A evolução dos indicadores sobre os usuários de cartões de débito, vulgo multicaixa, no sistema bancário angolano acentua uma crescente preferência por estes serviços junto dos mais de sete milhões de titulares de uma conta bancária.
Os mais recentes indicadores da Emis atestam que foram emitidos, até finais de Agosto, mais de cinco milhões de cartões (5,48 milhões), dos quais 4,5 milhões estão activos ou seja efectuaram ao menos uma operação.
No balanço da Empresa Interbancária de Serviços - Emis, no ano passado (2018) estavam como cartões válidos no sistema 6,39 milhões bem acima dos 5,86 milhões de 2017. Destes, estimou-se que estavam activos com um movimento, em 2018, 4,57 milhões superior aos 4,16 milhões de 2017.
Os bancários que ouvimos nos balcões da Baixa de Luanda, e que não quiseram vincular a sua imagem e a instituição para quem trabalham nessa reportagem, em observância ao código de ética e de conduta interna, justificam, considerarem crucial para o actual cenário de maior qualidade nos serviços à entrada das operações.
Na agência do Banco Millennium Atlântico da Rainha Ginga está agora em funcionamento uma caixa de Débito Directo, que permite depósitos directos aos clientes sem recurso aos atendedores de balcão. A apoiar os clientes menos familiarizados com o serviço, a funcionária do Atlântico solta um sorriso e explica-nos, no papel de usuário do serviço, que por tratar-se de um serviço novo há que ajudar o cliente nas operações. “Mas, já há muitos clientes que dominam o serviço e dispensam a nossa intervenção”.
Para ela, estes terminais vão também dar maior autonomia aos clientes, que no horário de funcionamento do banco (8 às 15h30) podem fazer os seus respectivos depósitos.
Há poucos metros está um outro balcão do Banco Internacional de Crédito (BIC). Um dos bancários que conversou com a nossa equipa, disse ser uma mais-valia as duas caixas automáticas que estão à entrada do banco, pois sempre que carregados servem de alívio à pressão que outrora se exerceu aos bancos. Os últimos dados sobre a bancarização em Angola, divulgados pelo BNA, isso em Novembro de 2016, apontavam para 7,8 milhões de contas abertas.
Durante um recente fórum do BNA, que abordou sobre o papel das tecnologias de informação na banca soube-se que para o caso angolano, a revisão da Lei do Sistema de Pagamentos deve viabilizar a elevação da taxa de bancarização de 50 por cento até 2020, contra os actuais 30 por cento com a inclusão financeira da população adulta, no mínimo.