Os deputados eleitos nas eleições gerais de 23 de Agosto deste ano tomaram os seus assentos na Assembleia Nacional, para um mandato de cinco anos.
O acto solene de tomada de posse, que teve a ausência do deputado Abel Chivukuvuku (CASA-CE), foi orientado pelo presidente cessante da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias, entretanto, reconduzido nesta quinta-feira para o cargo.
A recondução ocorreu durante a Reunião Constitutiva da Assembleia Nacional, na sequência das eleições gerais de 23 de Agosto deste ano. Fernando da Piedade Dias dos Santos foi eleito com 218 votos a favor, nenhum contra e uma abstenção.
Durante a reunião constitutiva do Parlamento, os deputados elegeram ainda para a mesa da Assembleia Nacional, além do presidente, os vice-presidentes e os secretários.
No quadro das eleições gerais de 2017, a IV Legislatura da Assembleia Nacional vai contar com 150 deputados do MPLA, 51 de UNITA, 16 da coligação CASA-CE, dois do PRS e um da FNLA, num total de 220 parlamentares.
Dos 220 deputados eleitos no pleito, 59 são mulheres e 161 são homens. Dos 220 deputados que tomaram posse, 100 transitaram e 120 são novos.
No acto, os deputados juraram fidelidade à Pátria, tendo recebido crachás individuais, símbolo de identificação dos parlamentares.
As formações políticas PRS e FNLA, nesta legislatura, não formam uma bancada, uma vez que contam apenas com dois e um deputado respectivamente.
Entretanto, o agora reconduzido presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos, apontou com principal desafio o reforço da democracia e da unidade em benefício do povo.
Fernando da Piedade discursava na abertura da Reunião Constitutiva da IV Legislatura da Assembleia Nacional. Depois de elogiar o grau de civismo dos cidadãos nas eleições gerais de 23 de Agosto, pelo sentido patriótico demonstrado, apelou para uma maior aproximação ao cidadão e atenção aos problemas do povo com iniciativas legislativas e acções de fiscalização.
Para o líder parlamentar, o trabalho do deputado deve ser visível, contribuindo para o bem-estar dos cidadãos, independentemente da formação política de cada um.
Garante que a Assembleia Nacional deverá continuar a privilegiar e a promover o diálogo com todas as forças sociais e estimular a participação da sociedade civil, colocando o cidadão no epicentro dos debates.
Fernando da Piedade Dias dos Santos afirmou que a situação política, económica e social do país exige a formulação de ideias que ajudem o país a superar a crise para voltar a colocar o país no trilho do desenvolvimento económico e financeiro para melhorar as condições de vida dos cidadãos, consolidar a democracia e preservar a paz.

Novos deputados
Nesta legislatura, que termina em 2022, o Parlamento ganha um novo ciclo de debates políticos. Ao todo, 120 dos 220 deputados entram pela primeira vez no Parlamento.
Em entrevista ao Jornal de Angola, deputados que entram pela primeira vez na Assembleia Nacional pelos grupos parlamentares do MPLA, UNITA e CASA-CE, revelaram as suas expectativas.
Assim, o economista Vicente Pinto de Andrade, que entra pela primeira vez no Parlamento pelo grupo parlamentar do MPLA, espera contribuir o máximo para que nos próximos cinco anos se consiga melhorar a situação económica e social do país e aprofundar a democracia.
“O desafio lançado pelo MPLA, pelo Presidente e pelo Vice-Presidente da República exige que haja um engajamento por parte das instituições, que são responsáveis pela aprovação de legislação, que facilite não só o aprofundamento da democracia, mas também que mude a economia do país”,disse, salientando que a ideia é que estas acções sejam mais ágeis no sentido de poderem contribuir para a melhoria da situação social dos angolanos.
O rosto pela defesa da UNITA no Parlamento em matéria de assuntos jurídicos e constitucionais, Adriano Sapinala, que entra pela primeira vez no Pparlamento, adianta que esta legislatura tem desafios que passam pelo cumprimento da sua missão e pelo regaste da sua característica fiscalizadora dos actos de governação.
“Quem está a governar vai saber que tem alguém com competência de fiscalizá-lo e que em alguns casos pode pedir-lhe responsabilidades”. O jovem deputado da UNITA acredita que estes desafios vão ajudar a melhorar o debate democrático que existe na Assembleia Nacional, por falta de fiscalização.
A composição actual do Parlamento angolano, caracterizada pelo aumento do número de deputados da oposição e a entrada de muitos jovens, manifesta um novo ciclo na abordagem dos assuntos do país, disse esta quinta-feira, a embaixadora dos Estados Unidos da América em Angola, Helen La Lime.
A diplomata falava à imprensa na Assembleia Nacional, onde testemunhou a tomada de posse dos deputados eleitos nas eleições gerais de 23 Agosto último. “Teremos novas ideias e maneiras diferentes de abordar os assuntos do país”, disse a diplomata.
Em fim de missão, Helen La Lime referiu que Angola enfrenta desafios económicos que devem ser abordados também no parlamento, visto que este órgão joga um papel muito importante na fiscalização do Executivo.