O aumento do rendimento por hectare através da correcção dos solos e assistência técnica e a promoção do crédito são bases fundamentais para a industrialização da região Sul de Angola, disse no Lubango, o presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), José Severino. Ao dissertar o tema “Perspectivas de desenvolvimento do sector industrial da região Sul”, na II edição do “Invest-Huíla”, destacou a criação de uma rede comercial por via das associações e cooperativas de camponeses bem como de instituições empresariais, além de comerciantes com vista a industrialização da fileira de farinha de milho, rações e gritz (para as cervejeiras),  como factor importante. Referiu que o desenvolvimento massivo da suinicultura e avicultura, atrás do milho a massambala para cerveja (burlunga), café arábica, trigo e a aquacultura são outros produtos importantes para o desenvolvimento da zona, no quadro das perspectivas de desenvolvimento.

Fileira do gado bovino
Sobre a fileira do gado bovino, o presidente da AIA destacou a importância de melhorar o património de bovinos e caprino com aplicação de recursos financeiros derivadas de taxas aduaneiras (usd 400 milhões em 10 anos) e instalar uma rede de matadouros fortes incentivos com investimento ao sector privado (não mais o Estado) e
implementação da cadeia de frio.
Referiu ainda o tratamento de peles e sua exportação e indústria de curtumes, o aumento das capacidades de salsicharia.
Destacou ainda a dinamização do agro-negócio, com realce a criação de um programa regional de frutas, flores e leite (pequenas fazendas e cooperativas com a União Europeia e com a África do Sul).
Defende a realização da feira regional do agro-negócio na Humpata (uma das jóias do Sul), desenvolver a agro-industrialização de conservas de fruta, grãos, vegetais e batata, além de criar a rede logística para os mercados
de Luanda e exportação.
Para ele, é necessário desenvolver a fruticultura orgânica e sementes silvestres e o mel, bem como um pacote para a ração das Forças Armadas Angolanas
(FAA) e merenda escolar.

Massificação do emprego
José Severino defendeu a criação de um sistema de crédito à habitação, com reservas da banca comercial e de fundos de pensão com quotas para as províncias da região Sul.
Disse ser imperioso fazer o inventário das pequenas empresas de construção civil e integração no sistema do Fundo de Habitação para início de construção social ate 20 por cento do valor das empresas imobiliárias e seu registo em bolsa provincial.
Para a indústria mineira, José Severino, defende a concretização do porto mineraleiro do Saco Mar, no Namibe, a concretização dos projectos de ferro do Cuchi e Cassinga e reforço da capacidade do Caminho-de-ferro de Benguela (CFB) em vagões para estes projectos.
“Precisamos também da integração das rochas ornamentais da Huíla em todas as obras do Estado, combate ao garimpo de minerais raros, realizar a feira das rochas ornamentais num município como Chibia, a recriação da Hidro-minas (furos e chimpankas) e a exploração da marca “Águas de Meda da Huíla”.
José Severino reconheceu que a cooperação a nível da SADC é incontornável e desafiante.
Assegurou que o Governo está empenhado em reajustar o país com reformas estruturais que poderão colocá-lo em parâmetros internacionais que correspondam às necessidades da região.
O também empresário defende a melhoria da manutenção das estradas existentes que, segundo avançou, conta com um défice de 10 mil quilómetros de vias terciárias.
Disse ainda que a Academia das Pescas do Namibe e Escola de Regentes Agrícolas do Tchivinguiro (Huíla) pode ser uma mais-valia para
a dinamização da região.
Sobre as potencialidades, referiu ainda os recursos florestais que ambudam na província do Cuando Cubango, onde se destaca o mussivi e pau-rosa, além das condições edafo-climaticas para a florestação (pinho e eucalipto a Norte da Huila e eucalipto no cuando Cubango) e plantação de espécies nativas no Cunene.