Alguns especialistas contactados pelo JE para abordar o recente relatório das contas das empresas públicas, consideram que o grande problema destas empresas está na forma como são geridas. O contabilista Félix Novais entende deficiente a gestão da maioria das empresas públicas, tudo porque grande parte delas não são orientadas para o mercado ou para gerar o lucro, pois o Estado em todo momento subsidia os seus défices decorrentes da actividade. O também membro do Grupo Técnico de Apoio aos Contabilistas para a Implementação do IVA considera que as dívidas “Estado-Estado” e dos cidadãos como a água e luz também são outros temas a resolver, pois as empresas como a ENDE e EPAL e outras deste sector têm potencial para ser muito maiores caso invistam no sistema pré-pago e punir severamente “quem roube os contadores de água e luz bem como cabos eléctricos”. “Enquanto este paradigma não mudar, o problema vai continuar e o processo de privatização, em meu entender, é a melhor decisão que o Governo tomou para começar a alterar o paradigma”, revelou. Félix Novais disse que outra questão que pode ajudar a melhorar a gestão das empresas é a aplicação de incentivos e penalizações. Para ele, deve-se assegurar igualmente que os gestores tenhamo lucros e bónus ou utilizem o sistema aplicado na Sonangol no sector público e no BAI no sector privado em que o presidente da Comissão Executiva tem direito a uma pequena participação da empresa, o que implica que, além dos bónus, o gestor terá direito a parte dos lucros em cada ano da actividade sempre que estes existirem. “De igual modo, devem estar claras as penalizações na legislação do sector empresarial público para quem tem prejuízos em anos sucessivos. Outro tema é apostar-se na formação em governação corporativa, compliance e outros temas de gestão”, apontou.

Controlo das contas
Por sua vez, o contabilista Numu Makangila disse que o grande problema das empresas públicas está nos próprios gestores ou líderes, pois têm a responsabilidade de liderar para determinar metas e objectivos, assim como organizar, controlar e avaliar os resultados. Ele é responsável pela administração ou pelo gerenciamento dos bens ou dos negócios de alguém, empresa ou instituição. Afirmou que grande parte dos gestores das empresas públicas, às vezes, são colocados por conveniência e não por habilidades, pois umas das habilidades mais importante de um bom gestor, está na capacidade de adaptação e na ponderação que é uma das características de um bom líder. Além disso, deve motivar a equipa sempre e no alinhamento das metas e na resolução de mais diferentes situações para garantir a execução eficaz das operações da organização. A também deve ter habilidades do controlo, que é uma função que assegura que os objectivos estão a ser cumpridos a 100%. Esse último aspecto também tem faltado aos gestores das empresas públicas, segundo o contabilista Numu Makangila. “No meu ponto de vista, o Estado não deve manter alguns subsídios, deve apenas deixar os que vão gerar lucros, porque nada serve ter muitos subsídios para depois não ter retorno destes mas ao contrário apenas vai aumentar as dívidas públicas”, concluiu.