E uma das formas para que o plano seja, cabalmente, implementado é apostar no segmento agroalimentar, para que no futuro Angola diminua a importação e aumente o volume de exportações, quer a nível da União Europeia e outros, quer dos países da lusofonia, sobretudo Portugal, que mantém fortes interesses em várias áreas comerciais com Angola.
Os dois países têm boas relações de cooperação no sector agrícola desde o Acordo Geral de Cooperação em 1979, depois o protocolo de cooperação agrícola em 1989, do Café assinado em 1992 e o último assinado, recentemente, entre os ministros dos dois países.

Reforço da cooperação

O Protocolo de Cooperação entre o Ministério da Agricultura de Angola e o Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural de Portugal foi rubricado a 17 de Fevereiro de 2017. Em função disso, o titular da pasta de Angola Marcos Nhunga visitou Portugal de 16 a 19 Fevereiro de 2017. Antes, o ministro da agricultura português, Luís Capoulas Santos, esteve em Angola de 24 a 28 de Junho de 2016.
Estes dados foram avançados pela directora dos Serviços de Assuntos Europeus e Relações Internacionais do Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP) de Portugal, Margarida Vaz, quando dissertava sobre “O potencial das fileiras agro-alimentares portuguesas no contexto da CPLP”, durante a conferência “Na rota das exportações – oportunidades no
agro-alimentar na CPLP”.
O evento é uma promoção da Câmara Agrícola Lusófona (CAL), e realizou-se na quarta-feira, no âmbito da 54ª feira nacional de Agricultura/64ª Feira do Ribatejo, que se prololonga até 18 de Junho (domingo), no Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA), em Santarém, localidade que dista a mais de 80 quilómetros do centro de Lisboa.

Internacionalização

Por outro lado, Margarida Vaz disse que Angola e Portugal mantêm interesses estratégicos, que se fundamentam na criação de uma agenda bilateral renovada nos sectores agrícola, agroindustrial e florestal.
De acordo com a responsável da CAL, as empresas já instaladas no mercado angolano (azeite, vinho, cerveja, preparações à base de carne/produtos vegetais e pescado) podem ter um papel dinamizador na criação de novos produtos com valor acrescentado (integração com a indústria agroalimentar) e de novas formas de distribuição e comercialização.
Além disso, assegurou a existência de uma plataforma de “Business Intelligence”, que visa a capacitação para a internacionalização das empresas do sector agroalimentar, assim como de novas parcerias estratégicas para o investimento,inovação, comercialização e promoção de negócios entre Angola e Portugal.
Já o responsável máximo da Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária de Portugal, Fernando Bernardo, em representação do Secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, Luís Medeiros Vieira, afirmou que as oportunidades de negócio relacionadas com exportações de produtos agrícolas ou agro-industriais de Portugal para a lusofonia dependem apenas da vontade de realização de uma transacção comercial.
Informou que existem limitações sanitárias (extra-aduaneiras) que têm de ser previamente avaliadas e acordadas entre as autoridades sanitárias e fitossanitárias dos países de destino, tendo em vista o reconhecimento dos estatutos sanitários dos territórios de origem dos produtos e os modelos de certificados.
“No mercado da UE vigora regras sanitárias que não coincidem exactamente com as que estão estabelecidas nos acordos SPS da WTO e, portanto, a reciprocidade dos acordos com países terceiros é por vezes mais difíceis”, considera.

Oportunidades

O presidente da Câmara Agrícola Lusófona (CAL), Jorge Correia Santos, orientou a sessão de abertura e, na ocasião, enfatizou as inúmeras oportunidades no domínio do agroalimentar entre os países da Comunidade de Língua Portuguesa.
Temas como “Produtos, quotas de mercado e concorrentes entre Portugal e os países da CPLP”, “O potencial das fileiras agro-alimentares portuguesas no contexto da CPLP”, “Instrumentos de apoio e a banca local ao serviço das PME” e ”Como alavancar as exportações portuguesas”, bem como “IFAP – Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas Restituições à exportação – um incentivo” centralizaram as atenções na conferência sobre “Na rota das exportações”. Angola albergou evento similar em 2016 na província do Huambo com a participação de empresários locais.

Conheça o evento

De 10 a 18 de Junho de 2017, o Centro Nacional de Exposições, em Santarém, é palco da 54ª Feira Nacional de Agricultura/64ª Feira do Ribatejo, cuja temática vai incidir nos “Cereais de Portugal”.
Este ano, a aposta foi na continuidade da mobilização de esforços para que a Feira Nacional de Agricultura fosse a oportunidade ideal para o lançamento e divulgação de novos produtos, para a promoção de novos serviços e ainda para a partilha de conhecimentos.
Em 2017, a organização da feira buscou maximizar as suas apostas no conforto dos visitantes e expositores e colocar à disposição mais “zonas de sombreamento” no exterior para a comodidade de todos aqueles que as frequentam.
A feira contempla ainda as habituais áreas de referência ao mundo rural e agrícola, com especial destaque para a zona de maquinaria agrícola, a mostra de agro-pecuária, artesanato e gastronomia, o mundo do espectáculo e da promoção dos valores tradicionais, com as típicas largadas de toiros, desfiles e provas de campinos, actividades equestres, música popular e tradicional.
O salão Prazer de Provar, iniciativa que conta com os melhores produtos agro-alimentares, volta a destacar acções dirigidas a produtores, consumidores e profissionais com relevo para a área dedicada aos vencedores dos concursos nacionais de produtos portugueses.
Com uma ampla participação dos agentes do sector, os seminários e colóquios que decorrem nos dias úteis constituem a um importante polo de debate e discussão dos principais temas agrícolas. Paralelamente, decorre a Fersant – Feira Empresarial da Região de Santarém, promovida pelo Nersant.
A Feira Nacional de Agricultura é o palco da assinatura de constituição da Irrigants d’Europe, que é a primeira associação na Europa que tem como objectivo defender o sector da agricultura de regadio e resulta da união das maiores Associações Gestoras de Água para a Agricultura dos Estados Membros da União Europeia onde o regadio é mais expressivo.