A segurança pública e o desenho das agências bancárias devem merecer uma atenção especial dos promotores dos mesmos, atendendo aos desafios de um serviço público prestado com qualidade e pensando no beneficiário. Na visão do psicólogo criminal Lukamba Joaquim, o actual momento social é caracterizado por acontecimentos previsíveis em contextos como este de reorganização. Para ele, pode-se usar, como exemplo, uma casa que durante muito tempo tem os móveis organizados de uma determinada maneira e, decide-se, por alguma razão, trocar as posições dos móveis, substituir alguns, alterar a maneira de limpá-los, inverter os acessos, etc. “Todas essas movimentações que forem sendo feitas dentro de casa podem criar um certo “pânico” aos que estiveram sempre acostumados a viver num estilo diferente. Sendo assim, as pessoas, uma vez dispostas à reorganizar à casa, têm de estar preparadas também para enfrentar os efeitos adversos desse processo e garantir que o fim último da reorganização, seja melhor que o antes”, considera.

Escassez de recursos
O docente universitário entende que do ponto de vista moral, defende-se que “a falta ou a escassez de recursos financeiros ou a carência de bens não pode ser justificativa para a prática delituosa”. Porém, reflecte, se, se analisarem bem as características dos crimes que vão sendo praticados, sobretudo nos grandes centros urbanos, percebe-se que a sua maioria se enquadra no que chamam em Psicologia Criminal de, “Criminalidade Aquisitiva”.
Explica ser esse tipo de criminalidade, a que tem como fim último a “aquisição de bens”, sendo os mesmos característicos em contextos de crise económica.
Lukamba Joaquim diz ainda que pesquisas em criminologia já são bastante claras ao afirmarem: “em épocas de inflação a criminalidade aquisitiva tende a aumentar”. Por isso, justifica, se sair-se da visão romântica, segundo a qual “a situação económica e social aparente não justifica o aumento de crimes” e analisar-se o “fenómeno criminal” do plano global, ver-se-á que factores sociais e económicos pesam bastante na “passagem ao acto”.
E, se me perguntar, por que razões só uns é que cometem crimes por conta da miséria e outros não, a resposta será a seguinte: na prática dos crimes violentos, sobretudo, existem indivíduos que do ponto de vista da personalidade não desenvolveram bastante um elemento importante da chamada “tripla maturidade”, no caso a “maturidade moral”, aquela que faz com que todo e qualquer indivíduo, sempre que pensar em infringir a lei, pense e repense antes sobre o compromisso que tem com a sociedade em não prejudicá-la (porque estará a prejudicar-se à si próprio) nem prejudicar o outro…
Conforme argumenta, esse indivíduo, com essa “falha moral”, está propenso a “passar ao acto” e costuma ser o que também apresenta sinais como ausência de remorso, falta de empatia, normalmente é destemido e tem dificuldades em se compadecer com o sofrimento alheio.

Envolvimento de bancários
Quando questionado sobre alguma possibilidade de funcionários bancários serem parte de quadrilhas, o psicólogo criminal diz entender que os assaltos à saída dos bancos não são actos delitivos casuais pela natureza de tal tipologia criminal e pelo facto de exigir da parte do criminoso, informações privilegiadas sobre a vítima. Isto quer dizer que, há probabilidade da existência de uma rede que poderá incluir também alguns funcionários bancários ou pessoas próximas à eles que tenham tais informações.
“E aqui, alertámos ao empregador que tenha em atenção o perfil psicológico e comportamental dos indivíduos que são recrutados para trabalhar em agências bancárias. Deve-se fazer esse estudo durante o processo de recrutamento e selecção para prevenção. Hoje, o mercado já tem profissionais da área de Psicologia do Trabalho e Organizações. Podem ser um bom parceiro nesse quesito”, argumenta.
Sobre se o sistema de segurança dos bancos, defende que o mesmo deve ser revisto e repensado (será que já há nas agências bancárias, o Chamado Centro de Controlo de TV?); por parte das vítimas, há comportamentos de riscos que de forma inconsciente têm sido adoptados e, infelizmente, acabam por facilitar a acção dos delinquentes.
“Entre usar o dinheiro físico ou electrónico, se existir a possibilidade da segunda opção, é aconselhável que se faça ou caso não seja possível, nos locais em que a polícia pode garantir o acompanhamento personalizado, quando se transportam somas avultadas de dinheiro, por que não solicitar os mesmos serviços da polícia?!”, disse.

Assaltos causam danos por parcos milhões

Um roubo “quase” que perfeito no início do ano a uma das agências do Banco Sol, na zona do Condomínio Jardim de Rosas, mexeu com a cidade de Luanda. Às barbnas de agentes da Polícia Nacional, o balcão daquela zona residencial viu serem assaltados com recurso a arma de fogo o valor em kwanzas de 40 milhões e mais alguns não especificados euros e dólares. Diante da ousadia dos “bandidos” e inércia da Polícia no local, a sociedade reagiu mal e fez transparecer os primeiros sinais de insegurança. O sentimento ainda paira e nos últimos dias, aproximando-se o período festivo de fim-de-ano, as ruas voltaram a ser tomadas por certa intranquilidade. Motoqueiros armados roubaram e nalguns casos dispararam mortalmente contra cidadãos à saída de bancos.
A Polícia diz que, apesar deste cenário, a situação está controlada e que os crimes não representam assim tanta subida como se faz crer nas opiniões dos cidadãos. Os jovens que efectivaram um assalto a uma agência do banco BIC, este ano, foram condenados a 16 anos de prisão. A soma envolvida é de 1,6 milhão de kwanzas. Já para o caso de transporte de valores, uma ocasião em que ocorrem também assaltosà mão armada, a Polícia nacional recomenda a requisição de serviços de protecção. Para os levantamento e transporte de avultadas somas monetárias, Mateus Rodrigues aconselha os cidadãos a solicitarem o auxílio da Polícia Nacional ou de empresas de segurança especializadas, para a devida escolta. O director do Gabinete de Comunicação, Institucional e Imprensa da delegação provincial do Ministério do Interior, intendente Mateus de Lemos Rodrigues, desaconselhou que as vítimas reajam aos assaltos, pois os assaltantes não perdem tempo a pensar e quando a vítima reage.