A entrega de chaves de um apartamento ao rei Mwene Muatchissengue wa Tembo pelo Vice-presidente da República de Angola, Manuel Vicente, marcou a inauguração da centralidade de Mussungue, no Dundo.
Numa cermónia que envolveu certa moldura humana, com maior destaque para mulheres, a ministra de Urbanismo e Habitação, Branca do Espírito Santo, entregou a chave da cidade ao vice-presidente da República que, por sua vez, a depositou no governador da Lunda Norte, Ernesto Muangala.
O folclore foi destaque na cerimónia, com a exibição do grupo de dança Maringa e de música da Mamã Tembo, depois de Manuel Vicente, que não fez nenhuma intervenção pública, ter descerrado a placa da cidade, num largo à entrada.
A centralidade, com edifícios que variam entre oito, nove e cinco andares, foi construído numa superfície de 115 hectares, abarcando apartamentos T3, 136 T4, 2988 T5 e 136 T6.
Na centralidade de Mussungue, com cinco mil apartamentos onde já habitam 15 mil pessoas, existe uma escola primária de 30 salas, um centro infantil de 36 salas, além de
um hospital com 109 camas.
Sistemas de drenagem de águas residuais e fluvais de 33,8 km, 56 km, respectivamente, são outras das infra-estruturas construídas de 2009 a 2015.
As águas sem proveito vão para uma Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR), que tem capacidade de bombeamento de 830 metros cúbicos por hora. A de consumo é tratada numa estação com capacidade de despejar 20 mil metros cúbicos por dia.
A ministra do Urbanismo disse que, com esta fase do programa, se prova que a política habitacional no país está no bom caminho.
O governador da Lunda Norte exaltou a pertinência deste empreendimento, na impossibilidade de se erguer Lucapa, como capital da província, como o Presidente José Eduardo dos Santos tinha projectado, devido aos anos de guerra.
Por sua vez, o administrador da Imogestin na cidade do Dundo, Amarildo Van-Dúnem, afirmou que proximamente começa a fase da construção de casas económicas, para beneficiar pessoas com menos capacidade, além de se dar início ao processo de arrendamento de mil apartamentos.
Questionado sobre a pressão de candidaturas para a compra de apartamentos, disse que, ao contrário de Luanda que tem uma realidade diferente, devido ao êxodo, Dundo teve vendas normais.
Na opinião do administrador, estes projectos demonstram que foram bem elebarados.

Manutenção das centralidades
A ministra do Urbanismo e Habitação, Branca do Espírito Santo, chamou atenção ao desafio que se apresenta às entidades públicas para a gestão e manutenção das novas cidades criadas pelo país.
“O grande desafio que colocamos de agora em diante (...) é a gestão e manutenção pelas entidades públicas gestoras deste bem”, referiu, antes de entregar a chave da cidade ao vice-presidente da República, Manuel Vicente.
Noutra parte da sua intervenção, a ministra exaltou o papel do sector habitacional do país para a melhoria da vida dos cidadãos ao beneficiar diferentes províncias com a construção
de novas urbanizações.
Disse que com o Programa Nacional do Urbanismo e Habitação, estão a ser construídas infra-estruras e novas habitações, por forma a acomodar milhões de angolanos, dando resposta ao artigo 85º da Constituição, que promove o direito à habitação e qualidade de vida das populações.
Sector da saúde
Os moradores do distrito urbano do Camama, no município de Belas, vão ter um hospital materno-infantil, com 10 pisos, nos próximos 24 meses, com capacidade para 350 camas, das quais 170 para a área materno infantil e 180 para a maternidade.
A infra-estrutura, avaliada em cerca de 32 mil milhões de kwanzas, começou a ser construída oficialmente esta semana, com o lançamento da primeira pedra pelo Vice-Presidente da República, Manuel Vicente.
O seu apetrechamento, incluindo a fiscalização, está orçado em cerca de 776 milhões de kwanzas e vai permitir o funcionamento dos serviços de urgências, maternidade, pediatria, fisioterapia, reabilitação física e de cirurgia, bem como de unidades de queimados e de terapia respiratória, laboratórios de análises clínicas, sistema de imagiologia , radiodiagnóstico e uma morgue.
O ministro da Saúde, Luís Sambo, que falava no acto de lançamento da primeira pedra, disse que a construção do hospital na zona sul de Luanda visa o aumento dos serviços de pediatria e maternidade nesta área, reduzir a mortalidade infantil, garantir partos seguros e contribuir para a qualidade e esperança de vida da população.
Segundo o ministro, é igualmente objectivo do Executivo diminuir a pressão exercida ao Hospital David Bernardino e à Maternidade Lucrécia Paím, para que estas unidades sanitárias possam dedicar-se ao estudo e ao tratamento de doenças mais complexas.

Instituto de Hematologia
O Vice-Presidente da República, Manuel Vicente, procedeu igualmente ao lançamento das primeiras pedras para a construção da Morgue Central de Luanda e do Instituto de Hematologia Pediátrica, no distrito da Maianga. A futura Morgue Central de Luanda tem capacidade para 200 gavetas e está avaliada em 1. 263. 361.000 kwanzas e o seu apetrechamento e serviços de fiscalização em 36.619.160 Kwanzas.
Em construção numa área de 7.000 metros quadrados, junto ao Centro de Reabilitação Física de Luanda, a morgue vai contar com um serviço de apoio psicológico às famílias, laboratórios de análises forense e de investigação para esclarecimento das mortes, com a participação da polícia, além das áreas de armazenamento, preservação, identificação e autopsia dos corpos.
O ministro da Saúde disse estar ainda previsto a implementação de um projecto que visa a requalificação das morgues em todos os hospitais e a construção de outras a nível da província de Luanda e posteriormente em todo o país.
O Instituto de Hematologia Pediátrica, localizado por detrás da Direcção Provincial de Saúde, vai ser construído em 24 meses e prestar assistência médica a doentes do fórum hematológico e imunoematológico, realizar investigação clínica e epidemiológica, e formar técnicos no domínio da hematologia.
Com cinco pisos, dos quais dois térreos, a infra-estrutura vai integrar um centro de apoio a crianças com anemia falciforme, com capacidade de atendimento de 100 crianças por dia nos serviços de urgência e consultas externas e uma área de serviços de hemoterapia pediátrica, com ligação com o Instituto Nacional de Sangue.
No mesmo edifício, vai funcionar o centro de transplante de medula, em colaboração com o Instituto de Luta contra o Cancro e outras unidades hospitalares de referência, após a definição do quadro legal nacional sobre o transplante de órgãos humanos, assim como uma área de epidemiologia, prevenção, educação e suporte familiar.