Os sectores da Agricultura, Comércio e da Indústria no Huambo registaram, nos últimos anos, grandes avanços com a implementação de diversos projectos. A paz, conquistada em 2002, contribuiu para o crescimento económico que se assiste na província.

A livre circulação de pessoas e bens tem facilitado o escoamento dos produtos do campo para os centros urbanos e fruto da estabilidade foi criado recentemente o Programa de Aquisição de Produtos Agro-pecuários (PAPAGRO), instrumento eficaz para a melhoria da qualidade de vida das populações residentes no meio rural. Além de solucionar a problemática de escoamento dos produtos agrícolas, o programa está a impulsionar o aumento da produção.

O vice-governador da província para o sector Técnico e Infra-estruturas, Francisco Calunga Quissanga, referiu que, durante os 12 anos de paz, o país começou a estabilizar a economia, que viveu muitos momentos de inflação, facto que hoje já não se verifica.

O governante afirmou que foram marcados os passos iniciais para o crescimento do país, tendo reconhecido existirem ainda muitos sectores que precisam ganhar vida para garantir a sustentabilidade do crescimento económico para que haja reflexos na melhoria das condições de vida da população.

“O poder de compra aumentou. Quem trabalha no campo, tem maior possibilidade de escoar os seus produtos com a facilidade na ligação, entre o meio rural e o meio urbano”, disse o vice-governador, acrescentando que a ligação da sede provincial aos municípios está toda asfaltada, de modos a proporcionar comodidade aos que nela circulam.

A circulação do comboio dos Caminhos-de-Ferro de Benguela (CFB) é um facto, com o país em paz, e tem facilitado as trocas comerciais entre as províncias de Benguela, Huambo, Bié e Moxico.

Desde a entrada em funcionamento, em Agosto de 2011, o comboio de carga e de passageiros faz semanalmente o trajecto Porto do Lobito/Huambo/Bié/Moxico levando mercadorias diversas, o que tem contribuído significativamente na redução dos preços dos produtos.

Pólo industrial

Como consequência do conflito armado, o parque industrial do Huambo foi destruído a quase 99 por cento. Com a paz, há indícios do seu ressurgimento com o projecto do pólo industrial da Caála, com a previsão de instalação de mais de 40 unidades fabris.
Já estão em funcionamento o local, uma cerâmica para produção de tijolos e telhas, uma fábrica de colchões e uma marcenaria vocacionada à confecção de mobiliário doméstico, incluindo carteiras escolares.

Mas de acordo Calunga Quissanga, é necessário um impulso maior, para o seu pleno funcionamento embora seja uma questão que não se resolve da noite para o dia.

Com o objectivo de conhecer, o tecido industrial nacional para se promover a diversificação da oferta de produtos transformados, fomentar o crescimento qualitativo e incrementar a capacidade de produção, foi criado o Censo de Indústria de Angola (CIANG), no quadro do Plano Nacional de Desenvolvimento 2013-2017, o qual foi lançado recentemente pela ministra da Indústria, Bernarda Martins na província do Huambo.

O vice-governador do Huambo para o Sector Económico, Francisco Fato, disse que o Ciang representa para a província, e para os diversos empreendedores industriais, uma oportunidade, pois como consequência da guerra o parque industrial do Huambo ficou desaparecido.

“Com a paz o Governo está a implementar políticas para potenciar o ressurgimento gradual de industriais. Esta importante medida pressupõe uma eficiente e rigorosa base de dados sobre o sector,” reconheceu.

Há dois anos foi inaugurada a Barragem Hidroeléctrica do Ngove, que se encontra actualmente em pleno funcionamento, dando impulso ao ressurgimento do parque industrial da província.

Com três máquinas, e uma capacidade para produzir 20 megawatts de energia cada, perfazendo um potencial instalado de 60 megawatts, podem trabalhar isoladamente ou em conjunto. Com caudal máximo de dois mil metros cúbicos e um caudal mínimo de 20 metros cúbicos.

“Estamos agora a trabalhar na expansão da rede eléctrica, situação que em 12 anos não puderam ser todas resolvidas porque muitas estiveram destruídas, agora estamos a repor esses serviços essenciais. O mesmo acontece com a água que tudo estamos a fazer para o melhorar a sua cobertura” frisou o vice-governador para os Serviços Técnicos e Infra-estruturas, Calunga Quissanga.

Actualmente, a taxa de abastecimento de água potável é de 39,3 por cento, equivalente a 971 mil e 68 consumidores, num universo de dois milhões e 500 mil habitantes estimativamente existentes na província.

A previsão é de reabilitar 303 quilómetros de conduta de água potável, bem como a construção, este ano, de duas estações de captação e tratamento de água, com capacidade de mil e 360 metros cúbicos por hora.

No âmbito do Programa “Água para Todos”, foi possível a construção de 361 chafarizes na província. A meta é que até 2017 a taxa de abastecimento de água potável aumente para 80 por cento nas zonas rurais e 100 nas urbanas.

Electrificação

Outro indicador dos ganhos da paz prende-se com o projecto de electrificação das zonas rurais que arranca em 2015. O mesmo foi criado com vista a acelerar o desenvolvimento sócio económico das comunidades.

O “Sonho de casa Própria está, aos poucos a ser realizado. Um total de 189 casas sociais erguidas foi distribuído pelo Ministério da Juventude e Desportos nas localidades do Lossambo, arredores da cidade do Huambo, Bailundo, Ecunha e Caála, no âmbito do Programa Angola Jovem.

Estão em fase de conclusão, a construção dos 12 mil fogos habitacionais nos municípios do Huambo, Bailundo e Caála, para além da construção de 200 casas em todos os municípios da província.