Angola tem de adoptar uma abordagem integrada aos investimentos que priorizem, em paralelo, as reformas económicas e a criação de emprego, bem como investir no desenvolvimento de capital humano.
Essa é uma das recomendações da Conferência Internacional Sobre População e Desenvolvimento, que decorreu de 12 de 14 de Novembro em Nairobi (Quénia), sob o lema “CIPD 25: acelerando promessa”, na qual reuniu 9 mil participantes de mais de 100 países.
A mesma recomendação consta do relatório lançado recentemente pelo Ministério da Economia e Planeamento e Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP) sobre “Aproveitar o potencial da juventude para colher o dividendo demográfico em Angola”.
Já os resultados da modelagem indicam que Angola pode obter ganhos significativos para alcançar o progresso socioeconómico equitativo idealizado na sua estratégia de desenvolvimento de longo prazo, a visão 2025, e na revisão dessa estratégica para cobrir o período até 2050.
Os especialistas consideram que o país tem de investir em intervenções que abrandem o seu actual crescimento demográfico rápido, que ameaça deteriorar e os ganhos conseguidos na área do crescimento económico. Tal, deverá incluir na garantia da educação necessária e dos serviços e bens que permitam aos casais planearem famíliassaudáveis e sustentáveis.
Uma queda significativa das elevadas taxas de fecundidade que prevalecem no país conduzirá a uma dependência menor e ao aumento da população em idade activa, o que é favorável à maximização dos benefícios do dividendo demográfico. O investimento na conquista do dividendo demográfico pode dar um impulso significativo para concretização destes objectivos.
O estudo lançado recentemente pelo Ministério da Economia e Planeamento mostra que os indicadores de pobreza entre os angolanos continuam muito altos.
De acordo com o documento, o país passou por um período de redução rápida da pobreza, com a incidência de pobreza a diminuir de 68 por cento em 2000 para 36,6 em 2015.
Porém a incidência de pobreza é muito mais elevada nas zonas rurais (58%), do que nas zonas urbanas (19). Entre as principais causas da pobreza em Angola destacam-se as limitadas oportunidades de emprego sustentável e as disparidades regionais no acesso a infra-estruturas económicas e sociais.
O estudo mostra ainda que os níveis de desigualdade em Angola são muito altos, a contribuir para uma perda de 37 por cento no índice de desenvolvimento do país.

Crescimento
Apesar dos indicadores de crescimento no sector não petrolífero da economia, como agricultura, pescas e a banca, a economia não gerou empregos suficientes para fazer face ao aumento da população activa.
O estudo aponta, ainda, que um dos factores que contribui para a elevada taxa de desemprego em Angola é o capital humano inadequado e pouco qualificado.
Apesar dos desafios que persistem, o progresso económico registados em Angola nas últimas duas décadas foi facilitado pela melhoria das condições macroeconómicas do índice de competitividade.