A Confederação Empresarial de Angola exortou o Executivo a criar uma comissão especial de apoio à importação de equipamentos e insumos para os produtores. O apelo foi feito quarta-feira, em Luanda, pelo presidente da organização, Francisco Viana, no decurso da cerimónia de abertura da IV edição da Expo-Indústria, a ter lugar até amanhã, na Zona Económica Especial (ZEE) Luanda-Bengo, sob o lema “Mais Indústria, Mais Emprego, Mais Angola”. Francisco Viana, que falava ao Jornal de Economia & Finanças, apelou à necessidade de criação de uma comissão, uma das grandes propostas apresentadas ao Governo, no sentido de os empresários ultrapassarem as dificuldades encontradas no acesso às divisas. O responsável realçou que o difícil acesso às divisas é, actualmente, um dos maiores problemas que compromete o futuro das empresas nacionais, que continuam a sentir grandes dificuldades. “É impossível manter as nossas indústrias funcionais sem podermos importar directamente o que nós precisamos”, alertou Francisco Viana, exemplificando que há jovens ou novos empresários com projectos aprovados, mas sem conseguirem avançar, de facto, por causa do problema da falta de divisas. “Para ter a empresa funcional, ele tem um programa de aquisição de equipamentos a partir do exterior do país, por meio de empresas importadoras, o que leva de três a seis meses. Nesse período, o preço altera-se e o estudo fica desactualizado e volta-se tudo à estaca zero”, adiantou Francisco Viana. Em função da situação mencionada, o presidente da confederação defendeu a realização de uma auditoria à dívida pública, no sentido de se pagar aos empresários o débito que o Estado tem, a fim de que o dinheiro possa circular no país e de que “se crie a certeza de que os muitos dinheiros que estamos a pagar, através da dívida pública, não sejam para alimentar os casos da corrupção”. O empresário salientou que, pelo menos, 52 por cento do orçamento do país serve para pagar a dívida pública, estimada em muitos biliões, por causa de governantes que andaram a fazer negócios danosos. Para Francisco Viana, enquanto não se conseguir introduzir dinheiro em Angola e retirá-lo naturalmente, os empresários estrangeiros ficarão com receio de investir no país. “Os que ainda cá estão vivem uma situação de resiliência e só não foram embora porque têm máquinas”, declarou Francisco Viana, que disse apontou como motivos ao espírito de resiliência que os empresários ainda participam em feiras, apesar dos custos dos eventos e das dificuldades por que as empresas passam actualmente. Por isso, Francisco Viana elogiou a presença de centenas de organizações empresariais na Expo-Indústria, a maior montra da indústria nacional, criada pelo Ministério de tutela com o objectivo de atrair, cada vez mais, um maior investimento no sector e valorizar a produção nacional. “Temos de acabar com a máfia das divisas”, reiterou Francisco Viana, para quem, nestes tempos difíceis para o empresariado nacional, é preciso que o Executivo aperte o cerco aos negócios dos cambiais em prol do bem dos empresários. O responsável exemplificou que se precisar de dois milhões de dólares, num abrir e fechar de olhos tem esse valor, mas se pretender fazer uma transferência de 30 mil dólares para pagar uma pequena máquina, através da banca, já não se consegue. Por isso, defendeu que se deve declarar uma guerra contra a rede de operadores bancários que actuam de má-fé.

Negócios em risco
Francisco Viana revelou que muitas empresas estão a fechar as portas e tantas outras a despedir trabalhadores, em função da perda da capacidade produtiva e da falta de competitividade, como acontece com as indústrias de bebida.
O empresário disse que correm sérios riscos de bancarrota a Refriango, que, das 24 linhas de produção de que dispõe, tem em funcionamento apenas oito. O problema, acrescentou, é extensivo às empresas proprietárias da cerveja “Cuca” e de bebidas espirituosas “Best Whisky” e “Best Marula”.
O presidente da Confederação Empresarial de Angola insistiu na necessidade de abertura de oportunidades para todos, desde os grandes, médios, pequenos aos micro-empresários, por ser um factor determinante para o ambiente de negócio no país.
Francisco Viana alertou que a política de repatriamento de lucros tem afugentado investidores estrangeiros, por encontrarem dificuldades em repatriar o lucro do investimento.
“Um estrangeiro que investe milhões de dólares se encontrar dificuldades em repatriar aquilo que investe ou o lucro, desiste de continuar a investir e outros investidores não vêm”, sublinhou o presidente da Confederação Empresarial de Angola.
Quanto aos nacionais, Francisco Viana lamentou que, se um empresário mandar um produto para o exterior, por cerca de 1 milhão de dólares, metade deste dinheiro é o Estado quem determina o que fazer com esse valor, uma situação bastante constrangedora, uma vez que “os investidores sentem-se presos nas mãos do Estado, o que não pode ser”.

IVA cria embaraços
Francisco Viana pediu ao Executivo para reforçar os encontros de concertação com a classe empresarial antes da execução de qualquer medida, principalmente relacionada com a implementação de impostos, que podem não funcionar no mercado angolano.
O dirigente aproveitou a ocasião para informar que boa parte dos empresários está a sentir um grande aperto com a implementação do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA). Daí defender que certas medidas devem ser tomadas por via da concertação com base na realidade momentânea do país.