Os bancos, preferencialmente, recorrerem aos Títulos do Tesouro para seu financiamento, deixando de parte o tradicional crédito à economia como fonte primária da sua função de comprar e vender moeda. No entender dos especialistas nacionais, os bancos comerciais beneficiam de fontes privilegiadas para a obtenção de lucros, nomeadamente, os empréstimos feitos ao Estado e os gap´s entre as taxas de câmbio do mercado cambial oficial e paralelo.
A este respeito, a economista e docente universitária Laurinda Hoygaard disse que numa economia liberal, os agentes económicos orientam-se para a defesa dos seus interesses que, em geral, residem na «maximização do lucro».
Segundo ela, na nossa conjuntura e realidade, esta vantagem é acrescida e potenciada com a «minimização de riscos e de custos», como confirmam as estatísticas sobre a rentabilidade média do sector bancário-financeiro em geral.
Mas qual será o papel do banco central nesse realinhamento do mercado? A economista entende que não cabe ao BNA realinhar objectivos que contrariem a essência do sistema. Mas, pergunto, questiona a si mesma, como é possível o fenómeno que descreveu na primeira pergunta? A resposta está na corrupção e má gestão da anterior governação com resultados repercutidos na escassez de recursos para cobertura de encargos e liquidação de dívidas acumuladas e para realização das despesas do aparelho do Estado, tendo como consequências, entre outras, a redução dos investimentos públicos e privados, o agravamento do desequilíbrio entre sector público e sector privado e reduzindo as pré-condições fundamentais de desenvolvimento.
“O Estado tornou-se o principal sorvedouro das poupanças depositadas nos bancos comerciais remunerando-as com elevadas taxas de juro. O mercado cambial é outra fonte principal dos lucros da banca pela dupla posição privilegiada de acesso às divisas adquiridas a taxas oficiais e venda directa no mercado cambial assim como, no caso de mercadorias importadas ao câmbio oficial e vendidas a preços alinhados com o mercado livre”, disse.

Aumento da taxa de juro
Por sua vez, o também docente e economista Paulo Ringote entende que a principal causa deste problema, no caso de Angola, está relacionada com o tamanho e o papel que o nosso Estado (em sentido amplo)possui e, desempenha na nossa economia. O Estado é o maior agente económico da economia angolana (sobretudo pelo número de empregados que tem e, pelo volume de bens e serviços que adquire) e, financia principalmente a sua actividade através das receitas que arrecada pela venda dos seus recursos naturais, (principalmente o petróleo), já que, as demais receitas ordinárias(outros impostos) possuem uma forte correlação com as receitas provenientes da exploração e venda dos recursos naturais.
Para ele, esta situação leva a que a economia angolana viva presa na armadilha do preço do barril de petróleo, como todos sabemos. A redução nas receitas fiscais, verificadas desde o segundo trimestre de 2014, sem que houvesse um rápido ajustamento na despesa pública, combinada com as incertezas em saber que se o choque, seria temporário ou permanente, levou a que as contas públicas se saldassem em défice, deste aquela data. O financiamento dos défices fiscais provocou (e provoca sempre) concorrência na utilização e acesso as poupanças internas(existentes no sistema bancário), entre o Estado e os particulares.
Paulo Ringote é ainda de opinião que a principal causa deste problema, no caso de Angola, está relacionada com o tamanho e o papel que o nosso Estado (em sentido amplo) possui e, desempenha na nossa economia. O Estado é o maior agente económico da economia angolana (sobretudo pelo numero de empregados que tem e, pelo volume de bens e serviços que adquire) e, financia principalmente sua actividade através das receitas que arrecada pela venda dos seus recursos naturais, (principalmente o petróleo), já que, as demais receitas ordinárias(outros impostos) possuem uma forte correlação com as receitas provenientes da exploração e venda dos recursos naturais.

Negócio de risco
Visto o negócio bancário ser iminentemente de risco, (dados pelos mismacths entre depósitos e créditos) e, consequentemente, possuir sobre exposição ao chamado risco de crédito, no binómio risco-rentabilidade, os bancos preferirão sempre emprestar a entidades que ofereçam menor risco, para igual ou superior rentabilidade(refira-se aqui que, o aumento da procura de empréstimos pelo Estado provocou aumento nas taxas de juros dos bilhetes e obrigações do tesouro). Os Estados nas suas circunscrições territoriais são por definição, agentes isentos do risco de crédito, pelo que, de acordo as regras de gestão bancária, desoneram os bancos da obrigação de reforçar o capital regulamentar, nos casos de concessão de empréstimos a estes, ao contrário do que ocorre nos créditos a particulares, onde a obrigação de reforço de capital pode chegar a cem por cento o valor concedido por empréstimo. Vemos assim que, emprestar aos particulares além de ser menos seguro (dado o risco de crédito), obriga ainda a que os bancos tenham de reforçar os seus capitais na proporção dos créditos concedidos. Aqui chegados, será fácil concluir que os banqueiros terão maiores preferências emprestar ao Estado e, menos aos particulares.
Pode-se concluir, de acordo com o economista, que a redução do o preço do barril depetróleo afetou os bancos por meio da redução da receita fiscal e o consequente financiamento dos défices fiscais, pelo que, por sua vez levou a que, o Estado atrasasse os pagamentos a fornecedores, o que contribuiu para a deterioração da qualidade dos créditos concedidos(mal parado), levando os fornecedores a descumprirem com as suas obrigações junto a? banca. Tudo isto está na origem da preferência pelo Estado na concessão de empréstimos pelos bancos, em prejuízo do sector real da economia, com consequências na diversificação das fontes de receitas, assim como no crescimento e desenvolvimento do país.

BFA obteve
Usd 38 milhões

O mês de Agosto na Bolsa de Dívida e valores de Angola (BODIVA) ficou marcado como aquele em que se registou o evento de reembolso das Unidades de Participação do Fundo BFA Oportunidades, totalizando o resgate de 10 milhões de UPs, ultimando num montante financeiro de 11.8 mil milhões de kwanzas (38 milhões de dólares).
De acordo com os dados disponibilizados, no período de Julho à Setembro, foram processados 200 eventos de distribuição de rendimento, nomeadamente, 161 pagamentos de cupão e 39 resgates, totalizando 23.900.499 de títulos e perfazendo um montante financeiro de 192.8 mil milhões de kwanzas.
Durante o terceiro trimestre, foram liquidados 1.016 negócios, o que correspondeu a uma cifra de mais de 243 mil milhões de kwanzas.
O BFA continua na liderança do mercado, com um montante negociado de 223 mil milhões de kwanzas (719 milhões de dólares), tendo a sua quota de mercado aumentado de 42,25% para 46,59%.
O SBA viu a sua quota de mercado diminuir de 26,38% para 20,28%, mesmo tendo negociado 97,7 mil milhões (315 milhões de dólares). Tendo aumentado exponencialmente o montante negociado, o BAI viu a sua quota de mercado aumentar de 11.02% para 15.64%.
No que concerne ao desempenho dos membros de negociação, verifica-se que, dos 17 membros BODIVA, apenas 9 contribuíram para o montante negociado. Particular realce para o BFA, SBA, e o BAI, que ocupam os três primeiros lugares e cujas transacções representaram cerca de 82% do mercado.