O governo do Cuando Cubango está a gizar programas para a campanha agrícola 2019/2020, que visam o cultivo nas zonas baixas e nas encostas, no sentido de fazer face à seca que assola a província.
Segundo o porta-voz da Comissão Provincial de Protecção Civil, Soares Inglês, prevê-se a aquisição de 35 tractores com as respectivas alfaias, para apoiar os camponeses na preparação das terras, para a campanha agrícola 2019/2020.
Sublinhou que cerca de 354 mil pessoas estão afectadas pela estiagem no Cuando Cubango, sendo para isso necessário pelo menos 194 mil toneladas de bens alimentares para apoiar as populações.
Destacou que para se mitigar a fome e as suas consequências são prioridades da província continuar a levar a cabo o apoio de distribuição alimentar em quantidade adequada até ao período da época de colheita, priorizando sobretudo os municípios do Cuangar, Calai, Dirico, Mavinga e Rivungo que foram mais afectados pela estiagem.

Geração de renda


Afirmou que devido ao grave problema de estiagem na província será necessário reabilitar e criar fontes de água para aumentar a disponibilidade de consumo às populações, animais e de rega, assim como promover actividades alternativas de geração de renda para as famílias no meio rural, com realce para produção de mel e pesca.
Questionado sobre a morte de animais, principalmente de gado bovino, devido a situação da estiagem na província, assegurou que até ao momento não há casos alarmantes no Cuando Cubango conforme está a acontecer no Cunene e Namibe.

Construção de furos de água


Soares Inglês disse que a Comissão Provincial de Protecção Civil necessita também que se construa com urgência 68 furos de água nos municípios que compõem a província do Cuando Cubango.
Referiu que segundo o levantamento feito devem ser construídos 15 furos de água no município de Menongue, dez em Mavinga, nove no Cuito Cuanavale, nove no Cuchi, sete no calai, sete no Rivungo, seis no Cuangar, três no Dirico e dois no Nancova.
“Necessitamos igualmente de apoio dez camiões cisterna e mais de 100 reservatórios comunitários com capacidade para 5 a 10 mil litros para atender as aldeias que se encontram nas zonas recônditas”, defendeu.

Apoios
A Comissão Provincial de Protecção Civil necessita de pelo menos 194 mil toneladas de bens alimentares para apoiar às 354 mil pessoas afectadas,
correspondente a 70 mil famílias.
Mensalmente são necessárias 16 mil toneladas para atender as 354 mil pessoas afectadas, mas até agora só contabilizamos 700 toneladas, sendo um número muito ínfimo para suprir a penúria alimentar das populações.
Muitas pessoas que vivem próximo da Zâmbia e da Namíbia estão a abandonar as suas aldeias em busca de melhores condições de vida nestes países vizinhos.
Para a distribuição dos meios que estão a ser doados até a população alvo, a província tem estado a contar com o apoio da empresa Logística de Transporte Integral (LTI) que continua a desencadear acções de transportação de produtos aos municípios afectados.