As relações político-diplomáticas e económicas entre a República de Angola e a República Federal da Alemanha datam de longos anos e são consideradas excelentes. Com a recente visita da Chanceler alemã a Angola, acontece um novo revisitar dos laços históricos e de cooperação incomparável, a contar pelo actual contexto da economia nacional que se abriu ao investimento externo. Estes contactos ao mais alto nível deram origem a assinatura de diversos e importantes instrumentos jurídicos, comissões bilaterais e outras acções, com grande impacto na consolidação das relações de amizade e cooperação económica entre os dois países. O Estado alemão joga um papel importante, na concretização dos objectivos nacionais preconizados, uma vez que, é líder mundial em áreas chave, que concorrem para a crescente economia, como a industrialização, formação, saúde, agricultura, energias renováveis, tecnologias inovadoras e digitalização. O sector que mais tem beneficiado desta cooperação é o da indústria energética, através da participação das empresas alemãs na construção de barragens e centrais hidroeléctricas nacionais, o que coloca este país da União Europeia no centro das prioridades da cooperação com Angola. Mas não é tudo, muitas outras áreas, tais como as de infra-estruturas, transporte, defesa, cultura, e formação, ganham um maior impulso na implementação dos acordos rubricados. Neste domínio, a cooperação financeira com a Alemanha já despreendeu um financiamento no valor de 1,06 mil milhões de dólares destinados à aquisição de equipamentos electromecânicos para apetrechar turbinas da central hidroeléctrica de Caculo Cabaça. O desejo do Presidente da República, João Lourenço, é ter o apoio alemão para a expansão e modernização da rede eléctrica das cidades de Moçâmedes e Tômbwa e a interligação de ambas, a construção de uma unidade de produção de vacinas e um laboratório de pesquisa animal, bem como a construção da fábrica do papel-moeda e documentos de alta segurança.
Recuperação de bens

João Lourenço quer igualmente que os bens adquiridos ilicitamente, sejam recuperados e os activos que foram retirados indevidamente do país, regressem a procedência, sendo que este recursos servem para dar outra dinâmica às reformas em curso no país, que vão continuar, segundo garantias do Chefe de Estado.
A Chanceler alemã, Angela Merkel, assegurou que o seu país vai contribuir para o desenvolvimento de Angola e esta cooperação vai atingir um novo capítulo da sua cooperação.
Para a Chanceler, que elogiou as reformas actuais e aconselhou a aceleração do processo de descentralização, implementando as autarquias, podendo inclusive contar com a cooperação germânica em aspectos concretos no domínio jurídico, via troca troca de experiências com juristas angolanos.
Angola tem agora, segundo garantias, a possibilidade da instalação de uma academia de digitalização e energia e pode ser membro do pacto com África, criado sob iniciativa do G20.
A Alemanha quer ter a presença definitiva de dez grandes empresas ligadas aos sectores de electrónica, telefonia, engenharia mecânica, fornecimento de equipamentos de energia solar e outros, que integraram a delegação de Angela Merkel, que são os casos da Rolls- Royce Power Sistem, a Hansa Flex - a Voith, Gebr. Knauf KG, a Andritz Hydro, John Berenberg, a Siemens e a Volkswagen, que pretendem investir em Angola.
O grupo Volkswagen esteve representado pelo alemão Thomas Schaefer e pretende instalar uma fábrica de montagem de veículos da marca na Zona Económica Especial Luanda/Bengo.
Angola é o terceiro maior parceiro africano da Alemanha, cujas trocas comcerciais foram de 800 milhões de euros em 2018, mais de mil milhões em 2019 e este ano este montante pode atingir um valor histórico.
Em 2010, o comércio bilateral terminou em 491 milhões de euros, uma clara demonstração de crescimento. A média do volume de negócio entre os dois países ronda os 500 milhões de euros por ano, essencialmente com exportação de petróleo angolano a Alemanha.
No país actuam em vários ramos, como o da tecnologia de construção de máquinas, arquitectura, eletroctécnica, energia, protecção ambiental, transporte, processamento alimentar, turismo e tecnologia de resíduos 11 empresas.

Economia alemã
A economia da Alemanha é a mais importante da Europa e é a quarta potência económica mundial depois dos Estados Unidos, China e Japão. É uma economia de mercado na qual a seguridade social tem um peso muito grande na economia, tendo os alemães direitos sociais muito extensos. O país passou por grandes reformas de livre comércio antigamente, deixando de ser o “homem doente da Europa” para ser a maior e mais robusta economia do bloco europeu na actualidade.
A reunificação teve um impacto significativo no crescimento da parte ocidental do país, com grandes quantidades de dinheiro sendo usadas para financiar a reestruturação da porção Oriental.