páginas do diário Jornal de Angola (JA) sobre o perigo das faltas ao trabalho em dias após feriado e fins-de-semana. Nota: o Estado está a pagar dinheiro em publicidade para avisar ao trabalhador dos descontos que podem sofrer em caso de faltas injustificadas. Parecem estar criadas as condições para um ambiente de produtividade, essa variável indispensável à anseada retoma económica por via de maior produção interna de bens e serviços públicos. Ao menos ontem o estacionamento foi menos difícil, pois até os meninos que colocam pedras, baldes e bidãos para travar tentativa de estacionamento gratuito também esqueceram-se ou então perderam-se na ressaca do dia. Os multicaixas também “vomitaram” os dinheiros nos dias de festa e se nalgumas caixas pela cidade nem se via papéis nem dinheiro, noutras com os dois (dinheiro e papel) também não haviam pessoas à sua procura, sinal de que liquidez falta em muitos bolsos a essa altura. A festa passou, a jornada laboral espera por todos.