A actual onda de assaltos à saída dos bancos com vítimas estrangeiras pode diminuir a escolha de investidores externos trazerem os seus recursos para o país. Na visão do economista e docente universitário Fernando Vunge, esta situação tem sim reflexo na imagem externa, na medida do que a estabilidade e segurança interna representam aos cidadãos e investidores, em particular, quer sejam externos ou internos, tendo em conta a garantia de protecção dos seus investimentos. “Entretanto, não podemos fazer uma correlação directa dos casos de criminalidade que temos observado nos últimos dias na nossa capital, envolvendo cidadãos estrangeiros até que os órgãos de investigação criminal não vierem a público e divulgarem os resultados das investigações de cada caso, pese embora o “modus operandi” ter alguma correlação na medida em que foram clientes que efectuaram levantamentos de quantias avultadas de valores em unidades bancárias”, disse. Por esta razão, o também administrador do Banco Yetu, em defesa da sua dama, lembra que até aqui nada indica ter havido intervenção directa de funcionários bancários, como se especula pelas redes sociais e órgãos de imprensa. Para ele, no respeito ao princípio constitucional da presunção da inocência, até que os órgãos de direito possam provar as acusações imputadas aos funcionários bancários pela disponibilização de informações aos presumíveis autores desses crimes, todos são inocentes. Se o problema é de segurança pública, dos bancos ou consequência da crise social e económica que se vive, Fernando Vunge admite que os crimes acontecem em qualquer sociedade mesmo naquelas consideradas mais desenvolvidas. E, chama, todavia, a atenção ao facto de existirem várias causas desde sociais, económicas, políticas e psicológicas. “Por isso, é uma obrigação constitucional do Estado a segurança pública e a salvaguarda do bem maior que é a vida”, disse. Contudo, para o também bancário, faz todo o sentido admitir que nas sociedades com maiores assimetrias económicas e sociais também ocorrem, com maior frequência, as instabilidades, através das convulsões decorrentes dos efeitos dos ciclos de contracção económica como o desemprego, altos índices de inflação e pobreza. Para o caso angolano disse, não constitui segredo para ninguém que o actual contexto da economia, caracterizado por uma crise económica e financeira, “tem reflexos na vida difícil que as famílias passam e, logicamente, na situação social do país. Por isso, conclui, não se pode culpar a segurança dos bancos, mas sim fazer-se uma análise mais profunda da situação actual do país desde o ponto de vista económico e social. Os contactos para ouvir a Associação Angolana de Bancos (ABANC), uma vez estar implicada a imagem de associados, não foram bem sucedidos.

Segurança e Ordem pública

A polícia nacional angolana esforça-se para, no mais curto espaço de tempo, esclarecer sobre a onda de criminalidade e acalmar os cidadãos tomados, nas últimas semanas, por uma onda de insegurança depois de sucessivos assaltos de somas de dinheiro, por calcular, à saída de bancos.
Se por um lado, a população reclama de falta de segurança, nos corredores da polícia fala-se na necessidade de mais investimentos em meios e pessoas.
No OGE para 2020, a rubrica “Segurança e Ordem Pública” fica com uma verba alocada de 659,47 mil milhões de kwanzas, equivalentes a 1,4 mil milhões de dólares, e 4,13 por cento do total da despesa por função.
Em termos discricionários, no OGE para o próximo ano, os serviços policiais ficam 540,62 mil milhões de kwanzas (3,39%) do total da verba alocada. Já para “Investigação e Desenvolvimento em Seg. e Ordem Pública” é alocada a verba total de 87,785 milhões (0,55 por cento). Por seu lado, para “Outros Serviços de Segurança e Ordem Pública”, o Estado atribui 20,5 milhões de kwanzas.
O especialista em segurança Jordão Osório, instrutor numa empresa privada de serviços de segurança pessoal e de objectivos, os assaltos ocorrem, mesmo no caso angolano, às pessoas individuais e aos próprios bancos como podem atestar vários relatos.
O protector António Cristovão assume o risco de guardar agências bancárias e outros objectivos estratégicos, considerando a manifesta destreza, muitas das vezes, dos agressores que seguram armas de fogo e as manuseiam como que se em filmes de acção policial se tratasse.