As más condições das vias de comunicação terrestre entre as províncias e a capital do país, Luanda, são um dos problemas apontados por investidores presentes na IV edição da Expo-Indústria, a decorrer, desde quarta-feira até amanhã, na Zona Económica Especial (ZEE) Luanda-Bengo, em Viana, sob o lema “Mais Indústria, Mais Emprego, Mais Angola”. Para investidores abordados pelo Jornal de Economia & Finanças na cerimónia de abertura da Expo-Indústria, a maior montra, é um desafio transportar produtos frescos de uma província para outra, razão pela qual muitos produtores recorrem ao subaluguer para evitar despesas com a manutenção. É o caso da Aldeia Nova, um empreendimento agro-industrial localizado no município da Cela, província do Cuanza Sul, que, para transportar produtos para a cidade de Luanda, percorre 470 quilómetros, sendo a distância um dos constrangimentos encontrados no processo de escoamento da produção. O director-geral adjunto da Aldeia Nova, Hermenegildo Francisco, defendeu que a distância mínima entre capitais da província deveria ser de 100 quilómetros, algo que não acontece no país. Frisou que nenhuma capital de província é próxima de outra. O constrangimento é ainda maior no interior das províncias, lamentou Hermenegildo Francisco, que disse encontrar a Aldeia Nova sempre dificuldades em adquirir matéria-prima existente em alguns municípios, por nenhum camião conseguir chegar com facilidade devido às más condições da via. “A melhoria da rede viária é um grande desafio do país, para que tenhamos acesso a todas as localidades de produção”, declarou o responsável da Aldeia Nova, que dispõe de lojas nas províncias do Huambo, Cuanza Norte e Benguela e de um centro de escoamento em Luanda. Com um investimento de milhões de dólares, a Aldeia Nova está presente no mercado há 14 anos, sendo “um investimento que até agora compensa”. A Aldeia Nova dispõe de um centro logístico, que acolhe a produção em cadeia feita por 15 aldeias de produção agrícola, de leite, ovos e animal e criou cerca de 1.000 empregos directos e 6 mil indirectos.

Desafios permanentes
“Produzir em Angola ainda é uma grande aventura porque o mercado nacional ainda não oferece condições em termos de matéria-prima”. A afirmação é de Yuri Rodrigues, responsável pela área de Marketing e Comunicação do Grupo Carrinho Logística e Distribuição, sediado na cidade do Lobito, província de Benguela.
Yuri Rodrigues deu ênfase à necessidade de incentivo à produção nacional de matéria-prima para a indústria alimentar e para outras áreas do sector.
“O nosso maior desejo é de que Angola seja auto-suficiente em termos alimentares”, acentuou Yuri Rodrigues, lembrando que a falta de divisas é um problema que afecta todos os investidores.
O grupo construiu um parque industrial em Benguela integrado por 14 fábricas, 12 das quais de processamentos e produção alimentar.
Os equipamentos industriais de que dispõe o grupo empresarial são provenientes de Espanha, Itália, Suíça e Turquia, países com expewriência na área e com uma produção robusta e de fácil ajuste aos padrões de alta qualidade.