O Governo de Angola e o Banco de Desenvolvimento do Japão assinaram, à margem da Ticad7, um memorando que vai permitir o financiamento de vários projectos. Falando à imprensa, o ministro das Finanças, Archer Mangueira, disse que o financiamento japonês está avaliado em 400 milhões de dólares, sendo que parte deste valor vai contribuir para o combate à seca no Sul do país.
Destacou que o investimento será também, aplicado para projectos dos sectores da Energia e Águas e Construção (reabilitação de estradas) além do projecto integrado de desenvolvimento do Namibe.
Por sua vez, o ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, assegurou que parte da verba que será disponibilizada pelo banco nipónico, na ordem dos 200 milhões de dólares serão aplicados para a construção de uma barragem, bem como canais de adução de águas e sistemas para o abeberamento do gado e a construção de chimpacas para o abastecimento de água à população.
“Temos três grandes obras a realizar na região do Cunene, visando garantir o abastecimento de água que vai permitir no fundo, mitigar os efeitos da seca, e, pretendemos que o Japão se incorpore aos esforços que o Governo angolano está a fazer no sentido de garantir o seu financiamento”, informou.
“Desafiamos os empresários japoneses a investir nos mais diversos ramos das nossas economias, na agropecuária, na indústria têxtil, nas pescas, na indústria auto, na produção de televisores, computadores e telemóveis, nas novas e renováveis fontes de produção de energia eléctrica”, disse o Chefe de Estado, no seu pronunciamento.
Nesta visita ao Japão, revelou, “fazemo-nos acompanhar de um leque de empresários angolanos com quem podem interagir e estabelecer possíveis parcerias”.

Crescimento forte e sustentado
O Presidente da República, João Lourenço, desafiou, na passada quarta-feira, na 7ª Conferência Internacional de Tóquio para o Desenvolvimento de África (TICAD7), em Yokohama, Japão, os empresários daquele país asiático a investirem nos mais diversos ramos da economia angolana. Na sua intervenção, João Lourenço, disse que Angola está a implementar medidas tendentes a combater a concorrência desleal, o branqueamento de capitais, bem como medidas para recuperar os activos que foram constituídos com recursos públicos e ilegalmente transferidos para terceiros em Angola e no estrangeiro.
Para criar as condições de estabilidade macroeconómica necessárias para um melhor ambiente de negócios, o Executivo de Angola está a implementar, com o apoio do Fundo Monetário Internacional, um Programa para a estabilização da economia angolana.
“Este programa tem permitido alcançar resultados positivos no que respeita a consolidação fiscal, a redução das taxas de inflação, a normalização gradual do mercado cambial, bem como a estabilização das taxas de juro dos títulos do Tesouro e do nível das reservas internacionais líquidas do país”, garante.
Por outro lado, garantiu que Angola está a levar a cabo, com o apoio do Banco Mundial, um amplo Programa de Melhoria do Ambiente de Negócios, o que tem permitido simplificar os procedimentos e reduzir o tempo dos diversos serviços públicos prestados ao sector privado.
“Também com o apoio do Banco Mundial estamos a implementar um amplo Programa de privatizações de empresas e activos públicos. Estamos em vias de iniciar a privatização de mais de 190 empresas e activos públicos até o ano 2022”, sublinhou.
Com este processo de privatizações, disse, pretende-se promover o crescimento económico de Angola, fomentando o investimento privado e o aumento da oferta de emprego no país.