A rede multicaixa, introduzida no mercado financeiro angolano há já alguns anos, está em crescimento, e com ela as operações, como levantamento de dinheiro, compras e pagamentos de serviços entre os quais os de televisão e recargas telefónicas. Na opinião dos usuários, a rede facilita ainda na recarga de internet, liquidação de facturas de energia e água, transferências bancárias, só para citar estes.
Desde 2010, a pressão às agências bancárias tem observado redução, uma vez que a rede multicaixa (ATM) e dos Terminais de Pagamento Automático (TPA) permitem que se façam operações bancárias, sem necessidade de recorrer
aos tradicionais balcões das agências bancárias.
O administrativo Jorge Mendes salienta que não tem o hábito de levantar o dinheiro em mão, mesmo quando tem salários, e
isto para evitar assaltos. Reclama apenas pelo reduzido valor autorizado diariamente em levantamento (kz 50 mil).
“Utilizo apenas o multicaixa para levantar dinheiro. Não tenho muita necessidade de efectuar outras operações”.
Já Maurício de Almeida, assistente administrativo, afirma que o uso dos multicaixas representa uma grande vantagem, porque minimiza as longas filas nos balcões e permite que o cidadão faça qualquer operação que ele precise
sem grandes sobressaltos.
“A única dificuldade que encontro são as falhas constantes nos sistema. Tirando isto,
não há nada a se queixar”, disse.
Sem contrariar totalmente, o funcionário público Bruno de Brito afirma que os multicaixas têm muitas vantagens porque, pode-se fazer qualquer tipo de operações e transferências, e pagamento de diversos serviços sem recorrer
ao balcão de um banco. Porém, no seu caso particular, actualmente não usa os multicaixas, porque tem os serviços muito bem facilitados pelos aplicativos no seu smartphone.
Por sua vez, o estudante Renato Nunes é de opinião que o Multicaixa ajuda naquele momento que se está numa aflição de doença, principalmente aos final de semana, que as vezes precisa-se algo com urgência. Todavia, para ele, existem várias desvantagens, “porque excedemos nos gastos quando temos o multicaixa”.
Estévão John, técnico administrativo, diz usar o produto para evitar ficar em longas filas dos bancos e usa a nova tecnologia para fazer compras.
“São práticos. Não dão tanto trabalho como se tivéssemos dinheiro ao vivo, que temos de contar nota por nota”.
Para o técnico de Programação-Auto, Manuel Pacheco, a desvantagem é passar pelo banco e encontrar muito cheio e não poder fazer nada. A vantagem reside no facto de ir ao caixa e fazer a operação sem ter que esperar muito tempo na fila.
Ainda assim, apela para a necessidade de durante o fim-de-semana ou aos feriados alguns ATM, d’algumas zonas, devem ser carregados com dinheiro.
“Vivo no Rocha Pinto. Tenho que chegar até à baixa da cidade, isto acontece sempre aos finais de semana, para
poder fazer operações”, disse.
O jornalista Eusébio Sambambi diz que os bancos, mesmo quando não têm uma dependência em certa área, deveriam pelo menos colocar os serviços por causa das muitas dificuldades que se vive, principalmente aos fins-de-semana, porquanto os clientes bancários estão espalhados por todos os lados. Conta que a pressão é ainda maior no final do mês ou no princípio
quando há salários.
Para os moradores da centralidade do Kilamba as filas enormes ou a falta de sistema podem ser evitados se os bancos injectarem dinheiro, montar mais multicaixas e melhorarem o seu sinal em muitas zonas
das centralidades.
“O Banco Sol colocou um multicaixa no Quarteirão R e tem ajudado. Ainda assim não é suficiente, até porque é uma área de muitas famílias e gostaríamos que os gestores vissem esta situação”, apela.
Francisco do Quental, gestor de cliente, entende que a sua profissão não lhe tem exigido outras necessidades, por isso prefere utilizar os cartões de débito e crédito, que considera que são ferramentas muito importantes às operações diárias.